"a impressão foi o mais alto
e extremo ato de graça de Deus, pelo qual o negócio do Evangelho é impulsionado
para a frente" Martinho Lutero.
Uma pesquisa
recente realizada pelo Google, tendo como base seu projeto de digitalização de
livros o Google Books, divulgou que há 149.864.880 milhões de livros no mundo.
Para chegar a esta conclusão eles coletaram dados em mais de 150 fontes
espalhados no mundo e depois de várias varreduras eliminaram o máximo possível
de edições repetidas ou reproduzidas com títulos diferentes.
Mas com absoluta certeza nenhum destes milhões de livros chegam ao
menos próximo à importância, relevância e influência produzida
pela Bíblia ao longo da história humana. Em todas as pesquisas
realizadas para se conhecer qual livro é o mais lido a Bíblia destaca-se
com ampla vantagem com cerca de 6 bilhões de exemplares e
traduzida para pelo menos 2.500 línguas e dialetos. Seria possível
colocar um exemplar da Bíblia nas mãos de cada habitante do mundo hoje!
Entretanto, nem sempre foi assim. Até
o século 16 a Bíblia como qualquer outro livro era objeto raro
e caríssimo, pois o processo de cópias era manual, portanto, lenta e custosa.
No caso mais específico da Bíblia havia além de tudo o monopólio da
Igreja que inibia cópias que não estivessem sob a supervisão do clero. Estas
cópias normalmente eram realizadas por monges uma vez que os mosteiros eram os
maiores produtores literários e também zeladores das maiores e mais importantes
bibliotecas da época.
A
partir do século XV surge um dos movimentos mais fecundantes
da história humana, a Renascença.[1] Não
se deve reduzir este movimento a um simples resgate da literatura antiga e uma
redescoberta da arte greco-romana, pois as ondas produzidas por ela iram
transformar todas as esferas sociais, morais, estéticas, filosóficas e
religiosas.
É comum destacar certo numero de invenções
que surgiram neste período histórico, entre as quais a de Johannes
Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg, ou simplesmente Johannes
Gutenberg (Mogúncia, c. 1398 - 3 de Fevereiro de 1468) gráfico alemão.
Ele pioneiramente criou o chamado tipo móvel em que cada letra era esculpida em
alto relevo em um pedaço de madeira, posteriormente de metal, e que
possibilitava a impressão de textos em papel[2] e
assim permitindo reproduzir obras literárias de forma mais rápida e mais
barata.
A partir de sua invenção em 1450, a imprensa começa sua trajetória,
ainda que inicialmente lenta, mas crescente: Veneza, Estrasburgo, Bolonha,
Florença e Palermo, mas ainda era um processo custoso – a Bíblia
imprimida por Mentel em Estrasburgo, em 1466, custava equivalente a três bois.
E como tudo que é novo houve também resistência por parte de muitos humanistas
que preferiam a manutenção da escrita. Mas a imprensa veio para ficar e
tornou-se uma das maiores invenções humanas em todos os tempos. Assim como hoje
é impossível imaginar um mundo sem computadores e sem internet, torna-se
impossível imaginar um mundo sem a criação do processo de imprimir de
Gutenberg.
Apenas um século antes, tanto John
Wycliffe (Inglaterra) quanto John Huss (Boêmia) produziram movimentos de
intenso fervor espiritual e escreveram proficuamente. Mas suas mensagens e
escritos reformistas não tiveram um impacto e alcance maior por falta de um
instrumento de impressão mais eficiente.
John Foxe oferece seu
testemunho sobre a mudança que a maquina de impressão havia feito em relação ao
seu famoso Livro dos Mártires: "Embora através do poder [o papa]
tenha parado a boca de John Huss [John Wycliffe], Deus nomeou a Imprensa para
pregar, cuja voz o Papa nunca foi capaz de parar com todo poder de sua tríplice
coroa." Assim, é impossível não relacionar a invenção da
Imprensa com a Reforma Religiosa e/ou Protestante desencadeada no século 16.
