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quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Um Pastor Protestante e uma Experiência Ecumênica: A Capela do Convívio Cristão


 

Pela segunda vez o Rev. José Borges dos Santos Jr. terá a oportunidade de recomeçar seu ministério. Assim como ocorreu quando assumiu o pastorado da recém-formada Igreja Presbiteriana Jardim das Oliveiras IPJO), na Alameda Jaú (SP) agora no momento de plena maturidade de vida e ministério ele vai iniciar sua última etapa da forma que possivelmente havia acalentado por muito tempo.

Agora completamente desvencilhado das amarras institucionais da IPB, após sua saída da IPJO, Borges sente-se motivado para estabelecer um espaço religioso onde possa exercer plenamente suas atividades pastorais dentro de sua concepção ecumênica eminentemente evangelical. Este novo espaço foi registrado como Instituto de Promoção e Serviço Ecumênico (IPSE), mas recebeu a alcunha carinhosa de “Capela do Convívio Cristão”, pois a proposta era abrigar todos aqueles que desejassem expressar sua fé, independentemente das questões denominacionais ou confessionais.

É preciso esclarecer que apesar de toda esta ênfase ecumênica, comprovado ao longo de sua trajetória histórica e acentuado aqui na Capela do Convívio Cristão, o Rev. Borges nunca ultrapassou suas próprias demarcações teológicas e até mesmo eclesiásticas. A estrutura, terminologia e dinâmica da Capela, é praticamente a mesma de qualquer outra igreja presbiteriana “não ecumênica”: pastor, presbíteros, diáconos, sociedade de mulheres, mocidade, culto, Escola Dominical, reunião de oração, Santa Ceia, e as liturgias dos cultos dominicais mantinham os mesmos elementos litúrgicos da IPJO. O Conselho foi substituído por uma Diretoria, assim composta: Presidente – Rev. Borges; Administrador – Dr. Santo Luiz Lavitola (com ele desde os tempos da IPUSP[1] e IPJO); Tesoureiro – Sr. Jovelino Affini; Secretário – Dr. João Borba de Araújo.

Em seu primeiro Relatório como Presidente (Pastor) do IPSE (outubro de 1969 a dezembro 1970), falando sobre os cultos ele se expressa assim: “O culto tem se caracterizado pelo tom, de animação e alegria e, mais em particular,pelo cântico dos hinos”. E continua: “Pode-se afirmar, sem exagero, que se oferece às pessoas que comparecem, um serviço religioso atualizado e edificante”. Concluindo: “Há um esforço continuo para melhorar o serviço religioso da comunidade”. Conforme seu primeiro Relatório (1969/70) Borges registra que todas as providenciam para o registro do IPSE foram finalizados em dezembro de 1970, pelo então Secretário Dr. João Borba de Araújo.

Provavelmente por causa do formato da construção feita para ampliar o espaço reservado para os cultos, que recebeu a alcunha carinhosa de “Capela do Convívio Cristão”, cuja frequência aumentava dominicalmente: “[...] Foi quando o Sr. Amador Aguiar mandou fazer a cobertura lateral que ficou tão bem, na forma de uma capela campestre, pitoresca e acolhedora, onde podem sentar-se cerca de oitenta pessoas. O jardim interno foi feito e doado pelo nosso companheiro Dr. Samuel de Mello. Criou-se, assim, um modelo de capela rústica e de construção econômica, mas atualizada e atraente. Podemos agora reunir, sem muito aperto, cerca de 180 pessoas” (RELATÓRIO PRESIDENTE, 1969/70).

Em relação à frequência dos cultos ele registra: “O culto público realizou-se regularmente, aos domingos, às 11 horas, com uma frequência que oscilou entre 80 a 170 pessoas”. E continua: “No último trimestre de 70 já o auditório havia crescido a ponto de ficar muita gente ao sol assistindo o culto”. E faz uma observação: “Não se tem feito anuncio dos cultos, mas o auditório tende a crescer”. Ainda neste primeiro relatório encontramos a dinâmica do IPSE neste primeiro ano de funcionamento, além dos cultos acima mencionados:

A Escola Dominical, com exceção da classe de adultos, funcionou precariamente. Realizou-se, com regularidade, embora com pequena frequência, ás terças-feiras, a reunião matinal de oração. Realizaram-se várias reuniões de moços para diálogos e estudos de assuntos e problemas de interesse da juventude. [...] Organizou-se, durante o ano, um grupo de senhoras, sob a direção da Sra. Nidelce Martins de Almeida, para confeccionar roupas para filhos de presos.

        Tudo que se relaciona à manutenção e funcionamento do IPSE eram resultados de doações espontâneas das pessoas que ali frequentavam:

Expresso nosso reconhecimento ao Sr. Amador Aguiar e sua Exma. esposa [D. Lilí Aguiar] a quem agradecemos a cessão da propriedade para o serviço do Instituto e a construção do anexo ao salão de cultos. Outrossim, agradecemos a todos que fizeram doações [piano, cadeiras,mesa da ceia] ao Instituto facilitando o equipamento da sede, bem como às pessoas que regularmente e com pontualidade prestaram serviços especializados à comunidade”. (Relatório do Presidente, 1969/70).

Ele conclui este seu primeiro Relatório descrevendo o espírito com que o IPSE foi estabelecido e suas expectativas:

A experiência deste período em que tudo se fez discretamente, sem qualquer alarido ou espírito de propaganda, mostra a possibilidade e, com ela, o dever de fazer um trabalho pacífico e construtivo que será também pioneiro nas inovações que fizer e forem confirmadas pelos frutos produzidos.

Muitas igrejas protestantes com muito mais tempo de existência anos, nunca experimentaram uma frequência desta expressão, portanto, depreciar esta comunidade estabelecida por Borges como sendo formada por um grupo de “beatos” borgeanista é ignorar a realidade dos fatos.

E em seu segundo Relatório (1971) ele descreve o espírito que permeava ele e os demais que do IPSE participavam naquele momento: “Este Instituto é um festival de boa vontade, de contribuições espontâneas, de trabalho voluntário, de alegria e fé e do desejo de servir a Cristo infatigavelmente”.

