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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Síntese da História da Igreja Cristã - 2º Século


Quando o cristianismo se torna Igreja
Na medida em que o segundo século vai se desenvolvendo novos perigos começam a rondar a jovem igreja cristã. Ideias e conceitos estranhos começam a penetrar nas centenas e milhares de pequenas comunidades cristãs espalhadas por todo território do Império, tais como o gnosticismo e o montanismo. Em relação ao Império Romano a situação dos cristãos continua precária e sujeita ao humor de cada imperador e/ou governador das províncias. 
O erro, com efeito, não se mostra tal como é para não ficar evidente ao ser descoberto. Adornando-se fraudulentamente de plausibilidade, apresentam-se diante dos mais ignorantes, justamente por esta aparência exterior, é até ridículo dizê-lo como mais verdadeiro do que a própria verdade.
Assim inicia Ireneu sua grande obra Adversus Haereses “Contra as Heresias” (ou Refutação da falsa Gnose), na segunda metade do século II. Ele nasceu em Esmirna (Ásia Menor) em torno de 140 e foi bispo de Lião em 178. Sua maior contribuição é que uniu a tradição da Ásia Menor à tradição romana, que transplantou para Lião, de maneira que adquire valor excepcional seu testemunho situado na confluência do Oriente e do Ocidente.
Enquanto os apologistas que o antecederam se preocupavam com os adversários externos pagãos, Irineu combateu os inimigos internos, pseudos cristãos que desfiguravam a mensagem bíblico-cristã. Os perigos são eminentes e se faz urgente reagir: os gnósticos[1] estão seduzindo rapidamente muitos indoutos cristãos provocando uma desordem crescente dentro do cristianismo, com sua visão dualista do mundo.
Os gnósticos transformaram o cristianismo em uma religião escapista e dualista no que tange à redenção e abandonaram não somente o Antigo Testamento, mas também a antiga compreensão cristã da fé, e o plano da salvação com um estágio inferior no caminho da perfeição. Cristo não era mais considerado como um homem histórico real de carne e sangue, que cumpre as promessas a Israel, mas como um Ser celestial parcialmente místico, de dimensões cósmicas (COMPENHAUSEN, 2005, p. 25).
 Outro perigo está no montanismo com seu exagerado e radical ascetismo (jejum perpétuo, proibiam o casamento, pregavam o martírio) e suas proposições escatológicas (Montano da Frígia com suas auxiliares Priscila e Maximila anunciavam o fim do mundo e a volta iminente de Cristo).   Por outro lado apesar de se afastar cada vez mais do judaísmo o cristianismo não tem um corpus teológico (ortodoxia) claramente definido. O cânon ainda não foi estabelecido, de maneira que proliferam cada vez mais as literaturas cristãs apócrifas; as comunidades cristãs, dispersas depois da queda de Jerusalém e a morte de Tiago, irmão do Senhor, não possuem estruturas sólidas, e todos os tipos de filosofias florescem uma mais absurda do que a outra.
No início do segundo século externamente a situação dos cristãos no Império Romano é precária. As autoridades começam a fazer uma distinção mais clara entre cristãos e judeus. Ainda não há leis especificas sobre os cristãos, mas eles sofrem a hostilidade das populações onde estão estabelecidos, culpando os cristãos pelas catástrofes naturais, pois irritam os deuses por não fazerem sacrifícios. Algumas perseguições ocorrem aqui e ali, ao sabor dos governadores de plantão, mas não de forma sistemática. Há uma crescente onda de intelectuais gregos e romanos que criticam cada vez mais o cristianismo, que consideram uma religião vulgar e para as classes pobres e ignorantes, mas que está se espalhando por todo o Império.
Mas diante deste quadro caótico surge a figura dos apologistas que sonham com a integração da fé cristã com a filosofia demolindo assim os muros dos preconceitos que a rodeiam. Vemos, então, o nascimento de um novo gênero literário: as apologias.[2] Assim como os primeiros cristãos tinham tentado convencer os judeus de que a fé em Jesus era o cumprimento das Escrituras (AT), os cristãos do início do segundo século se esforçaram em provar que o cristianismo é o culminar de toda a busca realizada pelos filósofos gregos.
Os apologetas queriam manifestar diante da opinião pública a verdadeira natureza do Cristianismo Eles tinham a preocupação de demonstrar a conformidade do Cristianismo com o ideal helênico. Proclamavam – na maioria dos casos – a aliança do Cristianismo e da Filosofia. Queriam mais do que somente tolerância. Mostravam que os cristãos eram os melhores cidadãos do Império e que o Cristianismo favorecia a grandeza do Império (FLUCK, 2009, p. 31).
