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sábado, 24 de dezembro de 2016

Carta de Plínio, o Moço ao Imperador Trajano sobre os Cristãos

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Seu nome completo era Caio Plínio Cecílio Segundo (em latim: Caius Plinius Caecilius Secundus - 61 ou 62 — 114), também conhecido como Plínio, o Jovem, o Moço ou o Novo, foi um excelente orador (Panegírico de Trajano, 100), poeta, jurista, político, sendo nomeado pelo imperador Trajano, seu amigo, governador imperial na Bitínia, No norte Ásia Menor (111-112). Foi sobrinho-neto de Plínio, o Velho, que o adotou. Estava com o tio no mesmo dia da grande erupção do Vesúvio (79 d.C.), mas por alguma razão resolver não acompanhar o tio na viagem de barco até o vulcão em erupção que se revelaria mortal. Seus escritos sobre esse dia, no qual Pompeia se afogou em cinzas, são o principal documento escrito que versam a respeito de como sucedeu tal erupção, de maneira que atualmente as erupções desse tipo são chamadas de erupções plinianas.
Tornou-se bastante conhecido, sobretudo por seu epistolário, um conjunto de 368 cartas, que formam dez livros. Tornaram-se fontes primárias sobre detalhes a vida cotidiana em Roma e no campo: as palestras públicas, os literatos, a leitura e a vida social da época. Suas correspondências com o imperador Trajano nos permite conhecer como se governava o império e as províncias da época.
É dele um dos principais documentos sobre a erupção do Vesúvio, que destruiu Pompeia no ano 79 (Epistulae VI, 16), durante a qual faleceu seu tio materno e pai adotivo Plínio o Velho (23-79) (Epistulae VI, 20). A relevância para os historiadores da igreja cristã é o fato de que ele produz um dos primeiros documentos não neotestamentários sobre a igreja primitiva dos cristãos (Epistulae X, 95; 96).
Suas cartas foram escritas entre 97 e 109, numa época de paz política, sob o governo de Trajano. Organizou-as de forma que pudessem serem publicadas, de modo que cada uma aborda um único tema. Há opiniões conflitantes sobre suas qualidades literárias, mas em geral é considerado um bom literato, neoclássico, estoico, engenhoso, mas sem alcançar a primeira ordem. Embora Cícero tenha sido seu grande modelo, o estilo de suas produções literárias não alcançou a autenticidade literária e para especialistas ficou na esfera dos imitadores do grande escritor/historiador romano.
Na correspondência abaixo transcrita, Plínio trata sobre a questão religiosa calamitosa que encontrou ao chegar a Bitínia (Ponto). As religiões oficiais romanas estavam praticamente abandonadas e a nova religião dos cristãos havia se expandido por toda região (Ásia). Por esta razão, imediatamente toma providências para que esta situação mudasse, empreendendo forte coação contra praticantes da nova religião e restaurando as práticas das religiões romanas, incluindo o culto ao imperador.
Em sua carta ele destaca tanto a firmeza de muitos cristãos em não negar sobre quaisquer circunstâncias sua fé “nenhum dos quais aqueles que são realmente cristãos, é dito, pode ser forçado a fazer, e a lassidão de outros, que “sob minha pressão devotaram-se aos deuses e reverenciaram, com incenso e libações, vossa imagem (…) ao lado das estátuas dos deuses (…) e amaldiçoaram a Cristo”.
Informa que para assegurar de fato o que veria a ser esse novo movimento religioso, fez uso do método de torturas a duas mulheres cristãs chamadas de diaconisas, mas sua conclusão é de que o cristianismo não passava de uma superstição baixa e extravagante. Também descreve como era a prática religiosa dos cristãos naqueles primeiros dias: “em um dia determinado, antes da aurora, e cantavam um hino à glória do Cristo, como se fosse um deus... se reunião para uma refeição comum... um alimento comum e inofensivo” e declara que se ligavam por um juramento de não cometer crime e de se conduzir honestamente.
O imperador Trajano foi um dos mais conceituados entre os imperadores romanos. Seu governo foi marcantemente positivo e elevou o império aos seus dias de grande progresso. Foi colocado pelos romanos no mesmo patamar de Augustos e era tido como modelo de um grande governante. Decisões sobre matéria de direito penal, mandando limitar a prisão preventiva, suprimiram dos processos as denúncias anônimas e o novo julgamento para aquele que, tendo sido condenado sem estar presente, viesse a se entregar, foi um ar fresco no governo. Sua máxima era que embora se corresse o risco de inocentar um culpado, era preferível a correr o risco de condenar um inocente. Diferentemente de outros imperadores, antes e depois dele, não promoveu perseguições ostensivas contra os cristãos, por não ver neles um perigo maior para o Estado.
Em sua resposta, abaixo transcrito, apoia a atitude e ação de Plínio, em relação aos casos denunciados contra os cristãos, mas tem a preocupação de orientar seu governador a não fazer uma caçada aos cristãos e na medida do possível, diante de uma retratação, perdoa-los.
A carta de Plínio e a resposta de Trajano constituem os documentos mais antigos e importantes sobre a controvertida questão do sentido e do alcance das acusações e das perseguições contra os cristãos. A resposta de Trajano torna-se a primeira regra jurídica a ser seguida futuramente em relação à religião cristã e que apesar de suas ambiguidades, como posteriormente será enfatizado pelo advogado e apologista Tertuliano [cf. Apologia 2,20],[1] demonstra a disposição do governante em manter um equilíbrio jurídico, mas que como ocorre em qualquer lugar e época, nem sempre foi observada corretamente.
Todavia, realça o fato de que até aquele momento, posterior a Nero e o grande incêndio em Roma, o qual ele culpou os cristãos, não havia uma lei ou legislação especifica contra os cristãos, mas que estavam dentro do mesmo contexto da legislação gerais sobre as questões do Estado. Somente muito tempo depois, alguns imperadores romanos haverão de estabelecerem leis especificas contra os cristãos.  
Abaixo coloco a transcrição da carta de Plínio o moço, nomeado governador da Bitínia entre 111 e 113, enviada a Trajano, imperador de Roma entre 98 e 117 dC, solicitando instruções de como proceder perante as denúncias contra os cristãos. A epístola, escrita por volta de 111, foi extraída do “Epistolário de Plínio” 10,96. E logo em seguida a resposta de Trajano.