Em relação às suas atividades ecumênicas e docentes, elas vão se ampliando a partir deste momento, de forma exponencial e justaposta, pois a maioria de suas celebrações ecumênicas foi dentro do mundo acadêmico que viveu intensamente neste último período de sua vida. Em seus Relatórios consta um item – Cerimônias Ecumênicas – onde se registra estas atividades especificas. No primeiro Relatório (1969/70) temos: Formaturas (SP) Curso Intensivo de Auxiliar de enfermagem Braúlio Gomes; Curso de Auxiliar de Enfermagem da Escola Paulista; Faculdade de Filosofia da Universidade Mackenzie; Escola Paulista de Medicina. Comemorações de Natal: na Igreja São Luiz (promoção das Centrais Elétricas); no Tribunal de Contas do Estado de SP; Associação de Enfermeiras. Dia Mundial de Oração e Dia da Bíblia, na Câmara Municipal de SP. E um subitem – Cerimônia Ecumênica Cívica Religiosa: 4ª Zona Aérea (Abertura da Semana da Asa); Aniversário da Força Pública; 50° Aniversário da Sociedade Sorotimismo. No Rio de Janeiro participa da Abertura da Semana da Unidade.

Desde seus tempos na IPUSP Borges havia introduzido o curso de preparação para noivos, que tinha como objetivo orientar os futuros casais. Ele continuou este trabalho, mesmo nos períodos mais intensos de suas atividades, inclusive aqui no IPSE. Provavelmente por causa disto, e também pelo fato de ministrar casamentos no rito ecumênico,[2] inclusive em templos Católicos, bem como seus programas de rádio, do qual ele foi um dos precursores no Brasil,[3] ele ficou muito conhecido e começou a ser convidado para ministrar a casais da Igreja Católica Romana, bem como em outras atividades relacionadas, como registradas em seus Relatórios: 1973 – Estudos Bíblicos para Encontro de Casais da Igreja Católica (04); em 1974 – nas Igrejas: São Luiz, da Santíssima Trindade – Penha; Santo Agostinho, Rainha da Paz – Vila Formosa, (09); em 1975 (16); em 1976 para casais (21) e para jovens (02); em 1977 Palestras para casais (21); em 1978 Palestras para casais (16) e para jovens (01); em 1979 Palestras para casais (10); em 1980 para casais (14) e para jovens (02); em 1981 para casais (13); em 1982 para casais (04); a partir de 1984, devido sua debilidade física, ele fica mais restrito ao IPSE e não consta mais este tipo de atividade.

Nesta última etapa de seu ministério os casamentos ecumênicos às vezes eram em maior número do que os casamentos em ritos presbiterianos e/ou evangélicos: 1969/70 (rito ecumênico 9; rito presbiteriano 6); 1971 (rito ecumênico 11; rito presbiteriano 13). A partir de 1972 ele já não fazia mais distinção entre um ou outro rito, colocando apenas nos relatórios – casamentos.

A brevidade temporal de existência da “Capela do Convívio Cristão”, que pode ser tratada como um aspecto negativo, como foi o caso também da Igreja Cristã de São Paulo, formada por professores da USP e outros intelectuais protestantes presbiterianos, pois acabou encerrando suas atividades após o falecimento do Rev. Borges, não desabona em absolutamente nada o que o IPSE representou naquele momento histórico do protestantismo paulista. O seu declínio, na mesma medida em que a saúde de Borges fragilizava-se, e posterior encerramento de suas atividades, é um ranço comum em comunidades formadas por líderes carismáticos e que não encontram novas expressões de carismas e/ou não são preparados sucessores, o que me parece ser o caso aqui, como ocorreu com outros dois líderes do protestantismo presbiteriano, que também não fizeram “sucessores” Erasmo Braga e José Manoel da Conceição.

Todavia, a “Capela do Convívio Cristão”, pela sua novidade no meio evangélico protestante e na religiosidade da cidade de São Paulo e pela expressão de seu líder e mentor, Rev. José Borges dos Santos Jr., bem como pelo conjunto de seus membros e pelo tempo que perdurou, merece uma pesquisa muito mais intensa e profunda do que este espaço me permite, para se avaliar com justiça as implicações de sua expressão temporal-existencial.

 

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
me.ivanguedes@gmail.com
Outro Blog
Reflexão Bíblica
http://reflexaobiblica.spaceblog.com.br/

 

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Referências Bibliográficas
CASTRO, Luís Alberto de. A Trajetória do “Velho Mestre: Uma Biografia do Rev. José Borges dos Santos Júnior – um recorte historiográfico da Igreja Presbiteriana do Brasil. Dissertação (Mestre em Divindade) – Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, São Paulo, 2011.
GARCEZ, Robson do Boa Morte. Origem da Igreja Cristã de São Paulo e a contribuição de alguns membros para a formação da FFLCH/USP – uma expressão da liberdade religiosa. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2007.
GUEDES, Ivan Pereira. O protestantismo na cidade de São Paulo – presbiterianismo: primórdios e desenvolvimento do presbiterianismo. Alemanha: Ed. Novas Edições Acadêmicas, 2013.
MATOS, Alderi Souza de. Erasmo Braga, o protestantismo e a sociedade brasileira – perspectivas sobre a missão da igreja. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2008.
MENDONÇA, Antonio G. Jesus e os últimos liberais: um estudo sobre John Mackay, Harry E. Fosdick e Miguel Rizzo (Extrema se tangunt). In Numen- Revista de Estudos e Pesquisa de Religião, vol. 4, no. 1. Juiz de Fora, Universidade Federal de Juiz de Fora, Editora UFJF, jan-jun/2001.
PEREIRA- João Baptista Borge. "Identidade protestante no Brasil ontem e hoje". In BIANCO. Gloecir: NICOLINI. Marcos (orgs.). Religare: identidade, sociedade e espiritualidade. São Paulo: Ali Print Editora. 2005. 


[1] Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo

[2] Nesta última etapa de seu ministério os casamentos ecumênicos às vezes eram em maior número do que os casamentos em ritos presbiterianos e/ou evangélicos: 1969/70 (rito ecumênico 9; rito presbiteriano 6); 1971 (rito ecumênico 11; rito presbiteriano 13). A partir de 1972 ele já não fazia mais distinção entre um ou outro rito, colocando apenas nos relatórios – casamentos.

[3] Seus programas em diversas emissoras de rádio, e por último na rádio Bandeirantes, o tornaram conhecido, admirado e respeitado por todas as pessoas, independentemente do credo religioso. Em seu Relatório de 1971 Borges destaca “[...] O programa das Meditações Matinais esteve no ar, pontualmente, todos os dias, [...] que atinge, favoravelmente, e beneficia pessoas de todas as camadas sociais e sem distinção de Credo [...]”.

terça-feira, 21 de maio de 2019

A Formação e Influência Acadêmica na Vida do Jovem José Borges dos Santos Jr.



