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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Presbiterianismo no Brasil: A Formação do Primeiro Sínodo Presbiteriano no Brasil - Contexto e Impacto

 

A implantação do presbiterianismo no Brasil remonta a 1859, com a chegada do missionário norte-americano Ashbel Green Simonton ao Rio de Janeiro. Seu trabalho resultou na organização da primeira Igreja Presbiteriana em 1862 e, posteriormente, na criação do Presbitério do Rio de Janeiro em 1865, marco inicial da estrutura conciliar no país [Ferreira, 2024]. Esse período foi caracterizado pela forte influência missionária estrangeira, mas também pela emergência de lideranças nacionais que dariam novo rumo à expansão da denominação.

Entre essas lideranças, destaca-se o Rev. José Manoel da Conceição, primeiro pastor presbiteriano brasileiro ordenado em 1865. Ex-sacerdote católico convertido ao protestantismo, Conceição desempenhou papel fundamental na difusão da fé reformada no interior paulista, percorrendo longas distâncias e organizando comunidades locais [Chaves, 2008]. Sua atuação representou não apenas a expansão territorial da igreja, mas também a afirmação de uma liderança nacional capaz de dialogar com a realidade cultural e social brasileira. Ao lado dele, missionários como Alexander Blackford e, posteriormente, Eduardo Carlos Pereira, consolidaram a presença presbiteriana em São Paulo e Minas Gerais, ampliando o alcance da obra missionária [Corrêa, 1983].

A década de 1870 e os anos seguintes testemunharam a multiplicação de presbitérios, como o de São Paulo e, mais tarde, o de Pernambuco em 1888, evidenciando que o presbiterianismo já havia se enraizado em diferentes regiões do país [Arnold, 2012]. Essa expansão, contudo, exigia maior coesão institucional.

É neste contexto que, em 1888, se estabeleceu o primeiro Sínodo Presbiteriano do Brasil, reunindo os presbitérios existentes sob uma instância superior. O sínodo passou a exercer, na prática, o papel de uma assembleia geral nacional, assegurando autonomia frente às igrejas presbiterianas dos Estados Unidos, que até então supervisionavam o trabalho missionário [Soares, 2009].

A criação do sínodo representou um marco de maturidade eclesiástica. Ele garantiu:

  • Autonomia organizacional, permitindo que decisões doutrinárias e administrativas fossem tomadas no Brasil;
  • Unidade e coesão, evitando a fragmentação regional e fortalecendo a identidade da igreja;
  • Protagonismo nacional, consolidando a liderança de pastores brasileiros como José Manoel da Conceição e Eduardo Carlos Pereira [Eigenheer & Harper, 2014];
  • Preparação institucional, abrindo caminho para a criação da Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana do Brasil em 1910, que se tornaria o órgão supremo da denominação [Araújo, 2020].

Em síntese, o percurso iniciado com Simonton em 1859 percorreu etapas de implantação, expansão e organização, culminando na criação do sínodo em 1888. Esse passo foi decisivo para que o presbiterianismo deixasse de ser apenas uma extensão da missão norte-americana e se tornasse uma igreja brasileira, autônoma e enraizada, capaz de dialogar com os desafios sociais e culturais do país. A participação de líderes como José Manoel da Conceição, Blackford e Pereira demonstra que a autonomia institucional foi acompanhada de uma crescente afirmação de lideranças nacionais, elemento essencial para a consolidação da identidade presbiteriana no Brasil.

Eleição do Primeiro Moderador do Sínodo Presbiteriano do Brasil (1888)

Neste momento histórico único estavam reunidos os presbitérios do Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco. Na ocasião, foi realizada a eleição da primeira mesa diretora, e o escolhido para moderador foi o Rev. Alexander Latimer Blackford, missionário norte-americano que havia desempenhado papel fundamental na expansão do presbiterianismo em São Paulo e Minas Gerais [Ferreira, 2024].