Há vestígios das primeiras obras apologéticas como a de Quadrado,[3] em 124/125 d.C, o qual apresentou, perante o imperador Adriano enquanto este estava em Atenas,[4] uma defesa voltada a afirmar a realidade das curas e ressurreições realizadas por Jesus, com o intuito de defender a verdade do cristianismo. No mesmo período temos a figura de Aristides que encaminhou uma apologia ao Imperador Adriano, contendo 17 breves capítulos. Ele inicia com um proêmio sobre o conhecimento, a existência, a natureza e os atributos divinos; faz então uma exposição sobre a origem das quatro principais religiões que são tratadas nos capítulos seguintes: a dos bárbaros ou caldeus; a dos gregos; a dos judeus e a dos cristãos. Seu objetivo é demonstrar o que é ser cristão, bem como defender o cristianismo das más interpretações:
[...] os cristãos conhecem verdadeiramente a Deus e observam seus mandamentos. Deve-se, pois deixar de caluniá-los e, ao contrário, aproximar-se de sua religião, para não ser condenado no Juízo.
Uma obra emblemática neste esforço apologético será a de Justino, o Mártir. Nascido em Flávia Neápolis, antiga Siquém, de origem pagã, se converteu lendo os escritos neotestamentário,[5] visto que ainda não se havia estabelecido um cânon do Novo Testamento. Mesmo após seu batismo não deixou sua toga de filósofo, pois entendia que a mensagem cristã era a “verdadeira e proveitosa filosofia”. Ele abriu uma escola em Roma e de suas obras foram preservadas duas Apologias[6] e seu “Dialogo com Trifão”.[7] Em sua interpretação dos textos do Antigo Testamento ele vai utilizar o método tipológico, distinto do método alegórico.[8] Para Justino há no Antigo Testamento eventos e personagens que prefiguram outros eventos e a pessoa de Jesus que haveria de vir. Ele será morto, ao lado de mais seis cristãos, por decapitação, por ordem do imperador Rusticus no ano 165 d.C., por defender a ressurreição de Cristo e o dia do juízo final (COMPENHAUSEN, 2005, p. 22).
Justino defendia uma integração do cristianismo na sociedade greco-romana, mas como esperado não agradou a todos. Pelo lado dos romanos há pouco interesse pela religião cristã e pelo lado dos cristãos muitos não desejam ouvir falar de integração, porque entendem que o cristianismo não deve se comprometer com o mundo.
Mas um dos maiores perigos da igreja cristã neste tempo foi a figura de Marcião (81-160) que nasceu em Sinope, no Ponto, às margens do Mar Negro, filho do bispo cristão do lugar, o qual o expulsou, ainda que não saibamos o real motivo. Rico dono de muitos navios. Transferiu-se para Roma por volta de 139, filiou-se à igreja cristã romana, destinando uma quantia volumosa em dinheiro às suas obras de benemerência.[9] Entretanto, seu esforço no sentido de fazer com que a Igreja romana voltasse ao que ele considerava o Evangelho de Cristo e de Paulo resultaram na sua própria excomunhão, por volta de 144. Tendo a esta altura atraído muitos seguidores, fundou uma igreja separada.[10] Ainda que muitos confundam as ideias de Marcião com o movimento Gnóstico, ambos permaneceram como linhas paralelas.[11]
 O movimento sísmico produzido por Marcião foi tão forte e tão amplo que a Igreja Cristã teve que responder de forma contundente: o estabelecimento de um Cânon do Novo Testamento tornou-se indispensável, visto que Marcião havia estabelecido o seu próprio Cânon, rejeitando todo o Antigo Testamento e ficando apenas com o evangelho segundo Lucas e as cartas paulinas; outro desdobramento direto é a elaboração do Credo Apostólico (150 d.C.) provavelmente em Roma, onde cada sentença corresponde a uma resposta às formulações doutrinárias de Marcião.[12]
Diante de tantos perigos que assolam o interior da igreja surgem os primeiros grandes teólogos cristãos. Dentre esses primeiros surge a figura de Irineu, que tem o mérito de ser primeiro sistematizador da fé cristã. Em seu livro Contra as Heresias, ele descreve os vários movimentos gnósticos para desenvolver melhor o verdadeiro pensamento cristão. Como afirmado acima não havia até então um corpus teológico cristão, o que gerou uma infinidade de ideias e conceitos dentro das comunidades cristãs, de maneira que se tornou indispensável e urgente, pós Marcião, estabelecer não apenas o cânon neotestamentário, mas estabelecer um conjunto de doutrinas que pudessem expressar a genuína fé cristã (ortodoxia cristã) diferenciando-a das doutrinas estranhas e antagônicas à fé cristã (heresia). Em Alexandria surge o que podemos chamar de a primeira escola de teologia (também conhecida como Didascalium ou Didaskaleion) fundada por Pantene.[13] Seus sucessores mais eminentes são Clemente de Alexandria e Orígenes, ambos são, acima de tudo, teólogos e espirituais; mas a teologia produzida por eles é rica em cultura filosófica grega. Clemente de Alexandria,[14] um filósofo contemporâneo de Ireneu de Lião, refuta as heresias de que as verdades divinas são reservadas para alguns (ideia do conhecimento gnóstico) e reafirma categoricamente que qualquer cristão pode adquirir o conhecimento da verdade cristã. Foram preservadas ao menos cinco de suas obras: Exortações aos pagãos, O Instrutor, Stromata, Seleções de Teodócio e Quem é o rico salvo?[15] Clemente afirmava que Platão foi um imitador de Moisés, pois muitos dos enunciados de Platão podiam ser encontrados nos escritos do legislador hebreu. Foi um dos primeiros a utilizar o método exegético alegórico[16] para interpretação bíblica, que ficou extremamente popular a partir de Alexandria transpassando toda a Idade Média.