Senhor:
Tenho por praxe, submeter-te todos os assuntos sobre os quais tenho dúvidas, pois quem melhor poderia orientar-me em minhas incertezas ou me instruir na minha ignorância? Nunca participei de inquéritos contra os cristãos. Assim, ignoro, pois, as penalidades e instruções costumeiras, e em que medidas devem ser aplicadas penas ou investigações judiciárias. Estou diante de algumas questões, não sem perplexidade: deve-se considerar algo com relação à idade, ou a criança deve ser tratada da mesma forma que o adulto? Cabe o mesmo tratamento a enfermos e a robustos?  Deve-se perdoar o que se retrata ou, se um homem uma vez tenha sido Cristão, nada de bom faz ele para deixar de ser um? É punido simplesmente por ser um “cristão”, mesmo sem crimes, ou apenas os delitos associados ao nome devem ser punidos? Esta foi a regra que eu segui diante dos que me foram deferidos como cristãos: eu interroguei estes como se eles fossem Cristãos; aqueles que confessaram eu interroguei uma segunda e uma terceira vez, ameaçando-os com o suplicio; aqueles que persistiram eu ordenei executá-los pois eu não tinha dúvida de que, independentemente da natureza do seu credo, a teimosia e a obstinação inflexível deveriam ser punidas. Outros, possuídos da mesma loucura; mas porque eles eram cidadãos romanos, eu assinei uma ordem para que fossem colocados no rol dos que devem ser enviados a Roma. Bem cedo, como geralmente acontece em casos semelhantes, espalharam-se acusações, de modo que meu tribunal está inundado com uma grande variedade de casos, por causa dos procedimentos em curso. Recebi uma denúncia anônima, contendo grande número de nomes. Aqueles que negaram que eles foram ou haviam sido Cristãos, se invocassem os deuses segundo a fórmula que havia estabelecido, se fizessem sacrifícios com incenso e vinho para a tua imagem (que eu havia mandado trazer junto com as estátuas dos deuses) e, se, além disso, amaldiçoavam a Cristo – nenhum dos quais aqueles que são realmente Cristãos, é dito, pode ser forçado a fazer – estes achei melhor libertá-los. Outros, cujos nomes haviam sido fornecidos por um denunciante, disseram ser cristãos e depois o negaram: haviam sido e depois deixaram de serem, alguns a cerca de três anos antes, outros muitos anos, alguns tanto quanto vinte e cinco anos. Todos veneraram vossa imagem e as estátuas dos deuses, amaldiçoando a Cristo. Eles alegaram, contudo, que a soma e substância de sua falta ou erro não passava do costume de se encontrarem em um dia fixo antes do amanhecer para cantarem um hino a Cristo como a um deus; se comprometerem, por juramento, não perpetuar qualquer crime, roubos, latrocínios e adultérios, a não faltar com a palavra dada e não negar um depósito exigido na justiça. Findos estes ritos, tinham o costume de se separarem e de se reunirem novamente para uma refeição este, aliás, era um alimento comum e inofensivo, sendo que tinham renunciado a esta prática após a publicação de um edito que promulguei, segundo as tuas ordens, se proibiam as associações secretas. Então achei necessário arrancar a verdade, por meio da tortura, de duas escravas que eram chamadas diaconisas Assim, julguei necessário para descobrir qual era a verdade sob tortura de duas escravas que eram chamadas de diaconisas. Mas descobri nada mais que uma superstição irracional e sem medida. Por isso, suspendi o inquérito para recorrer ao teu conselho. O assunto pareceu-me digno de merecer tua opinião, especialmente por causa do grande número de acusados. Há uma multidão de todas as idades, de todas as condições e dos dois sexos, que estão ou estarão em perigo, pois o contágio desta superstição se espalhou não só nas cidades mas também nas vilas e fazendas, contudo creio ser possível contê-la e exterminá-la. É certamente bem claro que os templos, que estavam quase desertos, até a pouco, começam a ser novamente frequentados, e os ritos religiosos estabelecidos, que haviam sido interrompidos há muito tempo, estão sendo retomados, e que animais para o sacrifício voltam a serem vendidos e estão chegando de todos os lugares, que até então havia muitos poucos compradores. Por isso é fácil concluir que uma multidão de pessoas podem ser reformada se fosse aceito o arrependimento delas.