Blackford já era uma figura de grande prestígio, pois havia assumido o pastorado da primeira Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro após o falecimento precoce de Ashbel Green Simonton em 1867, garantindo a continuidade da obra missionária [Arnold, 2012]. Como moderador, presidiu os trabalhos inaugurais do sínodo, conduzindo as deliberações que dariam forma à nova instância máxima da igreja no Brasil.

Embora seja certo que a mesa diretora incluía também secretários e oficiais responsáveis pela redação das atas e pela administração financeira, os registros mais difundidos mencionam apenas o nome de Blackford como moderador. Os demais integrantes permanecem preservados principalmente nas atas originais do sínodo e nos arquivos históricos da Igreja Presbiteriana do Brasil [Arnold, 2012].

A eleição de Blackford como moderador da primeira mesa diretora teve um significado simbólico: representava a continuidade da influência missionária norte-americana, mas também a transição para uma igreja cada vez mais nacional, já contando com líderes brasileiros como José Manoel da Conceição e Eduardo Carlos Pereira [Chaves, 2008]. Assim, a mesa diretora de 1888 não apenas organizou os trabalhos do sínodo, mas também inaugurou uma nova fase de autonomia e identidade para o presbiterianismo no Brasil.

A Função do Moderador no Sistema Presbiteriano

No sistema de governo presbiteriano, o moderador é a figura responsável por presidir as reuniões dos concílios — sejam eles sessões, presbitérios, sínodos ou assembleias gerais. Sua função não é a de um dirigente permanente, mas sim a de um presidente eleito para conduzir os trabalhos de forma ordenada e imparcial.

Entre suas atribuições destacam-se:

  • Conduzir as reuniões: abrir, dirigir e encerrar as sessões, garantindo que a ordem regimental seja seguida.
  • Garantir a imparcialidade: o moderador não decide sozinho, mas assegura que todos os membros tenham voz e que as deliberações sejam tomadas coletivamente.
  • Representar o concílio: em atos oficiais, o moderador é quem fala em nome do concílio, simbolizando sua unidade.
  • Facilitar o processo decisório: organiza a pauta, coloca questões em votação e proclama os resultados.

No caso do primeiro Sínodo Presbiteriano do Brasil (1888), a eleição do Rev. Alexander Latimer Blackford como moderador teve um significado especial. Ele não apenas presidiu os trabalhos inaugurais, mas também representou a continuidade da obra missionária iniciada por Simonton, já que havia assumido o pastorado da primeira Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro após o falecimento precoce do fundador [Ferreira, 2024; Soares, 2009].

Assim, o moderador simboliza a autoridade colegiada e a unidade institucional da igreja, sendo peça-chave na dinâmica eclesiástica presbiteriana.

Função do Moderador no Sistema Presbiteriano

No sistema presbiteriano, o moderador é eleito para presidir os trabalhos de um concílio (sessão, presbitério, sínodo ou assembleia geral) por um período limitado, geralmente correspondente à duração da reunião ou ao intervalo entre reuniões ordinárias. Ele pode ser reconduzido em nova eleição, mas não exerce mandato vitalício nem contínuo.

O moderador pode ser reconduzido em nova eleição, caso o concílio assim decida, mas a prática comum é a alternância, para evitar personalismos e garantir que diferentes líderes tenham oportunidade de servir. Sua função é essencialmente de presidir e representar: ele abre e conduz as sessões, organiza a pauta, coloca questões em votação, proclama os resultados e fala em nome do concílio em atos oficiais. Não governa sozinho, mas simboliza a unidade e a ordem do corpo eclesiástico.

No caso do primeiro Sínodo Presbiteriano do Brasil em 1888, o Rev. Alexander Latimer Blackford foi eleito moderador para conduzir os trabalhos inaugurais. Sua escolha teve grande significado, pois além de ser missionário experiente, já havia assumido o pastorado da primeira Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro após o falecimento precoce de Ashbel Green Simonton em 1867, garantindo a continuidade da obra missionária. Assim, sua eleição como moderador não apenas organizou o novo concílio, mas também simbolizou a transição para uma igreja autônoma e cada vez mais nacional [Soares, 2009; Ferreira, 2024].