            Qual a influência e/ou impacto da formação acadêmica na história de uma criança? Evidentemente que há respostas das mais controvérsias para esta questão indo das mais extravagantes às mais minimizadoras. Mas creio que nenhuma resposta haverá de negar o papel que a formação acadêmica exerce sobre a vida de uma pessoa.
            O Rev. José Borges dos Santos Jr é uma das figuras mais controvérsias na história do protestantismo presbiteriano. Desde os primeiros anos de seu ministério pastoral ele foi intensamente ativo e propositivo e rapidamente ocupa um espaço de liderança dentro da denominação. Toda sua vida foi gasta a serviço denominacional não apenas no pastoreio das igrejas pelas quais passou, mas também no espaço mais amplo da politica eclesiástica regional e nacional. Poucos pastores exerceram com tanta grandeza as funções mais relevantes da denominação presbiteriana e sua atuação extrapolou as fronteiras brasileiras, pois tinha uma visão ampla da relevância e influência que sua denominação poderia exercer na América Latina e até mesmo em Portugal e outros países. Ganhou o respeito dos missionários e suas respectivas Juntas Missionárias tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, onde representou e defendeu com veemência os interesses da Igreja Presbiteriana do Brasil. Mas apesar de uma biografia tão rica e expressiva, lamentavelmente foi lançado no limbo da historiografia presbiteriana brasileira. Ele não foi o primeiro e nem será o último a sofrer uma atitude tão mesquinha por parte dos seus pares politicamente divergentes. A história denominacional é escrita por alguns detentores do poder eclesiástico que se utiliza de critérios políticos para definir que ou quais personagens “merecem” serem preservados em suas páginas.
            O menino, adolescente e jovem José Borges foi um privilegiado no que concerne à sua formação acadêmica e ele soube como poucos aproveitar tudo quanto lhe foi oferecido, como se pode perceber com facilidade em sua biografia. Seus dotes naturais bem como seu espírito de liderança foram enriquecidos no transcorrer de sua carreira acadêmica, sendo influenciado por figuras da maior grandeza acadêmica e denominacional como veremos abaixo[1].
Fez seu curso ginasial no Ateneu Valenciano, cuja propriedade pertencia desde 1908 ao Comendador Antonio Jannuzzi,[2] que mais tarde o doou a Igreja Presbiteriana de Valença, que lá criou o Colégio Atheneu Valenciano[3].
Aqui Borges fará duas amizades que haverão de perdurar por toda sua vida, Antônio Marques da Fonseca Junior e Renato Ribeiro dos Santos. Como Borges ambos vieram a serem pastores presbiterianos; o primeiro ao longo dos anos postulou algumas ideias comuns quanto ao ecumenismo e depois também se opuseram aos rumos políticos da IPB na década de sessenta; o segundo foi pastor auxiliar do Rev. Miguel Rizzo Jr. na Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo no período de 1934-38, pouco antes da chegada de Borges àquela igreja.
Um aspecto importante neste momento inicial da formação do jovem Borges é o fato de que o educador que dirigia o Colégio era o Rev. Constâncio Homero Omega (1877-1927), ex-secretário do frade salesiano Celestino de Pedávoli, excelente educador e exímio musicista e que foi encaminhado ao ministério presbiteriano pelo Rev. Antônio Bandeira Trajano um dos pastores pioneiros; ele vai exercer seu ministério junto ao Rev. Álvaro Reis, que ocupa um lugar proeminente na restrita constelação dos grandes pastores presbiterianos, o primeiro moderador da Assembleia Geral da IPB e cuja visão social e educacional sempre foi muito além dos seus contemporâneos, era autodidata, um grande evangelista e de refinada oratória, polemizava com grandeza e dignidade sem nunca ofender seus ouvintes. (MATOS, 2004, pp. 370-71). Com certeza o garoto Borges respirou a atmosfera intensa dos pioneiros e não somente foi impactado por estas esferas de influencia, como também se sentiu estimulado e desafiado a explorar ao máximo suas capacidades e habilidades acadêmicas e futuramente docentes.
Outro aspecto fundamental desta fase formativa do jovem Borges é que se sentia chamado para o exercício ministerial, entretanto ao se apresentar à Igreja Metodista, da qual era membro, pleiteando sua candidatura, ele foi sistematicamente recusado com a argumentação de que era frágil fisicamente e por isso receava-se por sua saúde. Após insistir diversas vezes junto àquela igreja, o jovem apresenta-se ao Presbitério do Rio de Janeiro [Presbiteriano] que o encaminha ao Ateneu Valenciano de onde sai bacharel em Ciências. Uma pessoa importante neste momento foi D. Ana Januzzi, esposa do Comendador, que fica impressionada com a inteligência do menino e passa a financiar seus estudos ginasiais, possibilitando a continuidade de seus estudos teológicos. (FERREIRA, p. 01).
Concluído seus estudos ginasiais o jovem Borges é encaminhado para seus estudos teológicos no Seminário Presbiteriano de Campinas. Luiz Alberto de Castro, em seu excelente trabalho acadêmico sobre Borges, atesta que as informações sobre este período são escassas, mesmo pesquisando nos registros acadêmicos pouco se apura. Ele infere que durante o curso pré-teológico Borges tenha sido aluno de Erasmo Braga (2011, p.16), o que ocorrido certamente impregnou o jovem seminarista das ideias e conceitos teológicos mais avançados da época.
O Rev. Erasmo de Carvalho Braga foi uma das figuras mais proeminentes, nacional e internacionalmente, do presbiterianismo brasileiro. O historiador Alderi Matos ao escrever sua obra sobre Erasmo Braga preencheu uma lacuna inaceitável na historiografia biográfica do presbiterianismo nacional (2008). Braga foi impactado pelo Congresso do Panamá,[4] que originalmente recebera o nome de ― Congresso da Obra Cristã na América Latina e tornou-se um entusiasta do ecumenismo evangélico, pois entendia que somente unindo forças o Evangelho poderia de fato transformar a sociedade brasileira.
O Rev. Braga ficou encarregado de publicar um resumo do pensamento oficial do Congresso e o fez na sua obra ― Pan-Americanismo, Aspecto Religioso: Una Relacion e Interpretacion del Congreso de Accion Cristiana en la America Latina Celebrado en Panama conjuntamente com Eduardo Monteverde, outro representante do protestantismo latino americano, que foi publicado em Nova York (1916) e traduzido para o português e espanhol. Ele participa de vários organismos que trabalham arduamente para alcançar este propósito, sendo um dos mais importantes o ― Committee of Cooperation for Latin America.
Seus esforços foram tremendos, visto que seus companheiros sempre se mantiveram desconfiados quanto aos resultados desta empreitada, mas ele até seus últimos dias de sua vida jamais desistiu. Liderou a ― Comissão Brasileira de Cooperação, que tinha objetivos ambiciosos entre os quais a criação de uma universidade Protestante e de seu esforço criou-se o Seminário Unido (1918-1933) que fechou um ano após seu falecimento. Mas seu sonho mais acalentado somente foi tornado realidade dois anos após sua morte, a Confederação Evangélica do Brasil em 1934. Mas toda esta sua dedicação e empenho tornaram-se a sementeira do forte movimento ecumênico que eclodiu dentro da IPB nas décadas posteriores de 50 e 60, que haveria de produzir um dos abalos sísmico mais violento já registrado nos arraiais presbiteriano brasileiro em toda sua história.
O jovem seminarista Borges com certeza foi impactado e teve suas fronteiras teológicas alargadas pela efervescência transbordante dos conceitos e ideais ecumênicas [evangélicas] de Erasmo Braga, o que pode ser constatados nos fatos posteriores de sua história eclesiástica. E ainda que [Borges] não tenha convivido pessoalmente com Braga, como infere Castro, conforme acima mencionado, teve como mentor desde seus estudos teológicos e primeiros anos de ministério um dos mais destacados aluno de Braga que foi Miguel Rizzo Jr, que deu continuidade a obra do grande mestre, principalmente neste entusiasmo de cooperação ecumênica evangélica.
Idealizador do Instituto de Cultura Religiosa, o qual serviu para reunir um grupo heterogêneo de pensadores cujo propósito primário era expressar com inteligência o pensamento evangélico brasileiro, tendo como alvo alcançar um público avesso à frequentar igrejas, fosse através de uma literatura de alto nível ou realizando grandes conferências em teatros, cinemas e outros espaços possíveis. Através do Instituto Rizzo Jr produziu uma gama de literatura de boa qualidade onde se destaca entre outras a revista Fé e Vida, posteriormente Unitas que permaneceu em circulação de 1939 a 1962. Rizzo Jr foi também um pioneiro na utilização do rádio para comunicação da mensagem evangélica. Todo o esforço de sua vida produziu uma significativa penetração no circulo intelectual acadêmico brasileiro, mas que não teve o necessário apoio de seus próprios pares eclesiásticos que em muitos casos até mesmo lhe impuseram empecilhos e desabonos.
A influência de Rizzo Jr sobre o jovem estudante em formação foi notório em sua trajetória, visto que em duas ocasiões Borges foi pastor auxiliar e posteriormente assumiu a titularidade no lugar de Rizzo tanto na IPB em Campinas como posteriormente na IPB Unida de São Paulo. A visão ecumênica evangélica que Rizzo herdara de seu mentor Erasmo Braga impregnou toda a filosofia ministerial e eclesiástica de Borges que durante toda sua vida buscou incansavelmente ampliar a cooperação interdenominacional, incentivou, apoiou e participou ativamente de diversas instituições paraeclesiásticas no Brasil e fora do país, sempre no esforço contínuo de introduzir e influenciar o maior número de pessoas e camadas sociais possíveis, mas como seus antecessores e mentores viu seus esforços serem minimizado e até mesmo hostilizado.