Trajano a Plínio
Você observou o procedimento adequado, meu querido Plínio, em peneirar os casos daqueles que haviam sido denunciados à você como Cristãos. Não cabe formular regra dura e inflexível, de aplicação universal. Eles não estão a ser procurados; se eles são denunciados e provaram sua culpa, eles devem ser punidos, com esta restrição, de que se alguém nega ser cristão e, mediante a adoração dos deuses, demonstra não o ser atualmente, ainda que esteve sob suspeita no passado, deve ser perdoado em recompensa de sua emenda. Mas acusações postas anonimamente não deveriam ter lugar em qualquer prossecução. Para isto é tanto um tipo perigoso de precedente e fora de sintonia com o espírito de nossos tempos.

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
Outro Blog
Reflexão Bíblica


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Referências Bibliográficas
BETTENSON, H., Documentos da Igreja Cristã. São Paulo: editora ASTE, 1971.
COMBY, Jean. Para ler a história da igreja I – das origens ao século XV. Tradução Maria Stela Gonçalves. São Paulo, BR: Edições Loyola, 1993.
De Ste. Croix, G.E.M. – Por que fueron perseguidos los primeros cristianos?. In: Finley, M. I. (ed.) – Estúdios Sobre Historia Antigua. Trad. R. López. Madrid: ed. Akal, 1981 [p. 233-273].
FERNÁNDEZ, Gonzalo. Causas y consecuencias de la gran persecución. Madrid: Gerión, I. Editorial de la Universidade Complutense, 1984. Disponível em: file:///C:/Users/Windows/Downloads/15809-15885-1-PB%20(1).PDF. Acesso em 10/12/2016.
FERNÁNDEZ, Julián Gonzáles. Plinio el Joven Cartas – introducción, traducción y notas. Madrid: Editorial Gredos, 2005.
FRANGIOTTI, Roque. Cristãos, judeus e pagãos – acusações, críticas e conflitos no cristianismo antigo. Aparecida, SP: Idéias & Letras, 2006.
FREITAS, João Victor Lanna de. “Mais feliz que Augusto, melhor que trajano” (eutrópio, breviário, VIII.5.3): a construção do ideal de optimus princeps em Tácito e Plinio, o Jovem. [Dissertação Mestre em História]. Mariana, MG: Universidade Federal de Ouro Preto – Instituto de Ciências Humanas e Sociais, 2015. [Orientador: Prof. Dr. Fábio Faversani]. Disponível em: http://www.repositorio.ufop.br/bitstream/123456789/6434/1/DISSERTA%C3%87%C3%83O_MaisFelizAugusto.pdf. Acesso em: 20/12/2016.
Simon, M. e Benoit. Judaísmo e Cristianismo Antigo: de Antíoco Epifânio a Constantino. Tradução S.M.S. Lacerda. São Paulo: Ed. Pioneira – Edusp, 1987.
SOUZA, Dominique Monge Rodrigues de. Considerações acerca da análise documental da obra epistolar de Plínio, o Jovem. Anais do XX Encontro Regional de História: História e Liberdade. ANPUH/SP – UNESP-Franca. 06 a 10 de setembro de 2010. Disponível em: http://www.anpuhsp.org.br/sp/downloads/CD%20XX%20Encontro/PDF/Pain%E9is/Dominique%20Monge%20Rodrigues%20de%20Souza.pdf. Acesso em 17/12/2016.