Dessa forma, o moderador no presbiterianismo é uma figura de autoridade temporária e representativa, cuja importância está em assegurar a ordem e a unidade dos trabalhos, sem exercer poder permanente.

 

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Guedes, Ivan Pereira

Mestre em Ciências da Religião.

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Referências Bibliográficas

        ARNOLD, Frank L. Uma longa jornada missionária: a história das missões presbiterianas norte-americanas no Brasil. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.

        ARAÚJO, João Dias de. Inquisição sem fogueiras: vinte anos de história da Igreja Presbiteriana do Brasil, 1954–1974. Resistência Reformada, 2020.

        CHAVES, Maria de Melo. Bandeirantes da fé. São Paulo: Cultura Cristã, 2008.

        CORRÊA, Adolpho Machado. Eduardo Carlos Pereira: seu apostolado no Brasil. São Paulo, 1983.

        EIGENHEER, Emílio Maciel; HARPER JR., Charles Roy. Instituto José Manoel da Conceição: tradição e inovação. Rio de Janeiro: In-Fólio, 2014.

        FERREIRA, Júlio Andrade. História da Igreja Presbiteriana do Brasil. 2 vols. 3ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2024.

        SOARES, Caleb. 150 Anos de Paixão Missionária – O Presbiterianismo no Brasil. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2009.

 

quinta-feira, 2 de abril de 2026

História da Igreja: A Comunidade de Reinos no Medievo

 

O longo período de mil anos, entre os séculos V e XV, é o palco da ascensão e da queda da Comunidade Medieval Europeia. Como vimos, o caos causado pela queda do Império Romano proporcionou à Igreja Cristã ascender ao topo do poder. Na mesma proporção em que os povos bárbaros conquistadores foram sendo cristianizados, a Igreja foi moldando todo o Ocidente à imagem e semelhança dos ideais cristãos — não necessariamente de Jesus Cristo — na vida comum das pessoas. Sobre os escombros do desaparecido Império Romano, o cristianismo foi construindo uma nova ordem social e uma política civilizadora, um “mundo único” cristão, no qual a unidade dos homens no Corpo de Cristo se expressava em dois aspectos: o espiritual, na Igreja universal, e o material ou temporal, no Império medieval.

Ainda que a Idade Média tenha recebido o triste apelido pejorativo de “Idade das Trevas” e, de fato, do meio para o fim desse período suas instituições tenham entrado em convulsões morais e espirituais que acabaram desembocando no grande movimento da Reforma Protestante, nos dias de sua grandeza nenhuma época produziu um senso mais elevado de dever e maior disposição para o sacrifício, nem uma concepção mais refinada da fraternidade comum entre as pessoas sob uma única ordem mundial cristã.

Liderança Cristã em um Mundo em Transformação

Os fundamentos sobre os quais a nova Europa haveria de ser construída seriam estabelecidos pelos arquitetos da Comunidade Medieval: os líderes cristãos dos séculos IV e V. Dois personagens tornam‑se representativos desse momento crucial e formativo, pois, no pensamento e na ação, construíram a ponte pela qual o mundo antigo passou para a Idade Média.

Ambrósio de Milão (339–397): governador vigoroso e hábil da cidade, exegeta bíblico, teórico político, mestre da eloquência latina, músico e professor; em todos esses papéis, ele falava a respeito de Cristo.

Embora o poder e a independência crescentes da Igreja, na época de Ambrósio, fossem reforçados pela legislação imperial, foi o trabalho de homens como ele que fez da organização cristã a única instituição estável na cena em transformação.

Ambrósio foi firme nas questões concernentes às práticas pagãs; foi implacável em relação ao arianismo, que havia avançado bastante; e, coroando sua postura singular, enfrentou o imperador Teodósio I, o último imperador forte do Ocidente. Foi nesse embate entre os dois maiores poderes daquele momento que Ambrósio apresentou os princípios da relação entre Igreja e Estado que se constituiriam na bússola norteadora do pensamento medieval.