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
me.ivanguedes@gmail.com
Outro Blog
Reflexão Bíblica
http://reflexaobiblica.spaceblog.com.br/


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Referências Bibliográficas
CASTRO, Luís Alberto de. A Trajetória do “Velho Mestre: Uma Biografia do Rev. José Borges dos Santos Júnior – um recorte historiográfico da Igreja Presbiteriana do Brasil. Dissertação (Mestre em Divindade) – Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, São Paulo, 2011.
GARCEZ, Robson do Boa Morte. Origem da Igreja Cristã de São Paulo e a contribuição de alguns membros para a formação da FFLCH/USP – uma expressão da liberdade religiosa. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2007.
GUEDES, Ivan Pereira. O protestantismo na cidade de São Paulo – presbiterianismo: primórdios e desenvolvimento do presbiterianismo. Alemanha: Ed. Novas Edições Acadêmicas, 2013.
MATOS, Alderi Souza de. Erasmo Braga, o protestantismo e a sociedade brasileira – perspectivas sobre a missão da igreja. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2008.
MENDONÇA, Antonio G. Jesus e os últimos liberais: um estudo sobre John Mackay, Harry E. Fosdick e Miguel Rizzo (Extrema se tangunt). In Numen- Revista de Estudos e Pesquisa de Religião, vol. 4, no. 1. Juiz de Fora, Universidade Federal de Juiz de Fora, Editora UFJF, jan-jun/2001.
PEREIRA- João Baptista Borge. "Identidade protestante no Brasil ontem e hoje". In BIANCO. Gloecir: NICOLINI. Marcos (orgs.). Religare: identidade, sociedade e espiritualidade. São Paulo: Ali Print Editora. 2005.


[1] O texto abaixo é uma compilação de minha dissertação de Mestrado onde a figura de Borges ocupa um espaço relevante (cf. referência bibliográfica – GUEDES, 2013).
[2] Antônio Jannuzzi (1855-1949) Natural da Itália, grande empresário e construtor no Rio de Janeiro, edificador de templos, benemérito de muitas instituições (Hospital Evangélico, Ateneu Valenciano, Orfanato Presbiteriano). Alderi Souza de Matos (Pioneiros Presbiterianos no Brasil - Galeria de Leigos) http://www.mackenzie.br/7159.98.html. Foi membro da IPB do Rio de Janeiro, pastoreado pelo Rev. Álvaro Reis do qual se tornou amigo.
[3] Em 1924 o coronel Cardoso o adquire da Igreja Presbiteriana e o doa para a mitra diocesana com uma clausula de no prazo de dois anos ali se instalar um estabelecimento de ensino secundário.
[4] É nesta Conferência que o Brasil e a América Latina entram definitivamente no mapa do movimento missionário mundial. Entre os delegados oficiais estavam os Revs. Erasmo Braga, Álvaro Reis e os Missionários Samuel R. Gammon e William A. Waddell (IPB), o Rev. Eduardo Carlos Pereira (IPI) e o Missionário Hugh C. Tucker (Metodista). (MATOS, 2008, p. 217 e Nota n° 88). Braga vai escrever suas observações e opiniões e publica-las ―Pan-Americanismo: Aspecto Religioso‖. Para compreender a importância desta Conferência e suas implicações no Brasil e na AL, é necessário ler o trabalho de Arturo Piedra, onde ele disseca todo este movimento missionário e suas Conferências mundiais, mais particularmente a de 1910 (Edimburgo) ―A Conferência de Edimburgo de 1910 e Sua Conexão com o Protestantismo na América Latina‖, onde se deu a origem do ―Comitê de Cooperação na America Latina‖ (CCLA) e a do Panamá (1916), ―O Congresso do Panamá: Início de um Grande Movimento Protestante‖, onde a AL deixará de ser um ―Continente Abandonado‖ para se tornar um ―Continente das Oportunidades‖ (PIEDRA, 2006). 

