Translate

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

RESENHA: Papas, imperadores e hereges na Idade Média

 Editora: Vozes -  Nº de páginas: 216 -  Preço: R$ 44,80
 Autor: José D´Assunção Barros
 Link para compra do livro: 
http://www.universovozes.com.br/livrariavozes/web/view/
DetalheProdutoCommerce.aspx?ProdID=8532643914&
            Esse livro faz parte de um projeto editorial [A Igreja na História] mais amplo que tem como objetivo oferecer ao público-leitor, através da ótica de autores brasileiros, uma percepção das temáticas relacionadas à história do cristianismo e, por conseguinte da Igreja.
            A História da Igreja Cristã pode ser muitas coisas, mas nunca enfadonha. Os mais diversos atores históricos que dela fazem parte, as mais diversas tendências entrevistas no cristianismo, as suas múltiplas relações com o mundo social-político, somados aos aspectos culturais, econômicos a tornam não apenas complexa, mas também fascinante.
            O livro aqui apresentado é uma coletânea de ensaios produzida pelo autor, tendo como fio condutor a Igreja no período medieval, e suas múltiplas relações sociais, politicas e culturais. Abre o livro um interessante  artigo apresentando as discussões sobre as “Passagens da Antiguidade Romana ao Ocidente Medieval”, muito oportuno, pois é nesse momento temporal-histórico que a religião cristã emerge e se consolida como modeladora do medievo.
            Nos demais capítulos o autor oferece uma janela de onde o público-leitor pode ter uma visão privilegiada das relações complexas e muitas vezes tensas e conflituosas em decorrência da cosmovisão cristã em contraposição aos poderes estabelecidos, às praticas sociais cotidianas e ao mundo do trabalho e das hierarquias sociais.
            Evidentemente que as tensões e conflitos externos acabam por gerar sintomas semelhantes na vivência da própria Igreja como instituição. Na mesma medida em que ela vai estabelecendo sua ortodoxia teológico-eclesiástica, surge o contraponto que recebem a denominação de heresias, conforme o autor expõe no segundo capítulo “Heresias na Idade Média”.
            Em seu terceiro capítulo “Trifuncionalidade Medieval” o autor expõe as relações do cristianismo e da Igreja com a estruturação das sociedades medievais e sua participação efetiva na construção de novas propostas. Complementa o quarto capítulo com as relações entre Igreja e Política, com suas tensões e articulações, que às vezes são benéficos tanto para o império quanto para Igreja, mas que em tantos outros momentos tornam-se campo de batalhas antropofágicas entre o poder eclesiástico e o poder imperial.
            No quinto capítulo o autor apresenta uma discussão interessante do “fransciscanismo na Idade Média”, nos trazendo esse que foi um dos maiores movimentos da religiosidade cristã desde o Pentecostes.  Por fim, o autor conclui com um capítulo dedicado às relações profícuas entre Igreja e Universidade, que posteriormente demarcaram o raiar da Idade Moderna.
            O autor se esforça em situar todas essas problemáticas no contexto das discussões historiográficas, por isso, oferece as fontes históricas disponíveis para que se prossiga nas discussões propostas.
            Essa obra literária “Papas, imperadores e hereges na Idade Média” certamente contribuirá para uma compreensão mais ampla da História da Igreja Cristã em suas múltiplas relações com a Sociedade do medievo em que ela se fez inserir, moldando e sendo moldada.
Me. IPG
Ciências da Religião

Autor: José d’Assunção Barros - Doutor em História pela Universidade Federal Fluminense (1999), mestre em História pela Universidade Federal Fluminense (1994), graduado em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1993), graduado em Música (Composição Musical) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1989). Professor Adjunto da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Na área de História, tem atuado principalmente com temáticas ligadas às seguintes áreas: Historiografia, Teoria da História, Metodologia da História, História Cultural, História da Arte, Cinema-História.