Em 390 d.C., Teodósio ordenou um massacre de sete mil moradores de Tessalônica, horrorizando todo o mundo mediterrâneo. Depois disso, o imperador foi à basílica de Milão, mas foi impedido pelo bispo Ambrósio de participar dos sacramentos até que houvesse demonstrado arrependimento. Nesse momento, a Igreja e o Estado pararam. O imperador, contudo, acatou a autoridade da Igreja e se retirou, submetendo‑se à pena que lhe foi imposta pelo bispo.

Na concepção ambrosiana das relações entre Igreja e Estado, ambos constituem esferas de poder distintas, embora interdependentes. À Igreja compete o domínio espiritual, enquanto ao Estado cabe a ordem temporal (WALKER, 1967). Incumbe ao governante cristão a proteção da Igreja, a garantia da observância das decisões conciliares e a elaboração de leis em conformidade com os princípios morais do cristianismo, sem, todavia, interferir nas atribuições próprias da autoridade eclesiástica. Essa concepção exerceu influência decisiva tanto na estruturação da Cristandade medieval quanto na formulação da teoria ocidental acerca das relações entre os dois poderes (LATOURETTE, 2007).

Essa proposta foi ampliando a lacuna entre a Igreja Ocidental e a Oriental, onde prevaleceu a noção de symphonía[1] entre Igreja e Império, baseada em uma cooperação institucional mais estreita entre autoridade espiritual e poder civil (MEYENDORFF, 1989; DAGRON, 2003).

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Guedes, Ivan Pereira

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Referências Bibliográficas (citadas no texto)

CROSS, F. L.; LIVINGSTONE, E. A. (eds.). The Oxford dictionary of the Christian Church. 3. ed. rev. Oxford: Oxford University Press, 2005. Verbete: Symphonia.

DAGRON, Gilbert. Emperor and priest: the imperial office in Byzantium. Cambridge: Cambridge University Press, 2003.

LATOURETTE, Kenneth Scott. Uma história do cristianismo. São Paulo: Hagnos, 2007.

MEYENDORFF, John. Byzantine theology: historical trends and doctrinal themes. New York: Fordham University Press, 1989.

WALKER, Williston. A history of the Christian Church. New York: Scribner, 1967.

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[1] Ideal bizantino de harmonia funcional entre Igreja e poder imperial, distintos, porém cooperantes, na condução da ordem cristã (CROSS; LIVINGSTONE, 2005).

 

segunda-feira, 16 de março de 2026

SIMONTON – Viajando com Simonton através de seu Diário [série]

 

A escrita de diários por missionários como Simonton se insere em uma tradição mais ampla de registros pessoais que marcaram o Brasil do século XIX. Não eram apenas missionários que escreviam: viajantes, naturalistas e diplomatas também mantinham cadernos de notas que hoje são fontes preciosas para compreender o país em sua diversidade cultural, social e natural.

Um exemplo notável é o diário de Auguste de Saint-Hilaire, naturalista francês que percorreu várias regiões do Brasil entre 1816 e 1822. Seus registros descrevem não apenas a flora e a fauna, mas também os costumes locais, as práticas religiosas e a vida cotidiana das populações. Ao lado de Simonton, Saint-Hilaire mostra como o diário se tornava uma ferramenta de observação minuciosa, revelando o Brasil em detalhes que escapavam aos relatos oficiais.

Outro caso é o de Henry Koster, inglês que viveu em Pernambuco e publicou suas impressões em Travels in Brazil (1816). Seu diário revela a vida social do Nordeste, a convivência com a escravidão e os contrastes entre a elite e o povo. Assim como Simonton, Koster usava a escrita para refletir sobre o impacto cultural de sua experiência, ainda que com objetivos diferentes: mais voltados à curiosidade científica e ao relato de viagem.

Também podemos lembrar de Spix e Martius, naturalistas alemães que viajaram pelo Brasil entre 1817 e 1820. Seus diários registram desde descrições botânicas até observações sobre a organização social e religiosa das comunidades. A riqueza de detalhes torna seus escritos comparáveis ao diário de Simonton, pois ambos revelam o choque cultural e a tentativa de compreender um país em transformação.