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Um Protestante Comprometido Com a Educação Brasileira


Nestes dias em que se debate exaustivamente a questão educacional brasileira é preciso que os protestantes evangélicos reconheçam sua grande parcela de culpabilidade pela atual degradação do ensino público do Brasil e a consequente degradação moral da atual sociedade brasileira e parafraseando as palavras do profeta Daniel façamos delas as nossas: “A nós só cabe o corar de vergonha, a nós e às nossas lideranças eclesiásticas”.
Uma frase muito batida, mas que ainda revela uma grande verdade é que “um grande privilégio trás consigo uma grande responsabilidade”. Os protestantes, ainda que tardiamente, se instalaram efetivamente no país apenas no final dos oitocentos, com a chegada dos missionários estadunidenses e suas respectivas denominações evangélicas.
Todavia, ao chegarem tomaram conhecimento do numero exorbitante de analfabetos em todo o território brasileiro. Esses primeiros missionários não tiveram dúvidas, seguindo a forte correnteza educacional nascida no movimento reformador do século XVI e da qual seu país de origem tornou-se um dos maiores expoentes, resgataram o slogan “Ao lado de uma igreja, uma escola”.
No meio do imenso deserto de analfabetismo da população brasileira, essas primeiras escolas de cunho protestante tornaram-se preciosos oásis para centenas de crianças, jovens e adultos que de outra forma permaneceriam nas trevas da ignorância e alienados do saber e da reflexão salutar que capacita ao pleno exercício da cidadania.
O primeiro retrocesso desta ênfase educacional esboçada pelo protestantismo em seus primeiros anos foi o abandono do projeto das Escolas Paroquiais em favor do projeto dos grandes Colégios. Ainda que a temática tenha sido exaustivamente debatida dentro das comunidades protestantes no Brasil, por falta de uma visão mais evangélica do que monetarista, abriu-se mão das Escolas Paroquias, que tinha uma forte ênfase de inclusão social de todos os filhos dos membros das igrejas locais, para fazer vingar o Projeto dos Colégios, com uma ênfase elitista, pois pouquíssimos membros das comunidades protestantes poderiam arcar com um custo elevado das mensalidades destes Colégios. Ainda que estes Colégios oferecessem bolsas educacionais, que sempre foram escassas e insuficientes,[1] de maneira que a quase totalidade dos filhos protestantes permaneceram alienados de uma educação primária, secundária e superior de excelência, permanecendo reféns de um ensino público, mormente limitado e de baixo nível acadêmico.
Mas apesar desta nefasta politica de retrocesso para a sociedade brasileira, ainda restava a possibilidade de se influenciar a Sociedade brasileira através da ação educadora por parte de seus membros e principalmente de seus pastores, que eram preparados academicamente em alto nível. Inicialmente os Seminários protestantes eram qualificados como centros acadêmicos de referência. O currículo destes Seminários demonstra o zelo e empenho das denominações protestantes históricas de darem aos seus futuros pastores uma formação universitária. Por muitas décadas os pastores protestantes eram referência em conhecimento e capacidade de argumentação, de maneira que não poucas pessoas letradas na Sociedade brasileira frequentavam alguns cultos apenas para ouvirem um excelente sermão proferido por um destes pregadores protestantes.
Ainda que na esfera individual muitos pastores protestantes direcionaram seus esforços e ênfases na esfera educacional do país. Tendo plena consciência de que uma nação sem educação de excelência está fadada ao fracasso em todas as suas instâncias, como tão bem podemos tristemente contemplar diariamente em nossas mídias atuais, estes pastores protestantes ofereceram o que tinham de melhor para contribuírem minimamente com a educação dos brasileiros.
Lamentavelmente essas iniciativas pessoais jamais conseguiram produzir dentro de suas denominações evangélicas protestantes uma politica educacional mais ampla, que saísse das esferas eclesiásticas e dos feudos denominacionais e pudesse voltar-se para a Sociedade brasileira em sua totalidade. Colhemos atualmente o resultado desta visão míope e financista que priorizou uma parcela mínima de sua própria membresia e detrimento de uma politica mais ampla e de inclusão universalista. Esta atitude mesquinha e contraria ao cerne do Evangelho possibilitou que a educação do país fosse influenciada por indivíduos que destituídos de quaisquer referenciais evangélicos impusessem na mente e nos corações de nossas crianças, adolescentes e jovens toda sorte de ideais nefastos. E mesmo diante deste quadro assustador e perturbador as denominações protestantes e suas instituições educacionais permanecessem arraigados na mesma e perniciosa política minimizadora e excludente.
O espaço deste artigo não permite que nomeemos todos aqueles que efetivamente se envolveram na questão educacional brasileira, de maneira que resgataremos um caso particular que realça a preocupação perene, ainda que de cunho pessoal, com a questão educacional.  
Este artigo é um espaço extremamente restrito para abordar com a devida proporção as atividades pedagógicas desenvolvidas pelo Rev. José Borges dos Santos Jr e seu papel na questão educacional de São Paulo e do Brasil.[2]
O Rev. Borges sempre cultivou duas paixões às quais dedicou toda sua vida, o ministério pastoral e o magistério. E ainda que tenha lecionado em diversas instituições privadas de ensino, sempre dedicou sua atenção para o ensino público, envolvendo em todas as esferas institucionais no esforço de produzir um ensino de melhor qualidade na rede publica.
Ainda quando pastoreava a Igreja Presbiteriana de Campinas lecionou Português no curso ginasial e no colegial; lecionou diversas matérias no Instituto Cesário Motta entre os anos de 1928 e 1944, entre as quais: Gramática Histórica, História da Literatura e Introdução à Filosofia; no Ateneu Paulista, entre 1929 e 1938 voltou a lecionar Português. Quanto a sua atuação docente neste período Luís Alberto de Castro em sua excelente dissertação de mestrado registrou:
Não há registro o modo como Borges atuou nos educandários de Campinas, mas o que se pode perceber é que era tido em alta conta como lente nessas instituições, sendo vez por outra lembrado por ex-alunos como um mestre de inteligência ímpar. Segundo o Dr. Waldyr [Carvalho Luz], Borges era requisitado pelos melhores estabelecimentos de ensino da próspera cidade paulista. (2011, p. 22).
Certamente que esta percepção educacional dele não é fortuita, pois esta apenas dando prosseguimento a toda uma linhagem presbiteriana de grandes vultos nesta área tão nobre da sociedade humana, desde a época de João Calvino e sua Academia de Genebra e que terá na pessoa do Reverendo e Educador Erasmo Braga,[3] mais conhecido nos círculos eclesiásticos e fora deles como professor antes do que como reverendo, o expoente maior nos dias formativos do jovem Borges. Conhecendo a vida de Erasmo Braga e pesquisando a de José Borges dos Santos Jr., é facilmente perceptível a influência do primeiro sobre a ênfase educacional dada pelo segundo em todo o seu ministério e vida. Ambos compartilhavam de que a educação associada aos princípios evangélicos e a partir da atuação da igreja seria possível atuar permanentemente na formação de uma cidadania cada vez melhor. Assim como o primeiro, José Borges Jr., morreu dedicando seus últimos esforços na concretização deste tão nobre ideal.