Artigos Relacionados
HISTÓRIA DA IGREJA CRISTÃ: Atos o Primeiro Documento Histórico
HISTÓRIA IGREJA CRISTÃ - Contexto Inicial
CIDADANIA ROMANA
DIDAQUÊ: Introdução - O Manual Mais Antigo da Igreja Cristã
CARTA A DIOGNETO: Introdução
Reações Católicas ao Movimento da Reforma Protestante do Século XVI
REFORMA RELIGIOSA: Por que Ocorreu no Século XVI

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

OS PRESBITERIANOS VEM DA AMÉRICA DO NORTE

Baia da Guanabara vista pelos primeiros missionários americanos
Os movimentos reformistas do século XVI se espalharam rapidamente por toda a Europa. Mas o Brasil ficou completamente alienado de todo estes movimentos, ainda que veio a ser inserido no mapa mundial no mesmo ano do início da Reforma Protestante, os 1500. Mas tirando as duas tentativa, as frustradas, primeiro com a invasão dos franceses e sua França Antártica transvestida de huguenotes (reformados franceses), de curtíssima duração (1555-1560) na Baia da Guanabara no Rio de Janeiro e posteriormente outra invasão, desta vez dos holandeses que haviam adotado a religião protestante, mas que estavam muito mais interessado no domínio do açúcar brasileiro, sendo esta a razão pela qual iniciaram suas invasões pela costa litorânea do nordeste brasileiro (Bahia e Recife) onde haviam os maiores engenhos açucareiros; pelo fato de terem permanecido por mais tempo (1630-1654) acabaram deixando vestígios mais delineáveis na alma e historiografia brasileira.
O resultado prático destas duas tentativas frustradas e se inserir um protestantismo à base de invasões, foi que os portugueses e seu catolicismo romano ilustrado fecharam completamente o Brasil para toda e quaisquer influências religiosas externas, que somente foram reabertas nos fins dos oitocentos, ou seja, quase trezentos anos depois dos movimentos reformistas que mudaram completamente a Europa. Portanto, o protestantismo que chega aqui no Brasil não é o mesmo de Lutero, Calvino e seus companheiros dos primeiros anos da Reforma Protestante, mas um protestantismo que passou a infância e adolescência na Inglaterra e sua fase adulta na América vizinha do Norte. No final dos oitocentos serão, portanto, missionários advindos dos EUA que aportaram no Brasil, trazendo em suas bagagens um protestantismo moldado pelos conceitos denominacionais americanos.
Frustrados com a Reforma da Igreja inglesa, os dissidentes, denominados deforma geral de Puritanos, entre eles os Presbiterianos, que por anos aspiraram o desejo de ver a Igreja da Inglaterra (Anglicana) moldada segundo seus ideais teológicos e eclesiásticos, com a ascensão de Carlos II e o restabelecimento do sistema episcopal, veem suas expectativas desvanecer e ceder lugar a um total desapontamento, que os impulsionam a começar algo novo. Assim, a transferência dos Presbiterianos e demais não conformistas para o Novo Mundo foi o fator isolado mais importante na modelação dos fundamentos religiosos da América do Norte, onde haverão de encontrarem um ambiente profícuo para se estabelecerem e expandirem.
Os diversos grupos separatistas ingleses e sua transposição para os Estados Unidos está totalmente envolta na pré-disposição de separar-se do Anglicanismo e posteriormente separar-se da própria Inglaterra no movimento de Independência americana.
Estas igrejas independentes, mais particularmente o trio: presbiterianos, congregacionais e metodistas forjaram os característicos distintivos, a forma e o poder do Protestantismo americano, que posteriormente irá expandir-se sobre um número crescente de países, incluindo o Brasil.
Desde o século XVII o calvinismo já estava estabelecido na América do Norte, em Massachusetts nas cidades de Plymouth, em 1620, e Salem e Boston, em 1630, mas o sistema de governo era congregacional e não presbiteriano.
Mas, a partir de meados do século XVIII milhares de presbiterianos, mais acentuadamente de origem escocês-irlandeses, desembarcaram na América do Norte, alcançando um número expressivo de 250 mil imigrantes que atravessaram o Atlântico até 1775. Estabeleceram-se em cidades como Nova Jersey, Pensilvânia, Maryland, Virgínia e nas Carolinas. A cidade de Pittsburgh, ao oeste da Pensilvânia, ostentou o título da cidade mais presbiteriana dos Estados Unidos. A relevância destas informações peculiares está no fato de que os primeiros missionários presbiterianos a aportar em terras brasileiras são originários da região da Pensilvânia, incluindo o Rev. Ashbel Green Simonton o pioneiro entre eles.