[1] Numa apologia redigida, certamente, por volta de 197, Tertuliano, referindo-se à perseguição, exclama: “Se realmente somos os mais nocivos dos homens, por que se nos dá um tratamento diferente daquele que se dá a nossos congêneres na criminalidade? Um mesmo delito acaso não faz jus a um mesmo tratamento? Outros, réus dos delitos que se nos imputam, têm o direito de defender-se, pessoalmente ou mediante advogados; dá-se-lhes o direito de pleitear e altercar, porque é ilícito condenar inocentes silenciados. Unicamente aos cristãos se proíbe proferir a palavra que os inocentaria, defenderia a verdade e pouparia ao juiz uma iniquidade. Deles apenas se espera aquilo que o ódio público reclama: que se confessem cristãos. Examinar a culpa não importa…”.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

CRISTIANISMO PRIMITIVO

A expressão “Cristianismo Primitivo[1] produz algumas discussões acadêmicas. O que poderíamos denominar de fato como sendo o “Cristianismo Primitivo”? Qual seria realmente a delimitação temporal desse período? Entre os diversos estudiosos não há uma única resposta, portanto, expresso aqui apenas uma dentre outras possibilidades para compreendermos melhor o que chamamos de “Cristianismo Primitivo”.
            O termo “cristianismo primitivo” foi usado pela primeira vez por J. B. Basedow em 1979 referindo-se ao cristianismo “original, autêntico”. Posteriormente a expressão tornou-se independente da história da igreja, como sendo algo distinto dela. No século XIX debatia-se muito se o “cristianismo primitivo” seria ou não um modelo ideal para todas as igrejas no transcorrer do tempo.
Sem dúvida alguma, a expressão nos arremete aos primórdios do cristianismo, tendo como ponto de partida as literaturas canônicas neotestamentárias. Mas essas informações cobrem tão somente a segunda parte do primeiro séculos e nos fornecem apenas um estrato do que realmente estava acontecendo, visto que a mensagem cristã alcança em pouco tempo todo o território do império Romano, proliferando comunidades cristãs em toda parte. A partir de Antioquia, segundo evangelista Lucas,[2] eles passaram a serem denominados de cristãos e por extensão suas comunidades posteriormente se constituirão no que veio a ser denominado de cristianismo (Χριστιανισμός), mas esse termo somente foi utilizado pela primeira vez por Inácio de Antioquia em 107 d.C., para definir o sistema e a prática dos cristãos ou da igreja cristã pelos quais estavam sendo perseguidos injustamente; usa também para distingui-lo do judaísmo e por fim aquela fé verdadeira que requer uma vida que corresponda a essa verdade.[3]
            Entretanto, o cristianismo, mormente usado no singular, nunca foi um movimento uníssono e homogêneo,[4] pois desde seus primeiros movimentos há discordâncias em suas ênfases e posteriormente na interpretação de suas principais doutrinas. Nas correspondências paulinas e demais encontramos os apóstolos preocupados que as mais diversas discrepâncias que foram se desenvolvendo paralelamente e muitas vezes dentro das próprias comunidades cristãs. O que chamamos de ortodoxia cristã, que se refere ao conjunto de dogmas estabelecido pela igreja cristã, é algo posterior e que haverá de ser forjado na bigorna dos embates e discussões das lideranças eclesiásticas e mais tarde conciliares.
            A periodização[5] do Cristianismo Primitivo também não encontra uma conciliação entre os diversos historiadores cristãos. Como em toda história, as permanências e mudanças estão sempre presentes e interagindo mutuamente, ora se opondo, ora se articulando. Desta forma, há aqueles que optam por uma compreensão mais ampla desse período, perpassando pelo estabelecimento do cânon cristão e controvérsias trinitárias de maneira que é possível esticar até o quinto século. Alguns preferem tomar como referência para conclusão desse período o Concílio de Calcedônia (451), onde as questões cristológicas foram ao menos equalizadas. Outros optam por ampliar até 604 no Ocidente quando do falecimento do papa Gregório, o Grande e até 749 no Oriente, com a morte de João de Damasco. Todavia, há aqueles que preferem o oposto e define como “Cristianismo Primitivo” tão somente o período neotestamentário e quando muito o segundo século da era cristã. Seguindo a periodização mais ampla podemos subdividi-la em três períodos: apostólico (dos primórdios neotestamentário até Clemente, bispo de Roma (95 d.C.); pré-Nicéia e pós-Nicéia. O primeiro concílio ecumênico de Nicéia, convocado pelo imperador Constantino (325 d.C.), se constitui determinante para essa periodização por definir polêmicas teológicas (cristológicas), mas também porque demarca a ascensão do cristianismo sobre o paganismo no império Romano e que efetuaria profundas mudanças da sociedade da época.
            A relevância do estudo deste primeiro período do Cristianismo Primitivo está justamente no fato de que é no transcorrer destes primeiros séculos que o Cristianismo se definira como religião e moldará a forma e limites da Igreja Cristã. É aqui que seus cânones serão definidos e mesmo os Reformadores no século XVI a eles voltaram em seus esforços de resgatar a Igreja Cristã de seu caos teológico-eclesiástico.
            A partir de Nero, perpassando alguns séculos e muitos imperadores, se empreendeu todos os esforços para que esse cristianismo fosse destruído e esquecido. Líderes cristãos foram mortos das formas mais brutais; suas literaturas queimadas periodicamente; suas comunidades espoliadas com lei ou mesmo sem leis; mas esse Cristianismo permaneceu, para que no século XXI fosse completamente esquecido e totalmente ignorado, justamente por aqueles que deveriam preservá-lo e perdurá-lo. O que nem mesmo os mais cruéis imperadores romanos conseguiram fazer, os cristãos dos dias atuais fazem com sua indiferença e ignorância. Assim como o jovem pródigo, desperdiçou toda sua riqueza se banqueteado e se prostituindo, os cristãos tem persistentemente feito com a herança recebida do Cristianismo Primitivo. Mas, assim como aquele jovem, quando experimentando a mais intensa miséria, chora amargamente e toma a resolução de retornar à casa do Pai, assim será com os atuais cristãos, que quando se aperceberem da real miséria espiritual que estão vivendo, haverão de arrependidos, retornarem às fontes saudáveis daquele cristianismo que apesar de enfrentarem os mais duros embates internos e externos, permaneceu fiel às suas origens e fundamentos evangélicos. 

