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sábado, 30 de julho de 2016

O VELHO MESTRE – Rev. José Borges dos Santos Jr.

Rev. José Borges dos SAntos Junior
Velho Mestre
            A questão educacional sempre foi a menina dos olhos do protestantismo de forma geral e não poderia ser diferente quando de sua implantação no Brasil. Desde seus primórdios a educação em suas duas vertentes religiosa e secular foi colocada como parte integrante do programa de expansão do protestantismo no país.
            O então jovem e recém chegado missionário estadunidense Ashbel Green Simonton inicia suas atividades com uma “escola dominical” onde ministra os pontos básicos do evangelho evangélico protestante. Estabelece um embrião de “escola fundamental” para crianças, aliado à um curso de alfabetização para adultos. Revela toda sua preocupação com a questão educacional quando, juntamente com seus companheiros, inicia o primeiro Curso Teológico protestanteno Brasil, e provavelmente na América Latina, cunhado pelos historiadores protestantes de “Seminário Primitivo”, que formou os primeiros quatro pastores presbiterianos brasileiros.
            Por onde o protestantismo foi sendo implantado no território brasileiro a educação sempre foi um dos pilares mestres, seja na forma das “escolas paroquiais”, visando atender os filhos dos membros ou no formato “colégios” visando alcançar as elites brasileiras.
            Desde a fundação de seus primeiros Seminários os presbiterianos sempre zelaram para que seus seminaristas fossem formados não apenas no aspecto teológicos, mas nas mais diversas áreas do saber humano. Apenas uma leitura simples de seus currículos deixa evidente uma preocupação multicultural na formação dos seus novos pastores.
            Em um país onde a educação e a cultura nunca foram de fato e de verdade uma prioridade, de maneira que apenas uma pequena e privilegiada camada social podia e era estimulada a uma formação acadêmica, os Seminários protestantes tornaram-se centros de excelência acadêmica e de fato formaram pastores e homens altamente qualificados.
Na década de 40-50 os Seminários protestantes eram tratados como Universidades e seus alunos eram qualificados entre os mais atuantes nos meios acadêmicos do país, estando na vanguarda dos grandes movimentos estudantis emergentes no Brasil, incluindo a hoje famigerada UNE, mas que naquele momento histórico fundante contava em seus quadros com alguns dos mais iminentes jovens seminaristas dos centros acadêmicos protestantes, bem como de seus diversos colégios espalhados pelos grandes centros urbanos brasileiros.
Entre tantos nomes proeminentes que devem ser destacados neste caudaloso rio educacional, quero trazer à memória o do Rev. José Borges dos Santos Jr.
Ele sempre esteve ligado umbilicalmente com a questão educacional. Fez seu curso ginasial no Ateneu Valenciano, cuja propriedade pertencia desde 1908 ao Comendador Antonio Jannuzzi,[1] que mais tarde o doou a Igreja Presbiteriana de Valença, que lá criou o Colégio Atheneu Valenciano.[2] Tudo leva a crer que durante o seu curso pré-teológico Borges tenha sido aluno do Rev. Erasmo de Carvalho Braga, uma das figuras mais proeminentes, nacional e internacionalmente, do presbiterianismo brasileiro, o que ocorrido certamente impregnou o jovem seminarista das ideias e conceitos teológicos mais avançados da época.
Particularmente sua vida acadêmica sempre esteve ligada ao Seminário Presbiteriano de Campinas, desde quando seminarista e por muitos anos já como pastor. Foi esta sua dedicação e paixão pelo ensino e pela instituição teológica que lhe outorgaram a alcunha de - Velho Mestre - que expressava o reconhecimento e carinho de seus antigos alunos.
Neste Seminário Borges lecionou inicialmente, no Curso Propedêutico,[3] as matérias de Lógica Formal, Latim, Português e Introdução à Filosofia, entre os anos de 1930 e 1934. A partir de 1934 a 1946, conforme noticiou a revista teológica do Seminário (1939, p. 35) ele havia sido eleito para ocupar a cadeira de Teologia Sistemática, mas lecionou também História da Filosofia que era sua paixão pessoal.
Um de seus alunos, que posteriormente tornou-se também professor do Seminário, registra a reação dos seminaristas às aulas do novo catedrático:
A prodigiosa informação do novel professor de Teologia sobre autores tradicionalmente tidos como autoridade – Hodge, Dabney, Shedd – além do compêndio de Strong, nos assombrava. Mas principalmente seu conhecimento de Metapsíquica é que nos chegou a intrigar. Até parecia que se preparava para a tarefa mesmo antes de sua escolha. (1939, p. 35).
O Dr. Waldyr, outro ex-aluno, registra algumas outras características que ajudam a elaborar com certa dose de exatidão o perfil catedrático de Borges:
Tinha a seu cargo a área da teologia e da filosofia. Bom professor, temido pelo seu tom dogmático e cortante ironia, além de dar provas de improviso, o que exigia constante preparo do aluno para a imprevisível ocasião. Incompassivo, não vacilava em reprovar o estudante que não fazia jus à nota mínima. (1994, p. 122).
Quando se transferiu para São Paulo, enquanto pastor auxiliar ainda continuou lecionando no Seminário de Campinas, mas quando assumiu a titularidade do pastorado da IPUSP[4] a partir de 1947, apesar de todos os rogos da Direção do Seminário, o Conselho daquela igreja não o liberou, de maneira que teve que abrir das suas preciosas aulas no final do período letivo de 1946.
Em seu excelente trabalho sobre a vida de Borges, o pesquisador Castro menciona que em diversas Atas do Conselho da IPUSP registram-se correspondências da direção do Seminário para que Borges fosse liberado para continuidade de suas aulas, chegando ao ponto do próprio Diretor, o Rev. Jorge Goulart, manter conversas com alguns presbíteros individualmente e na Ata 977, registra sua presença, como porta-voz oficial do seminário, e ―insiste para que o Conselho libere o Rev. Borges, um dia por semana‖ (2011, p. 29).
Todo este esforço tinha uma razão, é que naquele momento Borges era um dos professores mais conceituado do Seminário e suas aulas de filosofia às terças feiras, assim como os cultos matinais em que se fazia presente atraia a presença de todos os alunos, o que em ambiente de seminário é uma coisa rara, demonstrando assim o carisma que o - Velho Mestre -  exercia sobre o corpo discente.