Após um longo período em que as igrejas presbiterianas permaneceram dispersas, em 1706 constituiu-se o primeiro Presbitério[1] na Filadélfia e em 1717 organiza-se o primeiro Sínodo composto por quatro presbitérios. Em 1729 adota-se oficialmente a Confissão de Fé e os Catecismos de Westminster como padrão doutrinário. Para não fugir à regra de 1741 a 1758 os presbiterianos se dividiram por causa de diferenças acerca do avivamento e da educação teológica. A chamada Nova Escola (New School), apoiada pelo Sínodo[2] de Nova York, era aberta para as influências congregacionais que promoviam o chamado movimento de reavivamento, onde se enfatizava a livre escolha do ser humano para aceitar ou rejeitar a mensagem do evangelho e/ou a salvação. O outro grupo denominado de Velha Escola (Old School), apoiada pelo Sínodo de Filadélfia, arraigados ainda nos ideais teológicos dos imigrantes escocês-irlandeses, defendia a todo custo os símbolos de Fé de Westminster e extremamente rígidos quanto as suas estruturas eclesiais. (MATOS, 2000, pp. 31-34; HAUCK, 1985, pp. 244-245).
Outra divisão que deve ser destacada é a que ocorre em 1857 e 1861, causada pela questão da escravidão. As igrejas presbiterianas do Sul, tanto da Nova quanto da Velha Escola, apoiaram a continuidade da escravidão, de maneira que rompem com as igrejas do Norte, que defendiam a liberdade de todo tipo de escravidão. Esta ruptura produziu as duas principais denominações presbiterianas americanas: a Igreja do Norte (PCUSA) e a Igreja do Sul (PCUS). São estas duas denominações que haverão de enviar os primeiros missionários presbiterianos ao Brasil – Ashbel G. Simonton em 1859 (PCUSA) e Edward Lane e George N. Morton em 1869 (PCUS). Certamente que está bifurcação denominacional americana haverá de se reproduzir em sua transplantação no campo missionário brasileiro.
É preciso destacar um aspecto importante que é o conceito de “denominação” que vai ser amplamente estabelecido e difundido. A ideia é de que a verdadeira igreja não pode ser enclausurada em uma única forma eclesiástica, de maneira que cada forma eclesiástica diferente é uma parte da verdadeira igreja e que a somatória de todas elas expressa a Igreja verdadeira.
Diferentemente das missões europeias que Troeltsch chama de “igreja oficial” onde as missões fazem uso da infraestrutura colonial para implantar e expandir suas ações; nas missões norte americanas cada denominação forma sua própria Agência Missionária, que prepara, envia e sustenta seus missionários, que por sua vez implantam as respectivas denominações nos países a que foram enviados.
Tudo isso já estava embrionariamente gestando nos escritos de Lutero e de Calvino. O primeiro declarava que a diversidade institucional era inevitável nesta terra, e que “nesta vida a igreja não é adequadamente entendida em relação a essas questões”; igualmente Calvino declara que é impossível traçar fronteiras precisas para a igreja de Cristo, pois não é possível detectar com total exatidão os que realmente são eleitos de Deus. (SHELLEY, 2004, p. 34).
Mas é na América do Norte que este conceito denominacional alcança seu ápice, pois naquele momento histórico era uma resposta “divina” para a multifacetada fé cristã experimentava no Novo Mundo.
Entretanto, apesar de o conceito denominacional ter sido adotado amplamente, como já foi mencionado, todas as vezes que divergências surgem na área teológica ou eclesiástica, a primeira reação é sempre a de suprimir, pois prevalece o antigo conceito de que somente pode haver uma forma verdadeira de se expressar a fé cristã e, portanto, de ser igreja, tornando a convivência harmoniosa com as diferenças inaceitável, forçando à única outra possibilidade – a ruptura.
Por fim, mas não menos relevante está o fato de que nesse período histórico um forte movimento espiritualista esta penetrando as denominações evangélicas americanas, chamado de Pietismo.  Os pietistas tem uma visão dicotômica de Igreja X Mundo, de maneira que qualquer coisa que tenha jeito ou forma de mundanismo deve ser rejeitado (talvez explique, em parte, o espírito alienante social do protestantismo histórico brasileiro). Paralelamente o movimento pietista atua fortemente numa vida cristã/espiritual mais profunda em sua relação com Deus e na pregação da mensagem evangélica de conversão (revival). Os missionários americanos que estabeleceram as primeiras denominações protestantes no Brasil são filhos legítimos dessa visão de mundo e do "revival" ocorrido nos Estados Unidos, no século XIX.  O caso mais peculiar é a do pioneiro Ashbel G. Simonton. O jovem Simonton experimenta com toda intensidade a força da conversão produzida pela pregação dos revivais característico da Escola Nova, mas toda sua formação teológica e seu envio como missionário foi feito por meio de uma igreja da Escola Antiga. Desta maneira, o presbiterianismo brasileiro nasce com uma forte ambiguidade, tendo uma pregação espelhada nos revivais, centrada no apelo à conversão através de uma experiência de fé pessoal (Escola Nova), amplamente manifestada nos púlpitos e uma tendência ortodoxa, conservadora (Escola Velha), entrincheirada nos Seminários e nas estruturas conciliares, que vai desenvolver um forte espírito autoritário. (MENDONÇA e VELASQUES, 1990).