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira Mestre em Ciências da Religião.
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Referências Bibliográficas
ARAÚJO, C. B. R. de. A igreja dos Apóstolos: Conceito e forma das lideranças na Igreja Primitiva. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.
CAIRNS, E. E. O cristianismo através dos séculos. São Paulo: Vida Nova, 2008.
CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. v. 1. São Paulo: Hagnos, 8ª ed., 2006.
ERDMAN, Charles R. Hechos de Los Apóstoles. Ed. TELL, 1974.
GONZÁLEZ, J. L. História ilustrada do cristianismo. A era dos mártires até a era dos sonhos frustrados. 2. ed. rev. São Paulo: Vida Nova, 2011.
HINSON, E. Glenn e SIEPIERSKI, Paulo. Vozes do cristianismo primitivo. São Paulo: SEPAL, ano?
KEENER, Craig S. Comentário Bíblico Atos: Novo Testamento. Tradução José Gabriel Said. Belo Horizonte: Editora Atos, 2004.
LATOURETTE, K. S. Uma história do cristianismo. São Paulo: Hagnos, 2007.
VEYNE, P. Quando nosso mundo se tornou cristão (312-394). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.




[1] Alguns autores referem-se a esse mesmo período optando por outras nomenclaturas: cristianismo antigo; cristianismo pré-niceno.
[2] Além do livro de Atos, escrito pelo evangelista Lucas, temos Josefo, um historiador judeu que escreveu em grego, Tácito, Suetônio e Plínio, o Jovem, como as primeiras testemunhas não-bíblicas que fazem referência aos cristãos.
[3][3] Atualmente a expressão “cristianismo” é utilizado para distingui-lo de outras expressões de fé como o judaísmo e o islamismo, bem como contraponto há outros “ismos”, como o humanismo, marxismo. 
[4] Esta polissemia de sentidos e significados resultou em que os historiadores passaram a se utilizar do termo plural “cristianismos”, para melhor ilustrar o contexto histórico. Uma “unificação” ocorre a partir do século IV e perdura somente até o século XVI, quando eclode a Reforma Protestante, revelando novamente a pluralidade inerente do movimento cristão.
[5] A divisão cronológica da história, tal como conhecemos hoje, foi desenvolvida a partir do século XIX. Visava facilitar o estudo das ações do homem através dos tempos, sendo baseada então no calendário cristão, uma vez que foi criada a partir da cultura europeia Ocidental greco-romana.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