E na mesma proporção em que o ministério pastoral de Borges vai caminhando para seu encerramento, suas atividades pedagógicas e docentes vão aumentando. O que fica explicitado em seus Relatórios Pastorais, conforme abaixo são destacados a partir do ano de 1961 a 1970, deixando propositalmente de mencionar seu envolvimento na docência eclesiástica, que vai muito além dos Seminários e destaco o Instituto Presbiteriano Mackenzie somente quando diretamente relacionado à questão educacional.
Em seu Relatório Pastoral de 1961 ele registra:
Compareci, em audiência especial, à presença do Senhor Presidente da República, para tratar de assuntos relativos à participação da Igreja na obra da Educação. Tomei parte ativa, com outros pastores e também com profissionais e orientadores da obra de Educação no Estado de São Paulo, na campanha contra o Projeto de Diretrizes e Base da Educação.
Neste mesmo Relatório ele ainda menciona ter feito uma Palestra na Faculdade Metodista de Teologia, para os membros do Fundo Educacional Teológico e um Discurso na Igreja Metodista Central, numa reunião de Defesa das Escolas Públicas.
Em 1962 ele participa do culto do lançamento da Pedra Fundamental do Instituto de Orientação Educacional da IPB, em Brasília, que tinha em seu programa cursos profissionalizantes; discurso quando da posse da nova diretoria do Instituto Mackenzie; Reuniões: com a Diretoria do Instituto Mackenzie e representantes da Associação de Pais e Alunos; Diretoria da Assembleia do Colégio de Lavras; Comissão do Instituto Presbiteriano de Orientação Educacional e Comissão de Educação; Conselho Federal de Educação, sendo uma semana por mês.
Neste ano a Comissão Executiva, órgão maior da Igreja Presbiteriana do Brasil, em dois momentos registra um voto de apreciação pela nomeação do Rev. Borges com o órgão maior da educação do país, o Conselho Federal de Educação onde atuou de 1962 a 1970:
REV. BORGES - NOMEAÇÃO - Toma-se conhecimento de que, por ato do Sr. Presidente da República, foi nomeado o Rev. Prof. José Borges dos Santos Júnior, para o Conselho Federal de Educação e resolve-se lançar em ata um voto de congratulação ao distinto irmão, Rev. Borges, pelo fato que honra o presbiterianismo pátrio. (DIGESTO, CE-62-003 – edição online)
JOSÉ BORGES DOS SANTOS, JR. REV. - CUMPRIMENTOS - O SC resolve: 1) Cumprimentar o Rev. José Borges dos Santos Jr., atual vice-presidente do Concílio, pela sua nomeação para membro do Conselho Federal de Educação. 2) Registrar em ata sua satisfação pela alta dignidade concedida merecidamente ao ilustre ministro, e que significa uma súbita honra para o ministério evangélico, em geral, e para a Igreja Presbiteriana, em particular. (DIGESTO, SC-62-020 – edição online).
Também foi vice-presidente da Câmara do Ensino Primário e Médio por 06 anos; foi membro do Conselho Estadual de Educação entre 1971 a julho de 1977; foi vice-presidente da Câmara do Ensino do Primeiro Grau; vice-presidente do Conselho [Estadual de Educação] e, de 1973 a 1974 foi presidente deste Conselho. (CASTRO, 2011, p. 102)
Ainda 1962 ele será nomeado pela Comissão Executivo da IPB para fazer parte do Departamento de Atividades Religiosas e Educativas da Confederação Evangélica do Brasil - CEB (DIGESTO, CE-62-147); e pelo Supremo Concílio[4] para compor o Conselho de Educação Teológica do Seminário de Campinas, Comissão do Instituto Nacional do Leigo (Brasília), para a Junta de Educação da IPB (DIGESTO, SC-62-093 – edição online) e por fim:
O SC resolve: Considerando a imensa experiência pastoral do Rev. José Borges dos Santos Jr.; Considerando que essa experiência nesse ilustre membro do ministério presbiteriano de alia a inegável cultura teológica e dedicação sem limites à obra da IPB; Considerando o imenso benefício que a nova geração usufruirá no convívio e sob a orientação do mestre dos mestres; Considerando os entendimentos já havidos entre a Diretoria do SPC e o Rev. José Borges dos Santos Jr., desses 1961 - nomear o Rev. José Borges dos Santos Jr. Livre docente do Departamento de Teologia Prática do Seminário Teológico Presbiteriano do Centenário. (DIGESTO, SC-62-215 – edição online – Itálico meu)
Em seu Relatório Pastoral de 1963 encontramos sua atuação na área educacional, começando pelo Mackenzie:
Na qualidade de representante do Associado Vitalício [IPB], tomei parte em todas as reuniões do Conselho Deliberativo do Instituto Mackenzie, mantive contacto com a alta administração, realizei encontros com presidentes dos diretórios acadêmicos e grupos de estudantes e, em colaboração com a alta administração, realizei e participei de entrevistas com o Ministro da Educação e autoridades do Ensino Superior.
E continua ele: “Compareci a todas as reuniões do Conselho Federal de Educação e fui eleito vice-presidente da Câmara de Ensino Primário e Médio” [Itálico meu]. E registra ainda outras atividades: fez uma Palestra no Instituto Cultural Universitário; Discursou: no encerramento do Curso de Alfabetização de Adultos (IPJO); na Instalação da Academia de Letras da Faculdade de Direito (Mackenzie); no Instituto Histórico e Geográfico (SP); no Conselho Federal de Educação (RJ). Manteve Reuniões: Conselho Federal de Educação (uma semana por mês), Conselhos Estaduais de Educação e Seminários de Educação Industrial.
No Relatório de 1964 registra uma Palestra para um grupo de universitários (SP) sem identifica-los; Reuniões com a Comissão Especial do Conselho Federal de Educação e as reuniões mensais do Conselho Federal de Educação; Comissão de Planejamentos Educacionais (Mackenzie) e um Congresso do Conselho Federal de Educação em Belo Horizonte. Mais uma vez a Comissão Executiva da IPB registra um voto de satisfação ―pela recondução do Rev. José Borges dos Santos Jr., ao cargo de membro do Conselho Federal de Educação‖ (DIGESTO, CE-64E-028 – Itálico meu).
Em 1966 Borges faz Palestras na Faculdade de Direito do Largo São Francisco e no Seminário Presbiteriano de Vitória trata sobre o ―Ensino Religioso para excepcionais (hoje denominados de especiais); faz Conferências em Curitiba no Congresso de Escolas Primárias Particulares e de Estabelecimentos Particulares; em Porto Alegre na Universidade Católica sobre ―A família e a escola confessional; e muitas Reuniões ocuparam sua agenda: Conselho Federal de Educação (10) e uma em conjunto com os Conselhos Estaduais de Educação (RJ); Comissão de Estudo da Emenda Constitucional no Capítulo de Educação do CFE (03); Simpósio sobre problemas de educação nos Territórios (coordenador); Simpósio de Educação Moral e Cívica (coordenador); e como representante do Conselho Federal de Educação: II Conferência de Educação em Porto Alegre e Congresso de Escolas Particulares em Curitiba e em assuntos de Problemas de Escolas.
No seu Relatório Pastoral de 1967 temos diversas Conferências: Faculdade de Economia (Itapetininga); Faculdade de Filosofia (Londrina); Colégio Notre Dame (Souzas); Colégio das Irmãs Vicentinas e Faculdade de Direito (Laranjal Paulista); Discursos: Jubileu de Ouro de Magistério do Prof. Safady; inauguração da Escola de Comércio; encerramento do ano letivo do Grupo Escolar Carlos Gomes; inauguração do Ginásio Ortodoxo; Reuniões: Conselho Federal de Educação (RJ); Simpósio do Ensino Superior (RJ); Conselho com Reitores; Encontro dos Conselhos Estaduais; Encontro do Conselho Estadual de Educação do Estado de São Paulo juntamente com o Ministro da Educação, tratando de questões educacionais.
