
A Reforma Protestante foi um evento de extrema importância, não
somente para os evangélicos e luteranos, a mesma impactou todo o mundo da
época. E sua influência não permaneceu naquele momento, mas refletem até os
dias de hoje. A educação, a saúde, as famílias, cidades e faculdades, cada uma
dessas áreas, entre outras, foram influenciadas pela Reforma.
É importante salientar que Lutero foi somente aquele que “abriu
as portas” para a Reforma. Muitas outras pessoas, antes dele, prepararam o
caminho para que ele pregasse as 95 Teses na porta da capela de Wittenberg.
Outro fator importante a se ressaltar, assim como afirma DREHER: Lutero não
quis ser rebelde. Era conservador por natureza e assim permaneceu até o fim da
vida [...].
Acontece, porém, que o mundo de seus dias era rebelde. De todos os
lados, torrentes de rebeldia cercavam-no e chegavam até seu quartinho na torre
do mosteiro de Wittenberg, onde se debruçava sobre a Bíblia e ‘só’ queria lê-la
e entender a ‘clareza’ do texto”. Nunca foi de seu desejo iniciar uma revolta,
se separar da Igreja da época ou “criar uma nova Igreja”.
Seu desejo era somente que as pessoas, que eram oprimidas por
medos, angústias e dúvidas, tivessem a ajuda que a Palavra de Deus lhes
oferecia. Lutero não concordava com as indulgências e as demais opressões que o
povo sofria em seu tempo. Ao pregar as 95 Teses ele o fez para conversar e
esclarecer questões que eram contra a Palavra. Porém, isso surtiu um efeito
maior do que ele mesmo esperava. DREHER afirma: O texto circulou e foi enviado
a muitas pessoas, copiado, impresso em diversos formatos, traduzido ao alemão,
lido para analfabetos e, naturalmente, discutido. Em duas semanas, tornou-se
conhecido em toda a Alemanha. Como assim? O caso é que toda a Alemanha que se
queixava das indulgências leu as teses [...]. Ele não tinha em mente bater na
igreja. Estava convidando para um debate por meios acadêmicos. Este, porém, não
acabou como esperado. A igreja católica, após muitos debates e conversas, não
aceitou os apontamentos de Lutero, que foi excomungado pelo Papa Leão X, em 3
de Janeiro de 1521.
Não somente isso, ao ser excomungado, Lutero se tornou um
fora-da-lei pelo Imperador Carlos I, da Espanha. Ele arriscou sua vida para
fazer o que era certo, antes de ser excomungado ele disse: “Se não me
provarem pelas Escrituras Sagradas que eu estou errado, não me retratarei!”
Falou isso porque fora obrigado a negar tudo o que estava fazendo desde que
pregou as 95 Teses. Ele foi fiel até o fim, não a um pensamento próprio, mas a
Palavra de Deus. Como diz o pastor e escritor WEINGÄERTNER: Bem no íntimo, suas
teses não são mero protesto contra um gritante abuso, mas são um grito de
alerta contra o que é falso e ilegítimo na igreja, e um chamado para o que é
verdadeiro e legítimo no ser e agir do povo de Deus - um chamado para o próprio
Cristo, que de si mesmo disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ainda
hoje, os feitos dele, e de tantos outros que o ajudaram, repercutem. Não
devemos entregar nossa vida lutando por a instituições. Nosso olhar deve ser
crítico e conduzido, não por nossa força, habilidade ou capacidade, mas pelo Espírito
Santo de Deus. Sem Ele nada podemos fazer, pois é Ele quem guia, capacita e
sustenta a Igreja de Cristo (At 1. 8).
Lutero foi uma pessoa comum, que viu os problemas que haviam em seu
tempo, porém ele não se calou. Vendo o que a igreja estava fazendo, agiu
sabendo que era o certo. Ele não foi um “super-humano”, mas um servo de Jesus
Cristo, que entendeu o que precisava fazer. Esse entendimento veio de um
relacionamento profundo e constante com o Pai, o Filho e o Espírito Santo (WEINGÄERTNER,
1996, p. 28-29). Se nós, cristãos, nos dias de hoje, podemos aprender algo com
esse reformador, é que devemos nos submeter a Jesus Cristo por toda nossa vida,
pois ele entregou a sua por cada um e cada uma de nós.
Luís Felipe Correa Folster
Bacharelado em teologia pela FATEV - Curitiba PR,
atualmente é ministro religioso
candidato a missionário na cidade de Arabutã SC
Bibliografia
do Artigo
DREHER, M, N. De
Luder a Lutero: uma biografia. São Leopoldo: Sinodal, 2017. pg. 70-71.
WEINGÄERTNER,
Lindolfo. O verdadeiro tesouro da Igreja: as 95 Teses de Lutero sondadas e
interpretadas por Lindolfo Weingäertner. São Leopoldo: Editora Sinodal,
1996.
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