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
me.ivanguedes@gmail.com
Outro Blog
Reflexão Bíblica
http://reflexaobiblica.spaceblog.com.br/

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Referências Bibliográficas
CASTRO, Luís Alberto de. A Trajetória do “Velho Mestre: Uma Biografia do Rev. José Borges dos Santos Júnior – um recorte historiográfico da Igreja Presbiteriana do Brasil. Dissertação (Mestre em Divindade) – Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, São Paulo, 2011.
GUEDES, Ivan Pereira. O protestantismo na cidade de São Paulo – presbiterianismo: primórdios e desenvolvimento do presbiterianismo. Alemanha: Ed. Novas Edições Acadêmicas, 2013.
Revista Teológica – Seminário Teológico Presbiteriano de Campinas, n° ?, 1939.




[1] Antônio Jannuzzi (1855-1949) Natural da Itália, grande empresário e construtor no Rio de Janeiro, edificador de templos, benemérito de muitas instituições (Hospital Evangélico, Ateneu Valenciano, Orfanato Presbiteriano). Alderi Souza de Matos (Pioneiros Presbiterianos no Brasil - Galeria de Leigos) http://www.mackenzie.br/7159.98.html. Foi membro da IPB do Rio de Janeiro, pastoreado pelo Rev. Álvaro Reis do qual se tornou amigo.
[2] Em 1924 o coronel Cardoso o adquire da Igreja Presbiteriana e o doa para a mitra diocesana com uma clausula de no prazo de dois anos ali se instalar um estabelecimento de ensino secundário.
[3] Servia de preparação e introdução ao curso teológico propriamente dito.
[4] Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