O final do século II viu o nascimento (184 d.C.) de um dos maiores teólogos cristão – Orígenes - produzindo cerca de 800 tratados teológicos e comentários bíblicos, ainda que em muitos deles acabou destoando da ortodoxia cristã em formação. Escreveu também uma apologia famosa “Contra Celso” filosofo romano que acusava o cristianismo de ser tão somente uma religião supersticiosa, o que Orígenes refutou provando que a fé cristã estava muito acima dos conceitos gnósticos e supersticiosos da época, colocando o cristianismo como referência a ser seguido. Será ele a sistematizar o método alegórico de interpretação dos textos bíblicos distinguindo três camadas no sentido do texto: literal (Corpóreo); moral (Alma) e místico (Espírito), onde a tarefa do exegeta é sempre buscar a referência cristocêntrico do texto.
A composição ou elaboração do cânon do Novo Testamento começa a se formar apenas a partir da segunda metade do século II. O objetivo das Igrejas é restaurar a tradição e voltar à autoridade dos apóstolos. Portanto, "qualquer tradição não apostólica será desclassificada", escreveu Etienne Trocmé (1999, p. ?). No final do segundo século, é comum a todas as igrejas os quatro Evangelhos, as Epístolas de Paulo, a Primeira Carta de João, a Primeira Carta de Pedro, os Atos dos Apóstolos e Apocalipse. Algumas igrejas fizeram inclusões no seu cânone dos textos e recusaram outros. O cânon vai sendo unificado no transcorrer dos séculos seguintes.
Quanto à questão eclesiástica, vão substancialmente sendo hierarquizadas no segundo século. Emerge gradualmente em todos os lugares a figura do bispo como guardião da doutrina e mantenedor da unidade cristã. No final do segundo século torna-se conhecido os bispos de algumas das principais cidades cuja autoridade e preeminência abrangem uma região. Os grandes centros cristãos e seus Bispos são: Roma, Alexandria, Antioquia, Lião e Cartago. A comunicação e as definições sobre as questões envolvendo as igrejas cristãs são feitas através da convocação de Concílios, que então funcionam em modelo congregacionalista, onde todos os bispos tem igual autoridade sem qualquer proeminência romana. No segundo século a Igreja de Roma não parece mais importante do que suas irmãs do Oriente. No entanto, inicia-se os primeiros movimentos para se alcançar maior proeminência e poder.
Agora estruturada eclesiasticamente, municiadas por teólogos brilhantes e um cânon quase totalmente definido, o cristianismo está pronto para enfrentar o século III e enfrentar uma batalha dura e implacável com o Império Romano.

Sucinta Cronologia do Primeiro Século da Igreja Cristã
117     morte do imperador romano Trajano
132     nova revolta judaica
138     morte do imperador romano Adriano
163     Justino Mártir em Roma
170     surge o movimento do montanismo
178     Irineu torna-se bispo de Lião
185     Nascimento de Orígenes

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
me.ivanguedes@gmail.com
Outro Blog
Reflexão Bíblica
http://reflexaoipg.blogspot.com.br/

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Referências Bibliográficas
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[1] Foi contra esse grupo místico que o apóstolo João faz referência em suas epístolas (1Jo 4.1-3; 2Jo 7-8).
[2] O conceito de “apologia” parece ter se fixado devido principalmente aos escritos de Eusébio de Cesareia onde Ele é empregado na passagem de sua História Eclesiástica quando faz referência à Apologia aos cristãos, escrita por Tertuliano e endereçada ao Senado romano.