A relevância destas informações, está no fato, já mencionado, que os primeiros missionários no Brasil saem deste contexto fragmentário do presbiterianismo americano.

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
Outro Blog
Reflexão Bíblica

Artigos Relacionados
As Primeiras Aberturas ao Protestantismo
Os Primeiros Convertidos e as Primeiras Igrejas Protestantes Brasileiras
O Trabalho Desenvolvido por Ashbel Green Simonton e Seus Companheiros
Primeiros Contatos - Invasões Francesa e Holandesa
A Transferência da Família Real Portuguesa
Independência e a Primeira Constituição Brasileira

Referências Bibliográficas
BONINO, José Míguez. Rosto do protestantismo latino-americano. São Leopoldo: Sinodal, 2003.
LÉONARD, Émile-G. O protestantismo brasileiro: estudo de eclesiologia e história social. 2ª ed. Rio de Janeiro e São Paulo: JERP/ASTE, 1981.
MATOS, Alderi Souza de. Erasmo Braga, o protestantismo e a sociedade brasileira – perspectivas sobre a missão da igreja. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2008.
MENDONÇA, Antônio Gouvêa. O Celeste Porvir – A inserção do protestantismo no Brasil. São Paulo: Paulinas, 19 4.
MENDONÇA, Antonio Gouvêia e VELASQUES FILHO, Prócoro. Introdução ao protestantismo no Brasil, 2ª ed. São Paulo: Loyola, 2002.
RIBEIRO, Boanerges. Protestantismo no Brasil monárquico (1822-1888): aspectos culturais da aceitação do protestantismo no Brasil. São Paulo: Pioneira, 1973.
SCHALKWIJK, Frans Leonard. Igreja e Estado no Brasil holandês (1630 a 1654), 3ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2004 (1986).
SILVA, Elizete da. Protestantismo e questões sociais. Sitientibus, Feira               de Santana, nº 14, 1996, pp. 129-42. Disponível em: http://www2.uefs.br/sitientibus/pdf/14/protestantismo_e_questoes_sociais.pdf
SIMONTON, A. B. O diário de Simonton – 1852-1866. 2ª ed. revisada e ampliada com mapas e fotos. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2002.SO
SOARES, Caleb. 150 anos de paixão missionária – o presbiterianismo no Brasil. Santos (SP): Instituto de Pesquisa Cristã, 2009.
VIEIRA, David Gueiros. O protestantismo, a maçonaria e a questão religiosa no Brasil. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1980.