Em seu Relatório Pastoral de 1968 mais Conferências: no Hospital dos Servidores Públicos (SP) sobre ― Educação Religiosa na Infância‖; no SESI (S. Bernardo Campo) sobre ― A Reestruturação do Ensino Universitário; na Pontifícia Universidade Católica (Campinas) sobre ―O Desenvolvimento dos povos à luz das Escrituras Sagradas‖; na Confederação Sinodal de Jovens (IPB) sobre ―Problemas Educacionais do Brasil de Hoje‖; no Colégio São Vicente de Paula (Laranjal Paulista) sobre ―Formação Integral do Professor Primário no Meio Urbano e Rural; no salão paroquial da Igreja Católica (Mogi-Guassu) para Universitários, sobre ―Perspectivas Educacionais do Brasil; diversas Palestras: no Colégio Sion (SP) sobre ―Jesus, à luz da Bíblia; no Mocidade para Cristo. (Jandira) para jovens evangélicos sobre ―Problemas de Educação; um Discurso: no sepultamento do Dr. Francisco João Maffei, em nome do Conselho Federal de Educação; neste Relatório não consta suas Reuniões.
No Relatório de 1969 seu ritmo é menos intenso; Palestras: Faculdade de Direito de Bragança Paulista; no Colégio Agnes Eishine (Recife); Colégio Bennett (RJ); Centro de Enfermagem – abertura da Semana de Enfermagem; uma Conferência: Faculdade de Ciências Contábeis; Reuniões: Conselho Federal de Educação (53); representou o Conselho Federal na reunião comemorativa do 75° aniversário da Escola Politécnica em São Paulo; IV Conferência Nacional de Educação; Assembleia da Cruzada de Alfabetização (Recife); dois Discursos: inauguração da Escola de Enfermagem do Colégio Adventista e por ocasião do almoço oferecido ao Secretário de Educação do Estado de São Paulo.
O Relatório Pastoral de 1970 marca seu desligamento da IPB, após sua jubilação compulsória, e o inicio de sua atuação no Instituto de Promoção e Serviço Ecumênico (IPSE), no qual permanecera até o final de sua vida e seu ritmo vai desacelerando paulatinamente. Consta neste Relatório, Conferência: na Escola de Enfermagem (Hospital Santa Catarina) comemoração da Semana de enfermagem; Palestras: no Externato 15 de Outubro para pais de alunos e professores; na ―Nossa Escolinha, para o curso primário; no Ginásio Castro Alves, para normalistas; no colégio Kennedy, para o ginásio; no INPS, para enfermeiras; Aulas Inaugurais em São Paulo: Escola de Auxiliar de Enfermagem ― Bráulio Gomes‖; no Colégio Rainha da Paz; para Professores; no Curso Intensivo de auxiliares de enfermagem da Escola Paulista de Medicina.
Deixei de fora dos destaques dos Relatórios Pastorais, as mais de duas ou três centenas de Formaturas às quais Borges participou durante toda a sua vida, das quais cito uma pequena amostra extraída de apenas dois de seus Relatórios Pastorais, mas creio serem suficientes para revelar que ele jamais se acomodou ou optou por ficar dentro da comodidade e segurança do campo educacional de sua denominação religiosa, entendendo como poucos que seu papel como pastor e educador extrapolavam as fronteiras da mediocridade tacanha das divisões e subdivisões religiosas e denominacionais: Relatório de 1962 - Colégio Estadual Prof. Macedo Soares; Faculdade de Direito Universidade de São Paulo (USP); Conservatório Musical Villa Lobos; Biblioteconomia da Escola de Sociologia e Política; Escola de Reabilitação Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP); Relatório de 1966 - Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie; Seminário de Campinas (IPB); Mackenzie em conjunto com o Colégio Brasil-Europa e Ateneu Brasil; Escola Auxiliar de Enfermagem ―Bráulio Gomes‖; Formatura das alunas do Serviço (Social (Igreja de São Domingos); Formatura da Escola de Comércio (Itapetininga); aniversário do Colégio 2 de Julho (Salvador).[5]
Apenas uma leitura superficial destas informações é suficiente para termos uma noção da importância que o Rev. Borges deu à questão educacional e o quanto ele participou ativamente durante toda sua vida na busca incansável de que a Educação no Brasil pudesse ser aperfeiçoada e pudesse cumprir seu papel sublime de educar, aperfeiçoar e desenvolver as gerações futuras, tanto no que se referia ao caráter e cidadania, quanto à capacitação técnica e acadêmica. Nunca se contentando com o que já se tinha alcançado, mas sempre inquietamente buscando o aperfeiçoamento e a evolução do sistema de ensino e da educação brasileira.
Em seu excelente trabalho acadêmico sobre Borges, varias vezes referido neste artigo, Castro (2011) destaca muitas outras informações peculiares dele e sua atuação na área da Educação, das quais extraio apenas algumas, para complementar este tópico.
Creio serem relevantes as informações de Júlio Andrade Ferreira que destaca algumas das ações de Borges quando no Conselho Estadual de Educação, quando lutou para restringir o que entendia serem distorções da Lei de Diretrizes e Bases (1959);[6] tomou parte ativa na ― Campanha do Saneamento Moral proposto pelo governo do Estado de São Paulo; esteve na ― Sub-Comissão Nacional de Refugiados e na organização do ― V Congresso Brasileiro de Biblioteconomia (CASTRO, 2011, p. 104).
O reconhecimento da atuação intensa e ininterrupta do Rev. Borges durante toda sua vida foi amplamente reconhecida, não apenas dentro de sua denominação, como mencionado anteriormente, mas também em outras instâncias da sociedade paulista e brasileira. Castro destaca o momento em que Borges foi homenageado com o troféu Mackenzie em um reconhecimento da grande contribuição dele na história educacional da Universidade e nas esferas Municipal, Estadual e Federal e ainda transcreve com propriedade uma matéria produzida pelo jornal ―Tributo do Povo da cidade de Araras (SP) onde o articulista destaca a aula inaugural de Borges no ― I. E. Dr. Cesário Coimbra (1° de março de 1975), com os adjetivos mais eloquentes. (CASTRO, 2011, p. 104-105). Mas optei por transcrever a homenagem que lhe foi prestada pelo Conselho Estadual de Educação de São Paulo, quando completava seu 80° aniversário, quando o Conselheiro Prof. Renato Di Dio pronunciou tomado de emoção um discurso onde destaca a atuação de Borges naquele Conselho e da impressão que deixou nos anos ali vividos:
Sei que sua Excelência não se melindrará – antes, se sentirá mais uma vez realizado – se lhe disser que, onde quer que tenha atuado, no magistério secundário ou superior, no Conselho Federal ou Estadual de Educação, nas Câmaras ou na Presidência do Conselho Superior da Universidade Mackenzie, sua vocação constante e manifesta de pastor de almas prevaleceu sempre sobre as funções de professor, de estudioso, de administrador. Foi sempre um educador, mas especialmente um educador de almas. (CASTRO, 2011, p. 105)
A grande homenagem que recebeu e que permanece ainda hoje vem do governo do Estado de São Paulo, que nomeia no bairro do Jardim Limoeiro na região Leste da cidade de São Paulo, uma escola com seu nome: ― Escola Estadual Rev. José Borges dos Santos Júnior e para completar estende a homenagem à sua esposa, Ana Luísa Florence Borges, que também nomeia uma Escola Estadual.
Estes reconhecimentos públicos de seu trabalho educacional, no final de sua vida, por parte das instituições públicas e particulares, vem coroar e também consolar o coração do ― Velho Mestre, uma vez que a sua instituição religiosa e mais amada e a qual dedicou praticamente os seus melhores e mais produtivos anos, optou por coloca-lo na obscuridade e alija-lo dos annaes eclesiástico da denominação, negando-lhe a honra e reconhecimento devido, mediante a mesquinhez e personalismo de suas lideranças.

