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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Confissão de Fé Belga: Origem e Conteúdo

Confissão de Fé Belga: Origem e Conteúdo

A Confissão de Fé Belga surgiu no contexto das severas perseguições contra os protestantes reformados nos Países Baixos, então governados pela monarquia católica espanhola de Filipe II. Seu principal autor foi Guido de Brès (1522–1567), pastor e teólogo reformado [cf. artigo específico abaixo referenciado], auxiliado por outros líderes, como Adrien de Saravia e Herman Moded. Escrita originalmente em francês, em 1561, a Confissão teve um propósito claramente apologético e pastoral: demonstrar às autoridades civis que os reformados não eram rebeldes políticos, mas cristãos fiéis às Escrituras. Nesse sentido, o documento foi inclusive lançado sobre os muros do castelo de Tournai, acompanhado de uma carta ao rei, solicitando tolerância religiosa e afirmando a legitimidade bíblica da fé reformada. Assim, sua origem está diretamente ligada à perseguição, à necessidade de definir publicamente a fé e à defesa da identidade das igrejas reformadas.

A autoria de Guido de Brès confere à Confissão não apenas valor teológico, mas também profundo significado histórico e espiritual, pois ele confirmou seu testemunho com o próprio martírio, em 1567. A Confissão apresenta, de forma sistemática, as principais doutrinas da teologia reformada, abordando a autoridade das Escrituras, a doutrina de Deus, a pessoa e a obra de Cristo, a salvação pela graça, a natureza da igreja, os sacramentos e a relação com as autoridades civis. Embora não tenha sido a primeira confissão da Reforma, ela ocupa um lugar de primazia entre os documentos confessionais reformados, por sua clareza, maturidade e equilíbrio, podendo ser colocada ao lado de documentos como a Confissão de Augsburgo, no contexto luterano, e o Catecismo de Heidelberg, no contexto reformado, distinguindo-se especialmente por sua forte ênfase na doutrina da igreja.Sua importância foi oficialmente reconhecida no Sínodo de Dordrecht (1618–1619)[1] [Sínodo de Dort, forma abrevia e bastante comum], quando foi adotada como um dos padrões doutrinários das Igrejas Reformadas,[2] tornando-se parte das chamadas Três Formas de Unidade: Confissão Belga (1561); Catecismo de Heidelberg (1563) e os Cânones de Dort (1618–1619).

Dessa forma, a Confissão Belga consolidou a identidade das igrejas reformadas continentais,[3] promoveu unidade doutrinária em meio à perseguição e estabeleceu uma clara definição da fé reformada em contraste com o catolicismo romano e outros movimentos. Seu legado permanece até hoje, sendo considerada um dos mais importantes documentos confessionais do protestantismo reformado, não apenas por sua antiguidade, mas por sua fidelidade às Escrituras, sua profundidade teológica e seu testemunho nascido em meio ao sofrimento. Preservando sua doutrina e servindo como referência teológica para a igreja ao longo dos séculos. 

Resumo da Confissão Belga

A Confissão possui 37 artigos, que tratam de temas centrais da fé reformada:

·        Deus e Escritura:

o   Afirma a autoridade suprema da Bíblia como Palavra de Deus.

o   Defende a Trindade e a soberania divina.

·        Cristo e Salvação:

o   Enfatiza a obra redentora de Cristo e a justificação pela fé.

o   Rejeita méritos humanos como meio de salvação.

·        Igreja:

o   Define a verdadeira Igreja como aquela que prega fielmente o evangelho, administra corretamente os sacramentos e pratica a disciplina eclesiástica.

o   Reconhece a necessidade de unidade e rejeita abusos clericais.

·        Sacramentos:

o   Reconhece apenas dois sacramentos: Batismo e Ceia do Senhor.

o   Rejeita a transubstanciação e práticas consideradas não bíblicas.

·        Autoridade civil:

o   Afirma que os cristãos devem respeitar as autoridades, desde que não contrariem a Palavra de Deus.

o   Essa parte foi crucial para mostrar que os reformados não eram revolucionários políticos.

 

Utilização livre desde que citando a fonte

Guedes, Ivan Pereira

Mestre em Ciências da Religião.

Universidade Presbiteriana Mackenzie

me.ivanguedes@gmail.com

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[1] Assembleia internacional da Igreja Reformada Holandesa, convocada para resolver a controvérsia arminiana. Rejeitou as doutrinas arminianas e estabeleceu os Cinco Pontos do Calvinismo, consolidando a teologia reformada e reconhecendo oficialmente a Confissão Belga, o Catecismo de Heidelberg e os Cânones de Dort como padrões doutrinários das Igrejas Reformadas.

 [2] Enquanto as Igrejas Presbiterianas seguiram a Confissão de Westminster juntamente com os Catecismos de Westminster [elaboradas posteriormente em (1646-1647]. Desta forma as Igrejas Reformadas e as Igreja Presbiterianas pertencem à tradição calvinista, mas cada uma consolidou sua identidade em torno de diferentes documentos confessionais.

[3] Indicando que essas igrejas surgiram no continente europeu [Suíça, França, Países Baixos, Alemanha, Hungria, etc.], não nos países Britânicos [Inglaterra – Presbiterianos e Congregacionais].


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