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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

VERBETE - "Puritanismo"

Abadia de Westminster
http://historiologiaprotestante.blogspot.com.br/

Puritanismo , como o nome indica, foi um movimento produzido pelos diversos grupos separatistas (congregacionais, presbiterianos, metodistas) dedicados à purificação da Igreja da Inglaterra (Anglicana) da herança do Catolicismo romano. Seus posicionamentos teológicos e rejeição dos dogmas Católico Romano remontam aos dias de João Wycliff e o movimento dos lolardos do final do século XIV. Como movimento eles tomam corpo nos dias do reinado de Eduardo VI (1547-1553), sucessor de Henrique VIII, mas com a morte precoce dele e sob o reinado de Maria I (1553-1558) seus lideres se refugiaram em cidades que adotaram a Reforma Protestante como Genebra e Estrasburgo. No inicio do longo reinado de Elizabeth I (1558-1603) estes líderes retornam sob a forte influência de John Knox, que consegue implementar as mudanças na Escócia  mas não logrou exito na Inglaterra. Deste modo torna-se inevitável o choque deles com a Rainha, em que ela propunha uma “via média” entre o calvinismo (reformado) e o catolicismo. A partir desta ferrenha disputa deles com a Rainha em que insistiam em uma total purificação da igreja inglesa eles passam a serem identificados pela alcunha de "puritanos". Perderam a queda de braço com a Elizabeth I, que impôs sua proposta conciliatória. Posteriormente chegaram assumir o poder político na Inglaterra, em meados dos anos 1640 sob a liderança de Oliver Cromwell (1599-1658). O Puritanismo acabou perdendo o poder, e em 1660 a hierarquia episcopal anglicana foi restaurada. Não encontrando espaço para o exercício de suas ideias religiosas, um número crescente de puritanos atravessaram o mar e foram se estabelecer na então colônia da America do Norte (EUA) moldando assim o tipo de religião protestante que se perpetuaria  na história deste país até os dias atuais. Enquanto no poder na Inglaterra os Puritanos produziram a versão da bíblia chamada “King James Version” considerada uma das mais fidedignas versões dos textos bíblicos e fortemente influenciada pela versão produzida em genebra pelos calvinistas; entre os anos 1646-1647, através de uma convocação do Parlamento inglês, cuja maioria era naquele momento de puritanos,  elaborou-se os chamados documentos de Westminster, pois as reuniões ocorriam nas dependências da Abadia de Westminster, dos quais se inclui os documentos: o Diretório de Culto de Westminster, os Catecismos Maior (adultos) e Menor (crianças) , e a Confissão de Westminster; estes documentos se constituem ainda nos fundamentos teológicos das igrejas Presbiterianas e outros ramos do protestantismo calvinista. É com o puritanismo que os ingleses e posteriormente os Estados Unidos da América irão forma a mentalidade de que eram uma "nação eleita" de Deus com o propósito de conquistar o mundo, que acabou por desembocar em um nacionalismo exacerbado e expansionista. Outra vertente do pensamento teológico puritano era a ênfase na vida de santidade, através do estudo da Bíblia, o que apensar de todas as suas fragmentações eclesiásticas sempre foram os fomentadores dos chamados "Revivais ou Reavivamentos Espirituais".

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião






Referências Bibliográficas
CARTER, Lindberg. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001. [trad. Luís Henrique Dreher e Luís Marcos Sander].
CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de bíblia, teologia e filosofia, v. 5. São Paulo: Hagnos, 2006.
DREHER, Martin Norberto. A igreja latino-americana no contexto mundial. São Leopoldo: Sinodal, 1999. (Historia da Igreja; v. 4)
MATOS, Alderi Souza de. Fundamentos da teologia histórica. São Paulo: Mundo Cristão, 2008. (Coleção Teologia Brasileira)



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