PROTESTANTISMO E SEUS DOIS SISTEMAS TEOLÓGICOS

            Ainda nas páginas do livro de Atos e principalmente nas epístolas é visível a crescente dificuldades em se manter dentro do cristianismo primitivo uma unidade teológica. Evidentemente que a literatura preservada no cânon neotestamentário fundamentou uma ortodoxia básica no que se refere aos pontos cardeais da fé cristã como entendida pelos respectivos escritores e posteriormente mantida nas comunidades cristãs.
            Com o passar dos séculos múltiplas controvérsias foram surgindo nas esferas eclesiásticas sobre os mais variáveis temas doutrinários. Nas diversas literaturas que tratam da História dos Dogmas podemos encontrar um reflexo dos embates que se travaram nas entranhas conciliares da igreja cristã através dos séculos.
            Evidentemente que as controvérsias fazem parte do processo de maturação de uma organização viva e tão ampla quanto a Igreja Cristã. Ainda que muitas delas é provocada pelo personalismo, outras por falta de uma melhor diretiva e outras onde o espírito fraternal foi sacrificado, a controvérsia torna-se o instrumento de depuração dos sistemas eclesiástico-teológico do cristianismo. Uma árvore torna-se tão resistente quanto as tempestades pelas quais ela passa, uma boa controvérsia que exige a busca de novas respostas é preferível à estagnação que atrofia e mata.
            As controvérsias surgem na estrada da Igreja Cristã e são caracterizadas por suas motivações centrais: administrativas, com os donatistas; trinitariana, com o arianismo; cristológica com o Apolinarianismo e nestorianismo; antropológica, com o pelagianismo e agostianismo.
            A controvérsia antropológica ainda que tratada continuamente nos Concílios Cartago em 412 e ratificada também em Cartago em 431 (dezenove anos depois), ela se perpetuou no rasgar dos séculos e ainda hoje seus respectivos sistemas teológicos dividem a teologia cristã.
            No período pós Reforma Protestante haveremos de visibilizar novamente este embate nas controvérsias dos calvinistas ancorados no pensamento teológico de Agostinho e os arminianos fundamentados no pensamento teológico de Pelágio.
            Estes dois expoentes da teologia cristã não poderiam ser mais diferentes em suas índoles e experiências vivenciais. Suas diferenças acabaram se refletindo na contradição que veio a coloca-los em posições distintas e opostas em relação à doutrina da natureza humana e da graça de Deus.
            Agostinho era naturalmente irascível e apaixonado. Possuía um cabedal cultural como poucos em seus dias, e travou por toda sua vida uma luta intima em relação às suas propensões humanas para o pecado. Na medida em que examinava a literatura de Paulo, sobre sua exposição da luta feroz entre a carne e o espírito, conclui que a natureza humana decaída é totalmente depravada, de modo que o livre arbítrio, ou seja, a capacidade livre do ser humano escolher algo melhor é tão somente uma ilusão.
            Pelágio também era um monge muito bem instruído, entretanto, de natureza mais meiga e praticante perene da abstinência, o que lhe capacitava um estilo de vida mais voltada para a espiritualidade. Enfrentando menos embates internos advoga que o ser humano é capaz de livremente obedecer à voz da consciência e resistir ao mal e escolher o bem, de maneira, conclui ele, que a raça humana não herdou o pecado adâmico.
            Deste modo, partindo de premissas diametralmente opostas, ambos elaboraram seus sistemas teológicos. Pelágio defende com veemência uma bondade inerente no ser humano, que apesar da natureza pecaminosa, ainda detém a capacidade de escolher e obedecer a Deus livremente; Agostinho por sua vez entende que o ser humano após a queda se tornou totalmente incapacitado para escolher livremente obedecer à vontade de Deus, necessitando para isso da continua atividade da graça divina, que soberanamente é outorgada à aqueles que Deus escolhe antes da fundação do mundo.
            Abaixo temos uma visualização contrastante destes dois sistemas teológicos que ainda hoje mantém suas controvérsias dentro do cristianismo protestante.   