Esses exemplos mostram que o diário, seja missionário ou de viajante, cumpre uma função dupla: é testemunho íntimo e, ao mesmo tempo, documento histórico. No caso de Simonton, o diário não apenas revela sua vida espiritual, mas também se conecta a essa tradição de observadores estrangeiros que ajudaram a construir uma imagem multifacetada do Brasil. A diferença é que, enquanto Saint-Hilaire ou Spix e Martius registravam o país com olhar científico, Simonton escrevia com olhar pastoral, preocupado em entender como sua missão poderia dialogar com a realidade brasileira.

A prática de manter diários entre missionários do século XIX era muito mais do que um simples registro de acontecimentos cotidianos. Tratava-se de uma disciplina espiritual, uma forma de oração escrita e de reflexão sobre a própria vocação. Esses textos funcionavam como espelhos da alma, revelando tanto a intimidade da fé quanto os dilemas humanos diante de contextos novos e desafiadores. Além disso, tinham valor pedagógico e histórico: serviam como testemunho para futuras gerações e como fonte primária para historiadores, já que trazem detalhes da vida social, cultural e religiosa que dificilmente aparecem em documentos oficiais. No caso de Ashbel Green Simonton, seu diário é um documento essencial para compreender não apenas a fundação da Igreja Presbiteriana no Brasil, mas também o processo interior de um jovem que se descobre chamado para uma missão em terras distantes.

Ao abrir a primeira entrada de 1852, encontramos Simonton ainda estudante nos Estados Unidos, em meio ao fervor religioso que marcava sua juventude. Ele escreve com sinceridade sobre suas inquietações, suas leituras e os primeiros sinais de um chamado que ainda não se delineava claramente. É possível imaginar o jovem sentado em seu quarto, à luz de uma lamparina, registrando pensamentos que misturam entusiasmo e insegurança. O contexto histórico ajuda a dar ritmo a essa cena: os Estados Unidos viviam intensos movimentos de avivamento religioso, e muitos jovens eram tocados por esse ambiente de fervor. Simonton, ao escrever, não apenas guardava para si suas reflexões, mas criava um testemunho que hoje nos permite acompanhar o nascimento de sua vocação missionária. Essa primeira anotação inaugura uma jornada que, passo a passo, revelará como um estudante norte-americano se tornaria o fundador de uma tradição religiosa duradoura no Brasil.

Essa primeira anotação não é apenas o início de um diário pessoal, mas o convite para uma jornada que nós, leitores, faremos junto com Simonton. Ao abrir suas páginas, não estamos diante de um relato distante, mas de uma narrativa que nos coloca lado a lado com ele, participando de cada momento de sua vida e viagem, compartilhando suas vitórias e também seus dissabores.

Seremos viajantes ao seu lado: veremos o jovem estudante norte-americano em 1852, ainda inseguro, mas já tocado pelo fervor religioso de sua época; caminharemos com ele pelas ruas do Rio de Janeiro em 1860, sentindo o impacto da chegada a um país tão diferente; acompanharemos suas alegrias ao ver a obra missionária florescer e suas angústias diante das dificuldades culturais e pessoais. Cada entrada do diário é como uma estação dessa viagem, e nós, leitores, somos convidados a embarcar nesse percurso, experimentando o ritmo da vida de Simonton em tempo real.

Assim, o diário deixa de ser apenas um documento histórico e se transforma em uma experiência compartilhada. Ao segui-lo passo a passo, não apenas observamos sua trajetória, mas nos tornamos companheiros de jornada, testemunhando como um jovem estudante se converte em missionário e, finalmente, em fundador de uma tradição religiosa que atravessaria gerações no Brasil.


“Sinto que Deus me chama para uma obra que ainda não compreendo, mas que preciso abraçar com fé.”

“Cada dia que registro é um passo em direção ao desconhecido; que minhas palavras sejam testemunho da graça que me sustenta.”

Convite

Junte-se a nós nesta leitura: seremos companheiros de viagem de Simonton, partilhando suas esperanças, desafios e conquistas ao longo de sua jornada.”

