Desde o final do século II, a
Igreja Romana foi adquirindo um status diferenciado, pois muitos conflitos
eclesiásticos eram mediados por seus bispos. Diferentemente do que ocorria no
Oriente, em Roma houve poucas divergências teológicas e, portanto, menos
divisões eclesiásticas.
Durante os chamados Concílios Ecumênicos, o bispo de Roma
tinha o mesmo peso e relevância que os demais representantes da igreja cristã.
No primeiro grande Concílio de Nicéia (325), o sexto cânon confere aos bispos
de Roma, Constantinopla, Antioquia e Alexandria, localizadas nos grandes
centros de poder do Império, autoridade igual e equivalente, sem qualquer
primado sobre as igrejas nos domínios imperiais.
No Concílio de Sardes (345 ou
347), abre-se uma fresta que somente se ampliaria, ao delegar ao bispo de Roma
a função de supervisor ou revisor de processos eclesiásticos que estivessem sob
questionamentos. Aqui começa o conflito que produziria o primeiro grande Cisma
entre Oriente e Ocidente.
No Segundo Concílio de
Constantinopla (553), convocado pelo imperador Justiniano I, o então bispo de
Roma, Virgílio, recusou-se a participar e apoiar as resoluções e, por esta
razão, foi exilado. Posteriormente, para ratificar a infalibilidade papal, os decretos
foram reconhecidos.
No Terceiro Concílio de
Constantinopla (680), convocado pelo imperador Constantino Pogonato, que
inclusive presidiu as sessões, o bispo de Roma, Honório, foi condenado e
anatematizado como herege — pois havia dado sua aprovação a um documento
imperial conhecido como Ectese, que apoiava o monotelismo, uma doutrina
condenada que afirmava que Jesus não tinha duas vontades (humana e divina), mas
apenas a vontade divina.
No Quarto Concílio de
Constantinopla (692), convocado pelo imperador Justiniano II, foram reafirmados
os mesmos privilégios para Constantinopla, dados também a Roma, Alexandria,
Antioquia e Jerusalém.
Principais Ajustes
§ Apesar de, durante sete séculos, lhe ter sido negada uma
primazia sobre as igrejas cristãs, os romanos não desistiram de seus
propósitos. Alguns fatores históricos contribuíram para que os romanos
alcançassem seu tão desejado primado, ainda que somente sobre o cristianismo no
Ocidente.
§ O grande fator que alimentava esse desejo de supremacia de
Roma sobre a totalidade do cristianismo era o fato de que havia apenas um
imperador sobre todos. Perguntas eram formuladas em todos os lugares: os bispos
governavam as igrejas, mas quem iria governar os bispos? O bispo da Igreja
deveria exercer a autoridade que o imperador exercia no Império?
§ Inicialmente todos os líderes cristãos eram chamados de
Patriarcas, em Roma passou a ser chamado de Papa (papai).
§ Roma reivindicou para si a autoridade apostólica com base
na tradição de que Pedro foi o primeiro bispo de Roma e, como chefe dos
apóstolos, teria possuído autoridade sobre toda a Igreja. Para isso, utilizavam
dois textos dos Evangelhos: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a
minha igreja" e "Apascenta as minhas ovelhas." A interpretação
era de que Pedro foi o primeiro cabeça da Igreja e que, em seguida, seus
sucessores, os papas de Roma, deveriam continuar exercendo sua autoridade.
§ Entre os dois centros do cristianismo, Constantinopla e
Roma, a segunda soube impor melhor sua autoridade sobre os demais. Manteve-se
mais ortodoxa, enquanto o centro oriental enfrentou intermináveis embates
doutrinários.
§
A Igreja de Roma
implementou um cristianismo prático. Sempre deu muita atenção aos necessitados
e, quando houve períodos de fome ou peste, abriu-se para atender a todos, mesmo
os que não professavam a fé cristã. Auxiliava as igrejas mais carentes em outras
províncias. Uma das cenas mais emblemáticas dessa postura é a de um oficial
pagão em Roma que exigiu que a Igreja mostrasse seus tesouros. O então bispo
romano mandou reunir seus membros pobres e disse: “Estes são nossos tesouros”.
§ O fato de Roma haver deixado de ser a capital do Império,
em detrimento de Constantinopla, foi mais positivo do que negativo para as
pretensões do clero romano. Enquanto na nova capital os imperadores mandavam e
desmandavam nas pendências eclesiásticas, em Roma não havia a figura do
imperador para ofuscar o poder papal, que estendia seu domínio por toda a
região. As lideranças públicas europeias (Ocidente) sempre olharam para Roma
com respeito. Com a distância da nova capital e de seu imperador, e com a proximidade
do declínio do próprio Império, os "ratos" começaram a pular cada vez
mais para o "navio" sob o comando do Pontífice Romano.
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