RESENHA: Papas, imperadores e hereges na Idade Média

 Editora: Vozes -  Nº de páginas: 216 -  Preço: R$ 44,80
 Autor: José D´Assunção Barros
 Link para compra do livro: 
http://www.universovozes.com.br/livrariavozes/web/view/
DetalheProdutoCommerce.aspx?ProdID=8532643914&
            Esse livro faz parte de um projeto editorial [A Igreja na História] mais amplo que tem como objetivo oferecer ao público-leitor, através da ótica de autores brasileiros, uma percepção das temáticas relacionadas à história do cristianismo e, por conseguinte da Igreja.
            A História da Igreja Cristã pode ser muitas coisas, mas nunca enfadonha. Os mais diversos atores históricos que dela fazem parte, as mais diversas tendências entrevistas no cristianismo, as suas múltiplas relações com o mundo social-político, somados aos aspectos culturais, econômicos a tornam não apenas complexa, mas também fascinante.
            O livro aqui apresentado é uma coletânea de ensaios produzida pelo autor, tendo como fio condutor a Igreja no período medieval, e suas múltiplas relações sociais, politicas e culturais. Abre o livro um interessante  artigo apresentando as discussões sobre as “Passagens da Antiguidade Romana ao Ocidente Medieval”, muito oportuno, pois é nesse momento temporal-histórico que a religião cristã emerge e se consolida como modeladora do medievo.
            Nos demais capítulos o autor oferece uma janela de onde o público-leitor pode ter uma visão privilegiada das relações complexas e muitas vezes tensas e conflituosas em decorrência da cosmovisão cristã em contraposição aos poderes estabelecidos, às praticas sociais cotidianas e ao mundo do trabalho e das hierarquias sociais.
            Evidentemente que as tensões e conflitos externos acabam por gerar sintomas semelhantes na vivência da própria Igreja como instituição. Na mesma medida em que ela vai estabelecendo sua ortodoxia teológico-eclesiástica, surge o contraponto que recebem a denominação de heresias, conforme o autor expõe no segundo capítulo “Heresias na Idade Média”.
            Em seu terceiro capítulo “Trifuncionalidade Medieval” o autor expõe as relações do cristianismo e da Igreja com a estruturação das sociedades medievais e sua participação efetiva na construção de novas propostas. Complementa o quarto capítulo com as relações entre Igreja e Política, com suas tensões e articulações, que às vezes são benéficos tanto para o império quanto para Igreja, mas que em tantos outros momentos tornam-se campo de batalhas antropofágicas entre o poder eclesiástico e o poder imperial.
            No quinto capítulo o autor apresenta uma discussão interessante do “fransciscanismo na Idade Média”, nos trazendo esse que foi um dos maiores movimentos da religiosidade cristã desde o Pentecostes.  Por fim, o autor conclui com um capítulo dedicado às relações profícuas entre Igreja e Universidade, que posteriormente demarcaram o raiar da Idade Moderna.
            O autor se esforça em situar todas essas problemáticas no contexto das discussões historiográficas, por isso, oferece as fontes históricas disponíveis para que se prossiga nas discussões propostas.
            Essa obra literária “Papas, imperadores e hereges na Idade Média” certamente contribuirá para uma compreensão mais ampla da História da Igreja Cristã em suas múltiplas relações com a Sociedade do medievo em que ela se fez inserir, moldando e sendo moldada.
Me. IPG
Ciências da Religião

Autor: José d’Assunção Barros - Doutor em História pela Universidade Federal Fluminense (1999), mestre em História pela Universidade Federal Fluminense (1994), graduado em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1993), graduado em Música (Composição Musical) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1989). Professor Adjunto da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Na área de História, tem atuado principalmente com temáticas ligadas às seguintes áreas: Historiografia, Teoria da História, Metodologia da História, História Cultural, História da Arte, Cinema-História.

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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