O SER HUMANO NA CRIAÇÃO
PELAGIO
AGOSTINHO
O ser humano foi criado inocente, capaz de livre arbítrio absoluto, porém, mortal.
O ser humano foi criado com a capacidade de escolher livremente, inocente e inclinado ao bem, capaz de tornar-se livre do pecado pela continua obediência, porém sujeito à morte.
O SER HUMANO NA QUEDA
A queda trouxe como consequência imediata a morte espiritual de Adão e Eva, porém, atingiu os seus descendentes somente como exemplo.
A queda trouxe a morte tanto espiritual quanto física de Adão e Eva, e, através deles, à toda humanidade, escravizando-lhes a vontade.
O SER HUMANO DEPOIS DA QUEDA
Todas as pessoas ao nascerem são como Adão antes da queda e se sujeitam ao pecado por livre e espontânea vontade e atos pessoais.
Todos ao nascem com uma natureza humana corrupta e com sua vontade escravizada ao mal e totalmente incapacitados de proceder com retidão.
LIVRE ARBÍTRIO
O ser humano é sempre livre e igualmente capaz de fazer uma escolha tanto para o bem quanto para o mal.
O ser humano era livre somente antes da queda e propenso ao bem e à justiça, todavia, após a queda perdeu a sua liberdade e retidão, e escravizou-se ao mal.
O PECADO
O pecado é um ato resultante da vontade, não é da natureza, e, portanto, as pessoas não são necessariamente pecadoras e algumas podem até viverem sem pecar.
O pecado é inato à natureza humana (pecado original) e manifesta-se em ações pecaminosas. Desta forma, todo ser humano, cá om exceção de Cristo, é necessariamente pecador desde seu nascimento.
A GRAÇA
A “graça divina” consiste nos privilégios que Deus outorga ao ser humano.
A salvação é pessoal, sem lei nem evangelho. A vantagem do evangelho é que por ele se torna mais fácil ser crente.
A graça é a operação da vontade do Espírito Santo no ser humano, pela qual a vida espiritual começa e se aperfeiçoa. Sem ela a pessoa não pode arrepender-se nem tão pouco crer. A graça redentora é inquebrantável em sua operação sobre os eleitos: nada lhe pode resistir.
A ELEIÇÃO
Não há uma eleição incondicional.
A eleição é eterna e absoluta e é incondicional.
BATISMO INFANTIL
O batismo infantil é coisa boa, mas não essencial à salvação das crianças.
É necessário o batismo para a salvação das crianças, desde que elas são pecadoras, pois o batismo é o único meio pelo qual uma igreja se torna regenerada. Alguns dentre os regenerados pelo batismo podem cair, e de fato assim acontece, porém, os eleitos jamais cairão.

            Evidentemente que este quadro esboça pobremente a imensidade dos debates decorrentes destas duas propostas teológicas. Milhares de volumes tem sido produzido ao longo dos séculos sobre estas questões até os dias presentes.
            No período posterior ao movimento da chamada Reforma Protestante, no século XVI, as múltiplas denominações que a partir dela se originaram, mantiveram estes debates envolvendo estes dois pensamentos teológicos contrastantes.  A partir da exposição de João Calvino, seguindo o pensamento de Agostinho, que originou o calvinismo, e do trabalho de Jacó Armínio, defendendo a posição de Pelágio, que originou o arminianismo, perpetua-se no tempo este debate que não se apercebe qualquer possibilidade de uma conciliação plena e final.

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira Mestre em Ciências da Religião.
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quarta-feira, 22 de junho de 2016

VERBETE - Jacob Arminius


ARMINIUS, Jacob (1560-1609). Jacob Harmensen, que transliterou seu nome para o latim transformando-se em, Jacobus Armínius, em português – Jacó Armínio, também é conhecido pela versão inglesa de seu nome – James ou Jacob Arminius. Ele vai viver em um período histórico pós Reforma onde os posicionamentos teológicos já haviam sido solidamente estabelecidos, mas que posteriormente tornaram-se enrijecidos e inflexíveis. Havia pouco espaço para divergências, visto que os dogmas reformados tinham sido forjados nas bigornas das discussões teológicas pós reforma. Desta forma, qualquer discrepância ou dissonância teológica acadêmica trazia à memória todo sofrimento e dissabores de um caminho árduo que havia sido percorrido até que as balizas teológicas fossem satisfatoriamente equilibradas. É neste ambiente que este teólogo holandês, nascido em na cidade de Oudewater, entre Roterdã e Ultrecht, expos suas discordâncias com as formulações rigorosas sobre a predestinação elaborada pelo calvinismo. Toda sua trajetória acadêmica havia sido dentro dos moldes calvinistas: estudou em Leyden, na Universidade Marburg (1575-1581), na Basiléia (1582-1583), e em Genebra na Suíça (1584-1586), tendo como um de seus mentores Teodoro Beza sucessor catedrático de Calvino. Ele serviu como pastor em Amsterdã (1588-1603) e foi professor de teologia em Leiden a partir de 1603. Apesar de todas estas influências Armínius cultivou uma ortodoxia própria e conflitante com o pensamento calvinista. A igreja em Amsterdã lhe incumbiu que examinasse e refutasse as ideias de DircK Koornhert, que contestava abertamente as doutrinas calvinistas, em especial a predestinação. Mas, ao final, Armínius concluiu que Koornhert estava certo e os calvinistas estavam equivocados. Armínio interpretava que a carta de Paulo aos Romanos ensinava uma "predestinação condicional" em oposição às interpretações "incondicionais" dos calvinistas seus contemporâneos. Ele acreditava que a predestinação dos destinos individuais (salvação) é baseada na presciência divina, ou seja, Deus sabe de antemão quem são aqueles que haverão de crer em Jesus e serem salvos. Para ele a "Graça Salvadora" de Deus é a obra do Espírito Santo na preparação das pessoas para escolher a ter fé em Jesus Cristo.
Armínius faleceu em 1609 e no ano seguinte (1610), o chamado partido arminianos, uma oligarquia fortemente mercantil e que defendia uma relação amistosa com a Espanha (católica), produziu um documento de protesto conhecido como remostrância (“representação ou protesto”), posteriormente recebendo a alcunha de “remonstrantes” e que passaram a serem redigidos sumariamente em cinco pontos centrais de divergências com a teologia calvinista. Abaixo temos os dois pensamentos teológicos:
ARMINIANISMO
CALVINISMO
Capacidade humana, Livre-arbítrio - Todos os homens embora sejam pecadores, ainda são livres para aceitar ou recusar a salvação que Deus oferece;
Depravação total - Todos os homens nascem totalmente depravados, incapazes de se salvar ou de escolher o bem em questões espirituais;
Eleição condicional - Deus elegeu os homens que ele previu que teriam fé em Cristo;
Eleição incondicional - Deus escolheu dentre todos os seres humanos decaídos um grande número de pecadores por graça pura, sem levar em conta qualquer mérito, obra ou fé prevista neles;
Expiação ilimitada - Cristo morreu por todos os homens e não somente pelos eleitos;
Expiação limitada - Jesus Cristo morreu na cruz para pagar o preço do resgate somente dos eleitos;
Graça resistível - Os homens podem resistir à Graça de Deus para não serem salvos;
Graça Irresistível - A Graça de Deus é irresistível para os eleitos, isto é, o Espírito Santo acaba convencendo e infundindo a fé salvadora neles;
Decair da Graça - Homens salvos podem perder a salvação caso não perseverem na fé até o fim.
Perseverança dos Santos - Todos os eleitos vão perseverar na fé até o fim e chegar ao céu. Nenhum perderá a salvação.

