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terça-feira, 11 de julho de 2017

Glossário da Patrística (Patrologia)

           Creio ser relevante nessas palavras iniciais começarmos por esclarecer o significado do termo Patrística e/ou Patrístico (Patrologia) na sua dimensão etimológica: é a ciência que estuda os Padres – (gr. Patêr), de onde se derivam pai e padre. Ireneu de Lião em sua obra clássica Adversus Hareses (4,41,2) escreveu: “Quando alguém recebeu da boca de outrem um ensinamento, é considerado filho daquele que o instruiu e este último pode dizer se seu pai.” E na mesma linha Clemente de Alexandria em seu trabalho Estromatas (I, I,2-2,1) afirma: “As palavras são a progenitura da alma (...): Assim, chamamos pais a todos os que nos ensinam (...) e todo o homem que recebe instrução é, na verdade, filho do seu mestre”.
Tomado num sentido tradicional Patrística e Patrologia refere-se aos autores cristãos primitivos, ortodoxos e heterodoxos, bem como a diversidade dos seus escritos. O primeiro a utilizar o termo Patrologia foi o teólogo luterano João Gerhard, na obra publicada em 1653, ainda que em sentindo mais amplo, Eusébio e sua extraordinária obra História Eclesiástica e que se reveste como fonte extremamente importante, faz citações de escritos desaparecidos posteriormente e de autores dos quais é a única referência. Igualmente Jerónimo, ao escrever o seu De viribus illustris, com propósitos apologéticos de defesa da literatura cristã perante os pagãos classifica alguns dos autores como ortodoxos e heréticos. Desta forma, podemos constatar que houve sempre, desde os primórdios do Cristianismo, a preocupação de conservar os escritos dos autores primitivos e que, desde cedo se tentou traçar uma demarcação entre os autores segundo a linha de ortodoxia que se ia, gradualmente, definindo.
Assim, a importância do período patrístico não pode ser minimizada sem causar danos para a compreensão da História da Igreja Cristã. O livro de Atos nos leva apenas há um pouco mais da metade do primeiro século e depois temos que buscar informações nas literaturas produzidas pelas gerações sucessoras do período apostólico. Para compreendermos a evolução da dogmática, da eclesiologia e da própria história do cristianismo somos obrigados a recorrermos aos registros literários do período patrístico, pois são as únicas fontes do cristianismo antigo. Ao resgatarmos o valor desse período histórico cristão e de sua produção literária histórico-bíblica nos apossamos de uma ferramenta indispensável para uma melhor compreensão da ação pastoral, evangelística, teológica, histórica, exegética, litúrgica e dogmática.
No âmbito de um dialogo intereclesiástica construtivo o período patrístico torna-se campo comum da história cristã a todas as denominações, pois conscientemente ou não, a presença da Patrística é irrefutável e inegável em um cristianismo que percorrerá todos os séculos posteriores até os dias atuais. A Patrística está entre aqueles raros movimentos espirituais cuja influência permanece tão fresca no tempo e no espaço.
Os grandes reformadores do século XVI, bem como os grandes teólogos dos séculos posteriores beberam dessa fonte Patrística. Isso não significa que tudo que foi escrito ou produzido nesse período está inseto de erros. Ao contrário, é preciso ter muito cuidado em estudar todo esse vasto material e selecionar aquilo que deve ser aceito e utilizado, daquilo que deve ser descartado. Mas mesmo em seus equívocos os patrísticos servem para nos alertar de como é comum grandes pensadores cristãos se desviarem do curso inspirado das Escrituras e adentrarem por seus próprios caminhos interpretativos.
Nem todos os personagens da patrística têm a mesma relevância. Nem todos eles são conhecidos ou foram estudados da mesma forma. Agostinho de Hipona, por exemplo, tem sua vida e suas obras enumeradas em vastíssimos volumes.   Por outro lado, outros personagens desse período têm apenas o nome e alguma referência aos fragmentos de seus escritos.
Deste modo, o pequeno esforço que faço no âmbito desse singelo blog histórico tem como objetivo oferecer aos leitores um aperitivo para estimula-los a uma experiência mais ampla do conhecimento deste banquete histórico-literário produzido pelos nossos irmãos dos primeiros seis séculos do Cristianismo.  
            Diante do que esclareci acima os verbetes que serão produzidos aqui não terão a mesma proporcionalidade. Em alguns oferecerei mais informações e em outros menos, não por critérios pessoais, mas por que em muitos casos há poucas informações sobre aquele personagem. Para evitar um descompasso maior, alguns personagens e temas serão abordados em verbetes separados de maneira que o leitor poderá acessá-los quando dispuser de interesse e tempo mais adequado. Na medida do possível estarei atualizando e ampliando o número de verbetes, pois dois fatores inibem maiores entusiasmos: o limitado espaço do blog e ao tempo escasso que tenho para essa tarefa.