[1] Na estrutura eclesiástica federativa presbiteriana cada igreja local compõe seu Conselho; um grupo de igrejas, mormente da mesma região geográfica, formam um Presbitério que passa a ter jurisdição sobre elas.
[2] Alguns Presbitérios formam um Sínodo, que passa a ter jurisdição sobre eles, assim como ocorre com o Presbitério em relação às Igrejas.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

GLOSSÁRIO HISTÓRICO-TEOLÓGICO - Letra A


Anglicanos [anglicanismo] - de Anglo, "Inglês"). Refere-se à Reforma Religiosa na Inglaterra promovida pelo rei Henrique VIII, que se desenvolveu paralelamente aos outros movimentos que ocorria simultaneamente na Alemanha (Lutero) e Suíça (Zwínglio e Calvino). Na verdade Henrique VIII promove uma Reforma sem muita Reforma, e o aspecto mais relevante é o rompimento com Roma e de que ele (rei) assume a liderança da Igreja em lugar do Papa.  Também denominada de "Igreja da Inglaterra" e posteriormente quando da independência dos EUA da Inglaterra passou a ser denominada de “Igreja Episcopal".
Abba. Vem do grego ἀββα de origem aramaica (אבא) pela qual a criança chamava o “pai” ou “papai”. Na evolução da língua este termo saiu da esfera infantil para ser empregada também por filhos e filhas adultos, adquirindo o tom caloroso e familiar que se pode sentir em expressão tal como “papai querido”.
Adocianismo. Doutrina que surgiu no século VIII. Ensinava que Jesus foi adotado (possivelmente no seu batismo) pelo Pai e por essa razão veio a participar da Deidade, sendo, portanto, negada a existência eterna de Cristo e sua encarnação. Depois de muitos debates foi rejeitada pela teologia ortodoxa da Igreja Cristã.
Agnosticismo. Foi Thomas Huxley quem cunhou esse termo “agnóstico” como contraponto antitético ao termo “gnóstico” para, segundo ele, manter-se distante tanto da ortodoxia teológica radical asfixiante, bem como uma forma de repudio aos rótulos materialista, ateu e positivista. Suas bases estão vinculadas às teses kantianas sobre os limites da razão especulativa e da relatividade do conhecimento. Os agnósticos admitem sua ignorância sobre a natureza fundamental do universo físico, assim como sobre a existência e os atributos do divino.  Na linguagem comum, normalmente se refere a uma posição neutra ou pelo menos duvidosa a cerca da questão da existência de Deus. Para o agnóstico se há um Deus ou uma divindade, todavia, esse ser é impossível de ser conhecido; tais pessoas abstêm-se de compromisso com qualquer doutrina ou credo religioso. Ainda que muitos confundam os agnósticos não são ateus.
Agrapha. Em geral refere-se aos ditos (palavras) não-oficiais de alguém. Os estudiosos dos escritos evangélicos utilizam para identificarem os ditos de Jesus encontrados fora dos quatro evangelhos canônicos. Pode ser em outros livros bíblicos (Atos 20.35) ou nas chamadas literaturas apócrifas, como o Evangelho segundo Tomé, Evangelho de Maria (Escritos do Mar Morto).
Albigenses [Cátaros]. Inicialmente conhecidos como Cátaros (do grego καϑαρός katharós, "puro") foi um movimento de ascetismo extremo dentro do cristianismo na Europa Ocidental entre os anos de 1100 e 1200. Posteriormente proliferou fortemente no sul da França, mais precisamente na cidade de Albi, razão pela qual passaram a serem conhecidos por “albigenses”. Eram extremamente críticos da Igreja Cristã institucional e propunham conceitos teológicos divergentes e por esta razão foram rejeitados e posteriormente perseguidos violentamente, no que ficou conhecida como Cruzada contra os Albigenses (1209-1229). A famigerada Inquisição Católica Romana tem sua origem no extermínio dos albigenses e valdenses. 
Alegoria. A palavra grega (ἀλληγορέω - ocorre apenas em Gálatas 4:24) significa "falar de outra forma," uma alegoria é uma descrição de uma coisa sob a imagem de outro. Posteriormente tornou-se um método de interpretação de textos bíblicos, principalmente aqueles que impunha alguma dificuldade maior para se ajustar à teologia ortodoxa cristã. Um exemplo clássico é o livro de Cantares, onde os interpretes alegóricos procuram apresentar um sentido mais “profundo” ou "espiritual" existente por detrás do significado literal.