 

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Referência Bibliográfica
·        SIMONTON, Ashbel Green. O diário de Simonton. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2022. [obra referência desta série de artigos]
Outros exemplos de diários citados
·        KOSTER, Henry. Travels in Brazil. London: Longman, Hurst, Rees, Orme and Brown, 1816.
·        SAINT-HILAIRE, Auguste de. Viagem pelo distrito dos diamantes e litoral do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, 1974.
·        SPIX, Johann Baptist von; MARTIUS, Carl Friedrich Philipp von. Viagem pelo Brasil 1817–1820. Belo Horizonte: Itatiaia, 1981.
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Presbiterianismo no Brasil: Expansão no Final dos Oitocentos

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sábado, 14 de março de 2026

Presbiterianismo no Brasil: Expansão no Final dos Oitocentos

  

O historiador Calebe Soares, na obra 150 anos do Presbiterianismo no Brasil, descreve o desenvolvimento do presbiterianismo no país como um processo progressivo de implantação missionária. Ele sugere uma leitura histórica em três grandes fases da expansão presbiteriana no Brasil (1859–1910).

1. Primeira fase: Implantação missionária (1859–1869)

Essa fase corresponde ao início da presença presbiteriana no Brasil, com a chegada do missionário Ashbel Green Simonton em 1859, enviado pela igreja presbiteriana dos Estados Unidos.

Durante esse período foram estabelecidas as bases institucionais do presbiterianismo brasileiro:

  • organização da primeira igreja em 1862, no Rio de Janeiro;
  • formação dos primeiros convertidos brasileiros;
  • criação de instrumentos missionários importantes.

Entre as iniciativas fundamentais desse período destacam-se:

  • o jornal Imprensa Evangélica, fundado em 1864;
  • o primeiro seminário para formação pastoral;
  • a organização inicial de igrejas no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Segundo Soares, essa fase foi essencialmente fundacional, marcada por poucos missionários, comunidades pequenas e intensa oposição religiosa.

2. Segunda fase: Expansão regional (1870–1888)

A segunda fase é caracterizada pela expansão do presbiterianismo para novas regiões do Brasil.

Nesse período o trabalho missionário alcança:

  • interior de São Paulo
  • Minas Gerais
  • Nordeste
  • algumas áreas do Sul

É nesse contexto que ocorre a chegada do missionário John Rockwell Smith a Recife em 1873, que posteriormente organizaria a Primeira Igreja Presbiteriana do Recife em 1878.

Para Soares, Recife tornou-se o principal centro de expansão presbiteriana no Nordeste, de onde surgiram novos campos missionários.

Outro marco decisivo dessa fase foi a organização da denominação nacional, quando foi constituída oficialmente a Igreja Presbiteriana do Brasil em 1888com a criação do primeiro Sínodo brasileiro.

3. Terceira fase: Consolidação e nacionalização (1888–1910)

Após a organização da igreja nacional, inicia-se uma fase de consolidação institucional.

Essa etapa apresenta algumas características importantes:

1. Liderança brasileira crescente

Pastores brasileiros começam a assumir posições de liderança nas igrejas e presbitérios.

2. Expansão educacional

O presbiterianismo fortalece escolas e instituições educacionais, que se tornam instrumentos importantes de evangelização.

3. Organização presbiterial

Presbitérios e sínodos passam a estruturar melhor a vida eclesiástica no país.

4. Crescimento geográfico

Novas igrejas são plantadas em várias regiões do Brasil.

Soares observa que nesse período o presbiterianismo deixa de ser apenas uma missão estrangeira e passa a se tornar uma igreja brasileira organizada.

Síntese histórica das três fases

Fase

Período

 Característica

Implantação

1859–1869

   chegada dos missionários e primeiras igrejas

Expansão

1870–1888

   avanço para novas regiões do país

Consolidação

1888–1910

   organização nacional e liderança brasileira

 

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Referências Bibliográficas

SOARES, Caleb. 150 anos de paixão missionária – o presbiterianismo no Brasil. Santos (SP): Instituto de Pedagogia Cristã, 2009.