OS PRESBITERIANOS VEM DA AMÉRICA DO NORTE

Baia da Guanabara vista pelos primeiros missionários americanos
Os movimentos reformistas do século XVI se espalharam rapidamente por toda a Europa. Mas o Brasil ficou completamente alienado de todo estes movimentos, ainda que veio a ser inserido no mapa mundial no mesmo ano do início da Reforma Protestante, os 1500. Mas tirando as duas tentativa, as frustradas, primeiro com a invasão dos franceses e sua França Antártica transvestida de huguenotes (reformados franceses), de curtíssima duração (1555-1560) na Baia da Guanabara no Rio de Janeiro e posteriormente outra invasão, desta vez dos holandeses que haviam adotado a religião protestante, mas que estavam muito mais interessado no domínio do açúcar brasileiro, sendo esta a razão pela qual iniciaram suas invasões pela costa litorânea do nordeste brasileiro (Bahia e Recife) onde haviam os maiores engenhos açucareiros; pelo fato de terem permanecido por mais tempo (1630-1654) acabaram deixando vestígios mais delineáveis na alma e historiografia brasileira.
O resultado prático destas duas tentativas frustradas e se inserir um protestantismo à base de invasões, foi que os portugueses e seu catolicismo romano ilustrado fecharam completamente o Brasil para toda e quaisquer influências religiosas externas, que somente foram reabertas nos fins dos oitocentos, ou seja, quase trezentos anos depois dos movimentos reformistas que mudaram completamente a Europa. Portanto, o protestantismo que chega aqui no Brasil não é o mesmo de Lutero, Calvino e seus companheiros dos primeiros anos da Reforma Protestante, mas um protestantismo que passou a infância e adolescência na Inglaterra e sua fase adulta na América vizinha do Norte. No final dos oitocentos serão, portanto, missionários advindos dos EUA que aportaram no Brasil, trazendo em suas bagagens um protestantismo moldado pelos conceitos denominacionais americanos.
Frustrados com a Reforma da Igreja inglesa, os dissidentes, denominados deforma geral de Puritanos, entre eles os Presbiterianos, que por anos aspiraram o desejo de ver a Igreja da Inglaterra (Anglicana) moldada segundo seus ideais teológicos e eclesiásticos, com a ascensão de Carlos II e o restabelecimento do sistema episcopal, veem suas expectativas desvanecer e ceder lugar a um total desapontamento, que os impulsionam a começar algo novo. Assim, a transferência dos Presbiterianos e demais não conformistas para o Novo Mundo foi o fator isolado mais importante na modelação dos fundamentos religiosos da América do Norte, onde haverão de encontrarem um ambiente profícuo para se estabelecerem e expandirem.
Os diversos grupos separatistas ingleses e sua transposição para os Estados Unidos está totalmente envolta na pré-disposição de separar-se do Anglicanismo e posteriormente separar-se da própria Inglaterra no movimento de Independência americana.
Estas igrejas independentes, mais particularmente o trio: presbiterianos, congregacionais e metodistas forjaram os característicos distintivos, a forma e o poder do Protestantismo americano, que posteriormente irá expandir-se sobre um número crescente de países, incluindo o Brasil.
Desde o século XVII o calvinismo já estava estabelecido na América do Norte, em Massachusetts nas cidades de Plymouth, em 1620, e Salem e Boston, em 1630, mas o sistema de governo era congregacional e não presbiteriano.
Mas, a partir de meados do século XVIII milhares de presbiterianos, mais acentuadamente de origem escocês-irlandeses, desembarcaram na América do Norte, alcançando um número expressivo de 250 mil imigrantes que atravessaram o Atlântico até 1775. Estabeleceram-se em cidades como Nova Jersey, Pensilvânia, Maryland, Virgínia e nas Carolinas. A cidade de Pittsburgh, ao oeste da Pensilvânia, ostentou o título da cidade mais presbiteriana dos Estados Unidos. A relevância destas informações peculiares está no fato de que os primeiros missionários presbiterianos a aportar em terras brasileiras são originários da região da Pensilvânia, incluindo o Rev. Ashbel Green Simonton o pioneiro entre eles.
Após um longo período em que as igrejas presbiterianas permaneceram dispersas, em 1706 constituiu-se o primeiro Presbitério[1] na Filadélfia e em 1717 organiza-se o primeiro Sínodo composto por quatro presbitérios. Em 1729 adota-se oficialmente a Confissão de Fé e os Catecismos de Westminster como padrão doutrinário. Para não fugir à regra de 1741 a 1758 os presbiterianos se dividiram por causa de diferenças acerca do avivamento e da educação teológica. A chamada Nova Escola (New School), apoiada pelo Sínodo[2] de Nova York, era aberta para as influências congregacionais que promoviam o chamado movimento de reavivamento, onde se enfatizava a livre escolha do ser humano para aceitar ou rejeitar a mensagem do evangelho e/ou a salvação. O outro grupo denominado de Velha Escola (Old School), apoiada pelo Sínodo de Filadélfia, arraigados ainda nos ideais teológicos dos imigrantes escocês-irlandeses, defendia a todo custo os símbolos de Fé de Westminster e extremamente rígidos quanto as suas estruturas eclesiais. (MATOS, 2000, pp. 31-34; HAUCK, 1985, pp. 244-245).