Alta crítica. Refere-se à forma de interpretar a literatura e historicidade dos textos. Surgiu na Europa do século XIX dominado pelo pensamento racionalista. Suas  perguntas sobre a origem e composição do texto, incluindo quando e onde se originou; como, por que, por quem, para quem, e em que circunstâncias ele foi produzido; quais influências sofreu o texto quando de sua produção, e que fontes orais ou escritos originais podem ter sido usados na sua composição; qual é a mensagem do texto como expressa na sua língua original, incluindo o significado das palavras bem como a maneira pela qual elas foram colocadas nas formulações das frases ou sentenças. O embate no que se refere aos textos bíblicos não está no método em si, mas no fato de que esta escola crítica se baseia unicamente na razão, desprezando qualquer sentindo de revelação/inspiração e também são especulativos por natureza. Quando despidos desta fobia racionalista o método torna-se útil para o estudo da Bíblia. Amilenismo. Uma das formas de se interpretar Apocalipse 20 que se refere ao Reino milenar (mil anos) de Cristo. O amilenismo interpreta que não haverá um reino físico futuro de Cristo na Terra, mas que o texto bíblico aponta para o período simbólico de tempo entre a ascensão de Cristo e seu Advento/Vinda em poder e glória.  E espiritualizam o Milênio e dizem que ele representa o reino atual de Cristo no Céu durante a totalidade da era da Igreja. O grande divulgador dessa interpretação amilenista foi Agostinho de Hipona, o famoso teólogo norte-Africano, que em seu famoso livro “Cidade de Deus” expõe a sua compreensão madura dos "mil anos" de Apocalipse 20.3-6. Sua interpretação influenciou o ponto de vista da maioria dos cristãos no Ocidente, incluindo os reformadores, por quase um milênio e meio.
Animismo. A palavra tem raízes latinas e significa "alma" ou "vida" e está relacionada com outras palavras como "animal" e "animado" (ou "inanimado"). É importante saber que "animismo" é uma palavra que os observadores dessa prática, como antropólogos, têm usado para descrever este sistema de crenças; é a crença de que os animais, plantas, rios, montanhas e outras entidades na natureza contêm uma essência espiritual interior. O animismo tem muitas formas, que refletem o meio geográfico, a história cultural religiosa ou espiritual, e a visão de mundo distinta dos grupos de pessoas que praticam suas diversas expressões, tanto no Oriente como no Ocidente, em expressões religiosas tais como: budismo, hinduísmo, xamanismo, jainismo, bem como outras espiritualidades. O chamado neopaganismo (movimento religioso/espiritualista/ecológico) tem se nutrido dos conceitos animistas para fundamentar suas teses ecológicas.
Antropologia. É palavra composta por dois termos gregos: “Anthropos” (ser humano), e o sufixo “logia” (estudo), é o estudo científico das origens dos seres humanos, como mudaram ao longo dos anos, e como se relacionam uns com os outros, tanto dentro da sua própria cultura e com pessoas de outras culturas. Cada cultura tem seus próprios rituais particulares, comportamentos e estilos de vida, e os antropólogos documentam as características peculiares desta multiforme experiência humana. Na teologia, representa o conceito bíblico dos seres humanos, inclusive nossa criação, o pecado e nosso relacionamento com Deus. No campo de Missões produziu uma abertura para uma inteiração cultural (missão transcultural), permitindo uma comunicação mais efetiva da mensagem evangélica.
Apologética. É um discurso argumentativo sistemático, usualmente utilizando princípios intelectuais, em defesa de uma tese. Quando aplicada à religião cristã torna-se a forma pela qual se faz a defesa da origem divina e autoridade do cristianismo bíblico. Em seus extremos torna-se belicoso e discriminativo para com todos os que não pensam semelhantemente. Muitos fazem da apologia uma arma e da defesa da fé uma guerra – em nome de Deus milhões foram mortos e continuam sendo mortos.