Todos aqueles que adotaram a teologia desenvolvida por Aminius ficaram conhecidos como “arminianos”. O Metodismo, estabelecido por John Wesley, adotou o Arminianismo como fundamento teológico, assim como as tradições evangélicas pentecostais ou de santidade; os batistas em sua maioria também adotam a teologia Arminiana, no Brasil uma exceção é a igreja Batista Regular que mantém a teologia calvinista, com exceção do batismo infantil e a interpretação da Ceia.

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Referências Bibliográficas
ARMESTO-FERNÁNDES, Felipe e WILSON, Derek. Reforma: o cristianismo e o mundo 1500-2000. Trad. Celina Cavalcante Falck. Rio deJaneiro: Record, 1997.
BOISSET, J. História do protestantismo. São Paulo: Difusão Européia, 1971.
CARTER, Lindberg. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001. [trad. Luís Henrique Dreher e Luís Marcos Sander].
CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de bíblia, teologia e filosofia. São Paulo: Hagnos, 2006.
COLLINSON, Patrick. A Reforma. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2006.
DANIEL-ROPS. A igreja da renascença e da reforma I: a reforma protestante.  São Paulo: QUADRANTE, 1996.
DREHER, Martin Norberto. A igreja latino-americana no contexto mundial. São Leopoldo: Sinodal, 1999. (Historia da Igreja; v. 4)
DUNSTAN, J. Leslie. Protestantismo. Lisboa, Verbo, 1980.
GONZALES, Justo L. Uma história do pensamento cristão. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.
HUDSON, Winthrop. Denominationalism as a basis for ecumenicity: a seventeenth century conception. Church history. Vol. 24, no. 1 (março, 1966).
LATOURETTE, Kenneth Scott. Uma história do cristianismo - volume II: 1500 a 1975 a.D. São Paulo: Editora Hagnos, 2006.
LINDSAY, Tomas M. Historia de la Reforma, v.2, ed. La Aurora e Casa unida de Publicaciones, 1959.
McGRATH, Alister. A vida de João Calvino. São Paulo, Cultura Cristã, 2004.MATOS, Alderi Souza de. Fundamentos da teologia histórica. São Paulo: Mundo Cristão, 2008. (Coleção Teologia Brasileira)
MENDONÇA, Antonio G. O celeste porvir: a inserção do Protestantismo no Brasil. São Paulo: Edições Paulinas, 1984.
OLSON, Roger. Teologia Arminiana: Mitos e Realidades. São Paulo: Editora
Reflexão. 2013.
POLLARD, Albert Frederick. Thomas Cranmer and the and the english reformation (1489-1556). London : G. P. Putnam’s Sons, 1906.
REYLI, Alexander Duncan. História Documental do Protestantismo no Brasil. 3ª ed. São Paulo: ASTE, 2003.
SALVADOR, José Gonçalves. Arminianismo e Metodismo: Subsídios para
o Estudo da História das Doutrinas Cristãs. São Paulo: Junta Geral de
Educação Cristã da Igreja Metodista do Brasil, S/D.
SCHÜLER, Arnaldo. Dicionário Enciclopédico de Teologia. Rio Grande do Sul: Concórdia Editora e Editora Ulbra, 2002.
WYNKOOP, Mildred Bangs. Fundamentos da teologia Armínio Wesleyana. Tradução Eduardo Rodrigues da Silva. Campinas (SP): Casa Nazarena Publicações, 2004.