[3] Quadrado de Atenas ou Quadratus de Atenas (em grego: Άγιος Κοδράτος) é conhecido por ter sido o primeiro apologista. Eusébio afirmou que ele teria sido discípulo dos apóstolos (auditor apostolorum). Dionísio de Corinto, numa carta sumarizada por Eusébio diz que Quadrado se tornou bispo de Atenas após o martírio de Publius, revigorando a fé da congregação na cidade e a mantendo coesa. Ele é contado entre os Setenta Apóstolos na tradição das Igrejas orientais.
[4] São Jerônimo duas vezes (de Vir Ill 19;... Ep 70, ad Magnum) identifica o apologista com Quadrato, presbítero de Atenas, e afirma que o apêlo foi apresentado quando Adriano visitou Atenas e foi iniciado nos mistérios de Elêusis.
[5] Em seu Dialogo com Trifo ele registra um breve resumo da trajetória que o levou à fé cristã.
[6] Foram escritas em meados de 150 d.C. e dedicadas ao imperador romano Antonio Pio, com o propósito de defender os cristãos das acusações da época. Temas como batismo e eucaristia (ceia) também são referidos. Ele vai desenvolver o conceito do Logos ou Palavra defendendo que todo conhecimento vem unicamente de Deus e sua revelação na Palavra encarnada (Cristo). “Esta é a razão para o caráter um pouco estranho do pensamento de Justino, tão claramente platônico, mas ao mesmo tempo tão profundamente cristocêntrico” (GONZALES, 2004, p. 102).   
[7] Nesse dialogo com o rabino Trifão o apologista cristão faz uma defesa da divindade do cristianismo.
[8] No método alegórico as realidades históricas dos acontecimentos veterotestamentário tendem a perder sua relevância diante do “novo” significado místico, enquanto na interpretação tipológica, proposto por Justino, o significado deve ser sempre procurado no fato histórico em si, ainda que transcenda a ele.
[9] Segundo Tertuliano ele fez à comunidade Romana uma oferta de duzentos mil sesterces logo depois sua chegada. Esta oferta extraordinária de 1400 libras (7000 dólares), uma soma enorme para aqueles dias, pode ser atribuída aos primórdios de uma fé entusiástica, entretanto segundo informações o dinheiro foi voltado para ele depois sua ruptura com a Igreja.
[10] “Justino (Apol. 1. 26) em 150 relata que a pregação de Marcião tinha se espalhado em "kata frita genos anthropon" e pelo ano 155, os Marcionitas já eram numerosos em Roma (Iren. III. 34)”. Harnack, Adolf Von. History of Dogma, v. I, Published by Boston, Little, 1901, [nota nº 1], mídia eletrônica: http://www.gnosis.org/library/marcion/hnts.html#1
[11] E. Furguson identificado três diferenças significativas entre a teologia de Marcião e do Gnosticismo: Marcião fez da revelação escrita seu padrão para verdade; Ele encorajou a organização da igreja, e ele rejeitou a especulação e alegoria. Furguson, E. "Marcion" in Evangelical Dictionary of Theology, edited by Walter Elwell (Grand Rapids: Baker, 1984), 686.
[12] O parágrafo mais extenso do credo é o procedimento (origem) do Filho. Isto porque era precisamente em sua Cristologia que Marcião se diferenciava mais amplamente da igreja.
[13] Pantene foi mestre na escola catequética de Alexandria, na última parte do segundo século e talvez os primeiros anos do terceiro. De sua vida anterior pouco se sabe com certeza se ele era originalmente um cristão ou se tornou um por conversão. Orígenes, em uma passagem preservada por Eusébio (HE vi. 19), o nomeia como um exemplo e o próprio Eusébio nos informa que, no seu zelo pela fé, empreendeu o trabalho de um evangelista no Oriente chegando até a Índia; foi distinguido como expositor da Palavra de Deus. Eusébio nos diz que Pantene "interpretou os tesouros dos dogmas divinos"; Jerônimo, que ele deixou "muitos comentários sobre as Escrituras", mas há uma concordância de que sua maior contribuição foi de suas aulas e palestras do que de seus escritos. Não temos informação nem do local e nem da data de sua morte.
[14] Como ele generosamente cita os textos filosóficos antigos agora desaparecidos tornou-se uma fonte de referência para textos de filósofos arcaicos, especialmente pré-socráticos.
[15] Esta obra dá indicação de que o cristianismo começava a alcançar as classes mais ricas de Alexandria. Para ele a riqueza não é para ser acumulada, mas compartilhada.
[16] Esse método defende que além da verdade e/ou mensagem literal dos textos bíblicos é sempre possível encontrar outros sentidos espirituais e que esse é o sentido mais elevado das Escrituras.

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