Apóstolo. A palavra significa "mensageiro". Dois grupos deles são mencionados no Novo Testamento. Os Doze, especialmente treinados e comissionados por Jesus para serem testemunhas primárias de sua ressurreição e de seus ensinos e para disseminar Seu Evangelho. A palavra também é aplicada a outros diretamente comissionados por Cristo, inclusive a Paulo, Barnabé, Andrônico, Júnia e Tiago, irmão do Senhor e em seu sentido mais lato a todos os cristãos em todos os tempos e lugares.
Arianismo. Ário, foi um bispo da igreja de Alexandria que em 319 d.C, aproximadamente, começou a ensinar que Jesus Cristo é um espírito criado por Deus antes da criação do Universo, por isso primogênito, mas Cristo não compartilha a essência, ou substância, de Deus, portanto, não é Deus, possuindo tão somente uma perfeita essência da semelhança, que o ser humano tinha, mas perdeu depois da queda. Ele e sua tese foram a razão da convocação do primeiro Concílio de Nicéia onde o tema foi amplamente debatido e rejeitado e o termo grego “homoousios” [consubstanciais, da mesma substância] passou a ser utilizado para definir a relação do Filho com o Pai. Mas apesar de ser condenado o ensino ariano permeou o pensamento de grande parte do cristianismo por muitos séculos e ainda hoje, pode ser visto nos ensinos dos chamados Testemunhas de Jeová.
Arminianismo. Uma forma de pensamento teológico elaborado pelo teólogo holandês Jacobus Arminius (1559-1609). Muitas vezes referida como "anticalvinismo", o Arminianismo defende a liberdade da vontade humana como princípio básico e, portanto, nega duas ideias fundamentais do pensamento teológico de João Calvino: a predestinação e a irresistível graça de Deus. Armínio afirmava que é possível resistir à graça de Deus porque todos os seres humanos são responsáveis. Depois de um ano (1610) da morte de Armínio, quarenta e seis ministros e leigos holandeses respeitados redigiram um documento chamado “Remonstrância” que resumia a rejeição, por Armínio e por eles mesmos, do calvinismo rígido. Em decorrência do título do documento, os arminianos passaram a ser chamados de remonstrantes. Embora Armínio fosse acusado de Pelagianismo (uma ênfase exagerada na vontade livre) e outras heresias, seus críticos não trouxe nenhuma prova destas acusações. A Igreja Metodista, Luterana, Episcopal, Anglicana, Pentecostais e Batistas, não todas, adotam a teologia arminiana.
Arrependimento. Há três palavras no grego usadas no Novo Testamento para designar arrependimento: (1) O verbo “metamelomai” é usado para se referir a uma mudança de mente, tais como de arrependimento ou mesmo remorso em relação ao pecado, mas não necessariamente uma mudança de coração, é usada com referência ao arrependimento de Judas (Mat. 27: 3); (2) “metanoeo”, refere-se à mudança de mente e propósito, como o resultado do conhecimento; este verbo, com (3) o cognato substantivo “metanoia”, é usado para identificar o verdadeiro arrependimento, uma mudança de mente e de propósito e de vida, decorrente da remissão/perdão dos pecados e um buscar o Reino de Deus e sua justiça.
Ateísmo. Vem do grego áthe(os) sem deus (+ ismo) - se refere a pessoa que não professa qualquer crença religiosa. Um ateu é alguém que nega a existência de uma divindade ou de seres divinos. Desde a muito o número de ateus tem crescido no mundo, na Europa onde está avançado o processo de secularização e cresce fortemente no Brasil onde o ceticismo religioso e a mentalidade marxista tem impregnado a mente de adolescentes e jovens decepcionados com o mercantilismo barato da religião.
Autógrafos. Referem-se aos manuscritos originais produzidos pelos autores humanos das Escrituras. Provavelmente, tanto circularam e tantas vezes foram copiados que se perderam. Não se tem notícia da existência de nenhum deles hoje em dia, mas preservadas uma grande quantidade cópias muito antigas e que possibilitam se alcançar um alto grau de confiabilidade e fidelidade dos textos.

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
me.ivanguedes@gmail.com
Outro Blog
Historiologia Protestante
http://historiologiaprotestante.blogspot.com.br/

Contribua para a manutenção deste blog


Artigos Relacionados

GLOSSÁRIO DE HERESIAS
VOCABÚLÁRIO BÍBLICO
GLOSSÁRIO BÍBLICO [Ampliado]