Abércio, inscrição de (Ásia Menor, séc. II). É o registro mais antigo referindo-se aos cristãos e suas práticas religiosas, antes do ano 216. Abércio foi bispo da igreja em Hierápolis e que registra em um epitáfio de forma muito sucintamente sua viagem a Roma e à Síria, percorrendo parte do percurso feito pelo apóstolo Paulo em sua terceira viagem: Tarso , Derbe , Icônio , Antioquia da Psídia até a região central da Frígia. Esse monumento foi descoberto em 1883 pelo arqueólogo protestante W. Ramsay na região da Frígia e atualmente está preservado no Museu de Latrão. O texto completo contém 22 linhas e muitos autores entre eles Harnack, G. Ficker e A. Dieterich consideram ser um texto sincretista. O texto faz inferências sobre o batismo como distintivo dos cristãos; a ampla difusão das comunidades cristãs; Jesus como filho de Deus (e de Maria); a Ceia sob as espécies do pão e do vinho.
Acácio de Beréia (atual Alepo – 322-432). Abraçou a vida monástica e pouca informação há sobre este período de sua vida.  Ele parece, no entanto, ter sido proeminente como um campeão da fé ortodoxa contra os arianos e posteriormente foi ordenado bispo de Beréia (378), por Eusébio de Samósata, mas não relaxou o rigor de seu ascetismo e, como Ambrósio, mantinha as portas de sua casa abertas convidando a todos para testemunhar a pureza e a simplicidade de sua vida. Participou efetivamente em várias missões importantes aparecendo com distinção em Roma, provavelmente como deputado das igrejas da Síria, quando da heresia apolinariana - onde ele defendeu a doutrina das duas naturezas de Jesus Cristo. Ele estava presente em 381, no Concílio de Constantinopla. Suas negociações com o papa fez cessar um cisma que assolaram por 17 anos a igreja de Antioquia. Até então amigo de João Crisóstomo, veio a se constituir em um de seus mais ferrenhos inimigos, participando com Teófilo de Alexandria e Severiano de Gabala de todas as manobras que levaram à deposição e expulsão de Crisóstomo em 404. Sua idade de mais de 100 anos e a reverência popular lhe aferiu o título de "pai e mestre de todos os bispos" e faleceu com cento e doze anos. De acordo com Teodoreto de Ciro , que esteve perto dele em seus últimos anos, foi uma das fontes para a sua "História Philothea" e ocupou o episcopado de Beréia por 58 anos. Todavia, sua condução irregular nos assuntos eclesiásticos da Igreja tem produzido as mais diversas opiniões sobre sua vida e posições teológicas. De todo material por ele produzido resta apenas três cartas, especialmente sobre a controvérsia nestoriana: duas para o nestoriano Alexandre de Hierápolis acerca do acordo que tinha sido estabelecido entre Cirilo de Alexandria e os bispos de Antioquia e uma para Cirilo de Alexandria em favor de Nestório e recomendando a paz. É creditada a ele uma confissão de fé que, presumivelmente, não é dele.
Acácio de Cesaréia
Acácio de Constantinopla
Adamâncio
Aécio
Agostino de Hipona
Alexandre de Alexandria
Ambrósio
Anfilóquio de Icônio
Apeles
Apolinário de Hierápolis
Apolinário de Laudicéia
Ário
Aristides
Aristão [Aristo] de Pella
Atanásio
Atas dos Mártires.
Atenágoras

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
Outro Blog
Reflexão Bíblica


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Referências Bibliográficas
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CESARÉIA, Eusébio de. História Eclesiástica - os primeiros quatro séculos da Igreja Cristã. 7ª ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2007.
GONZÁLEZ, J. L. Dicionário ilustrado dos interpretes da fé. Tradução Reginaldo Gomes de Araujo. Santo André (SP): Editora Academia Cristã Ltda., 2005.
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TERTULLIAN. Apologetic. Tradução Rev. S. Thelwall. Apud, SCHAFF, P. Menzies (Ed.) A select library of Nicene and Post-Nicene Fathers of the Christian Church. Tome I-3. Edinburgh: T&T Clark, 1887. pp. 19-79.

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