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
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Referências Bibliográficas
CASTRO, Luís Alberto de. A Trajetória do “Velho Mestre: Uma Biografia do Rev. José Borges dos Santos Júnior – um recorte historiográfico da Igreja Presbiteriana do Brasil”. Dissertação (Mestre em Divindade) – Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, São Paulo, 2011.
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[1] Atualmente em uma destas Universidades, que faz questão de inserir o nome de sua denominação, somente os pastores e familiares tem direito a bolsa integral, de maneira que, em uma inversão de uma das parábolas de Jesus: os demais noventa por cento de sua membresia permanecem alienados deste privilégio.
[2] A partir deste ponto insiro as informações de meu livro: “O protestantismo na Cidade de São Paulo – Presbiterianismo” que foi minha dissertação de Mestrado, conforme citados nas referências bibliográficas.
[3] É indispensável para compreender a atuação de Braga na área educacional brasileira a leitura de ― Conceitos Educacionais‖ 243-260 (MATOS, 2008).
[4] A instância maior do sistema eclesiástico da Igreja Presbiteriana do Brasil.
[5] Por extrapolar o recorte histórico proposto na dissertação ficaram de fora os Relatórios posteriores a 1970 onde este tipo de atividade de Borges se acentua grandemente. Por exemplo, em seu Relatório de 1973 consta uma nota: ―Em agosto deste ano foi eleito Presidente do Conselho Estadual de São Paulo.

[6] Houve um movimento nacional em favor do ensino público, o qual Borges sempre foi um ardoroso defensor, incluindo as mais diversas entidades da área educacional e dos movimentos sociais em geral e nomes de grande expressão no mundo acadêmico Mário Schemberg, José Leite Lopes, o sociólogo Florestan Fernandes, Prof. Fernando de Azevedo, jornais, universidades, igrejas evangélicas entre as mais atuantes a Presbiteriana e a Metodista com mobilização de seus membros. O repúdio partiu de todos os meios responsáveis para exigir a rejeição do projeto de lei. Para se ter uma dimensão da importância deste movimento é necessário ler o artigo de Alexandre Tavares do Nascimento Lira (2009).