Outra divisão que deve ser destacada é a que ocorre em 1857 e 1861, causada pela questão da escravidão. As igrejas presbiterianas do Sul, tanto da Nova quanto da Velha Escola, apoiaram a continuidade da escravidão, de maneira que rompem com as igrejas do Norte, que defendiam a liberdade de todo tipo de escravidão. Esta ruptura produziu as duas principais denominações presbiterianas americanas: a Igreja do Norte (PCUSA) e a Igreja do Sul (PCUS). São estas duas denominações que haverão de enviar os primeiros missionários presbiterianos ao Brasil – Ashbel G. Simonton em 1859 (PCUSA) e Edward Lane e George N. Morton em 1869 (PCUS). Certamente que está bifurcação denominacional americana haverá de se reproduzir em sua transplantação no campo missionário brasileiro.
É preciso destacar um aspecto importante que é o conceito de “denominação” que vai ser amplamente estabelecido e difundido. A ideia é de que a verdadeira igreja não pode ser enclausurada em uma única forma eclesiástica, de maneira que cada forma eclesiástica diferente é uma parte da verdadeira igreja e que a somatória de todas elas expressa a Igreja verdadeira.
Diferentemente das missões europeias que Troeltsch chama de “igreja oficial” onde as missões fazem uso da infraestrutura colonial para implantar e expandir suas ações; nas missões norte americanas cada denominação forma sua própria Agência Missionária, que prepara, envia e sustenta seus missionários, que por sua vez implantam as respectivas denominações nos países a que foram enviados.
Tudo isso já estava embrionariamente gestando nos escritos de Lutero e de Calvino. O primeiro declarava que a diversidade institucional era inevitável nesta terra, e que “nesta vida a igreja não é adequadamente entendida em relação a essas questões”; igualmente Calvino declara que é impossível traçar fronteiras precisas para a igreja de Cristo, pois não é possível detectar com total exatidão os que realmente são eleitos de Deus. (SHELLEY, 2004, p. 34).
Mas é na América do Norte que este conceito denominacional alcança seu ápice, pois naquele momento histórico era uma resposta “divina” para a multifacetada fé cristã experimentava no Novo Mundo.
Entretanto, apesar de o conceito denominacional ter sido adotado amplamente, como já foi mencionado, todas as vezes que divergências surgem na área teológica ou eclesiástica, a primeira reação é sempre a de suprimir, pois prevalece o antigo conceito de que somente pode haver uma forma verdadeira de se expressar a fé cristã e, portanto, de ser igreja, tornando a convivência harmoniosa com as diferenças inaceitável, forçando à única outra possibilidade – a ruptura.
Por fim, mas não menos relevante está o fato de que nesse período histórico um forte movimento espiritualista esta penetrando as denominações evangélicas americanas, chamado de Pietismo.  Os pietistas tem uma visão dicotômica de Igreja X Mundo, de maneira que qualquer coisa que tenha jeito ou forma de mundanismo deve ser rejeitado (talvez explique, em parte, o espírito alienante social do protestantismo histórico brasileiro). Paralelamente o movimento pietista atua fortemente numa vida cristã/espiritual mais profunda em sua relação com Deus e na pregação da mensagem evangélica de conversão (revival). Os missionários americanos que estabeleceram as primeiras denominações protestantes no Brasil são filhos legítimos dessa visão de mundo e do "revival" ocorrido nos Estados Unidos, no século XIX.  O caso mais peculiar é a do pioneiro Ashbel G. Simonton. O jovem Simonton experimenta com toda intensidade a força da conversão produzida pela pregação dos revivais característico da Escola Nova, mas toda sua formação teológica e seu envio como missionário foi feito por meio de uma igreja da Escola Antiga. Desta maneira, o presbiterianismo brasileiro nasce com uma forte ambiguidade, tendo uma pregação espelhada nos revivais, centrada no apelo à conversão através de uma experiência de fé pessoal (Escola Nova), amplamente manifestada nos púlpitos e uma tendência ortodoxa, conservadora (Escola Velha), entrincheirada nos Seminários e nas estruturas conciliares, que vai desenvolver um forte espírito autoritário. (MENDONÇA e VELASQUES, 1990).

A relevância destas informações, está no fato, já mencionado, que os primeiros missionários no Brasil saem deste contexto fragmentário do presbiterianismo americano.

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Referências Bibliográficas
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MATOS, Alderi Souza de. Erasmo Braga, o protestantismo e a sociedade brasileira – perspectivas sobre a missão da igreja. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2008.
MENDONÇA, Antônio Gouvêa. O Celeste Porvir – A inserção do protestantismo no Brasil. São Paulo: Paulinas, 19 4.
MENDONÇA, Antonio Gouvêia e VELASQUES FILHO, Prócoro. Introdução ao protestantismo no Brasil, 2ª ed. São Paulo: Loyola, 2002.
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VIEIRA, David Gueiros. O protestantismo, a maçonaria e a questão religiosa no Brasil. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1980.




[1] Na estrutura eclesiástica federativa presbiteriana cada igreja local compõe seu Conselho; um grupo de igrejas, mormente da mesma região geográfica, formam um Presbitério que passa a ter jurisdição sobre elas.
[2] Alguns Presbitérios formam um Sínodo, que passa a ter jurisdição sobre eles, assim como ocorre com o Presbitério em relação às Igrejas.