Zabriskie, Alexander C. Anglican Evangelicalism. Philadelphia, 1999.

VERBETE - ARMINIANISMO


ARMINIANISMO. Um movimento teológico que surgiu a partir dos ensinamentos de Jacob Armínio, que se opunha a posição defendida pelos calvinistas, seguindo o pensamento teológico desenvolvido por João Calvino, sobre a eleição, predestinação, e salvação pela graça. O documento mais conhecido do arminianismo é conhecido como os “Cinco Pontos [Artigos] do Arminianismo” (1610). Posteriormente os calvinistas reunidos no Sínodo de Dort (1618-1619), elaboraram um documento que contradizia cada uma das teses arminianas, que ficou conhecido como os “Cinco Pontos [Artigos] do Calvinismo”.
O Arminianismo ensina que apesar do pecado, os seres humanos são livres para responder ao evangelho e que a eleição ocorre depois que a graça de Deus é dada. Deus elege para a salvação todos aqueles que Deus, por causa de sua onisciência, sabe de antemão que haverão de se arrepender e crer em Jesus Cristo. Esta é uma "eleição condicional" na medida em que depende de conhecimento prévio da resposta humana à Deus; os seres humanos podem resistir à graça e pode em algum momento perder a salvação; no processo da salvação o ser humano pode usar seu livre arbítrio para cooperar com a graça de Deus oferecida a eles.
As teses arminianas se espalharam por todo o mundo e teve em John Wesley (1703- 1791) e posteriormente no Metodismo seus maiores divulgadores.


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Referências Bibliográficas
ARMESTO-FERNÁNDES, Felipe e WILSON, Derek. Reforma: o cristianismo e o mundo 1500-2000. Trad. Celina Cavalcante Falck. Rio deJaneiro: Record, 1997.
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LINDSAY, Tomas M. Historia de la Reforma, v.2, ed. La Aurora e Casa unida de Publicaciones, 1959.
McGRATH, Alister. A vida de João Calvino. São Paulo, Cultura Cristã, 2004.MATOS, Alderi Souza de. Fundamentos da teologia histórica. São Paulo: Mundo Cristão, 2008. (Coleção Teologia Brasileira)
MENDONÇA, Antonio G. O celeste porvir: a inserção do Protestantismo no Brasil. São Paulo: Edições Paulinas, 1984.
OLSON, Roger. Teologia Arminiana: Mitos e Realidades. São Paulo: Editora
Reflexão. 2013.
POLLARD, Albert Frederick. Thomas Cranmer and the and the english reformation (1489-1556). London : G. P. Putnam’s Sons, 1906.
REYLI, Alexander Duncan. História Documental do Protestantismo no Brasil. 3ª ed. São Paulo: ASTE, 2003.
SALVADOR, José Gonçalves. Arminianismo e Metodismo: Subsídios para
o Estudo da História das Doutrinas Cristãs. São Paulo: Junta Geral de
Educação Cristã da Igreja Metodista do Brasil, S/D.
SCHÜLER, Arnaldo. Dicionário Enciclopédico de Teologia. Rio Grande do Sul: Concórdia Editora e Editora Ulbra, 2002.
WYNKOOP, Mildred Bangs. Fundamentos da teologia Armínio Wesleyana. Tradução Eduardo Rodrigues da Silva. Campinas (SP): Casa Nazarena Publicações, 2004.
Zabriskie, Alexander C. Anglican Evangelicalism. Philadelphia, 1999.