Ao lançar suas 95 teses manifestando
suas preposições contrárias às várias práticas religiosas utilizadas então pela
Igreja Católica Romana, Martinho Lutero com certeza não tinha
percepção de como isto afetaria todo o campo religioso cristão em todos os
lugares e em todos os tempos. Rapidamente suas teses foram impressas e divulgadas em
toda Alemanha e ultrapassando as fronteiras alcançam rapidamente outras nações.
Os embates entre ele e seus opositores são impressos e distribuídos, de
maneira que um número crescente de pessoas começa a tomar conhecimento destas
discussões e começam a opinar. Nesta esteira a Reforma Religiosa toma
proporções cada vez maiores, assim como uma tormenta que se inicia com ventos
mais intensos e transforma-se em um movimento incontrolável, o mesmo vai
ocorrer com o movimento reformista.
A Igreja até então estava acostumada a suprimir movimentos correlatos,
primeiramente tentando cooptar suas lideranças e não sendo possível
utilizava-se a força bruta para erradicar tais movimentos e a História registra
em suas páginas tanto uma quanto outra. Mas agora há fatores totalmente
inéditos – o movimento renascentista com toda sua força e pujança
transformadora de mentalidades, propondo abertamente mudanças em todas as
esferas da sociedade e o surgimento da Imprensa com sua
agilidade em reproduzir as ideias fossem quais fossem.
A Reforma Religiosa proposta por Lutero e seus companheiros
que se multiplicam por toda a Europa tem um pressuposto fundamental – A
Bíblia e somente a Bíblia. Este livro que até então era propriedade
unicamente do clero e de alguns privilegiados da sociedade medieval, quer pelo
custo altíssimo de se fazer uma cópia, quer por se ter oficialmente apenas a
versão em latim e, portanto de forma elitista, acessível apenas ao seleto grupo
dos clérigos e acadêmicos.
Imediatamente Lutero, Calvino e outros reformadores iniciam uma versão
da Bíblia para as línguas vernáculas alemã, francesa e inglesa. Estas
versões começam a serem impressas e distribuídas nestas e em outras regiões. O número
crescente de pessoas que começam a ter contato direto com a mensagem bíblica
vai se multiplicando vertiginosamente e como uma avalanche que não pode ser
detida, assim a leitura da Bíblia nas versões nacionais tornam-se inevitáveis.
Desde então este livro que já foi de capa preta, agora pode ser encontra nas
mais diversas cores e formatos, desde mais populares até as mais acadêmicas,
tanto para crianças quanto para os da melhor idade. De tempos em tempos é
classificada de ultrapassada e fadada a ocupar um lugar nos museus, todavia,
continua sendo impressas aos milhões ano a ano, batendo todos os recordes e
deixando outras obras cada vez mais distantes na preferencia dos leitores.
Mas
além de tudo, a Bíblia continua sendo a portadora da mensagem transformadora de
Deus! A prova esta no fato de que bilhões de pessoas ao tomarem
contato com seu conteúdo são impactados de tal forma que suas vidas e histórias
são radicalmente mudadas. Países inteiros tiveram suas histórias alteradas por
causa deste livro; de tempos em tempos a Sociedade curva-se diante do poder
emanado de suas páginas. O ser humano tem procurado suprimir a mensagem da
Bíblia; tem procurado colocar outras ideais e alternativas para suas vidas, mas
o resultado é que tais esforços tornam-se estéreis de resultados e um retorno à
mensagem Bíblica torna-se inevitável.
Somente a Bíblia oferece um caminho seguro para que a pessoa possa estabelecer
uma relação estável com Deus e que produz uma estabilidade para si mesma, para
seus relacionamentos e para a própria sociedade em que esta inserida.
No Brasil o “Dia da Bíblia” é comemorado sempre no segundo domingo do
mês de dezembro e gostaria de deixar a você um convite e um desafio: LEIA
A BÍBLIA!
Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
me.ivanguedes@gmail.com
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Reflexão Bíblica
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[1] Foi
o historiador Jules Michelet que em sua obra “Histoire de France” em 1855
utilizou pela primeira vez o termo Renascença para designar um período
especifico da historia da civilização.
[2] Evidentemente
que sem o desenvolvimento da técnica do fabrico de papel pelos chineses, desde
105 da era cristã, a ideia de Gutemberg possivelmente não seria concretizada.

